sábado, 1 de julho de 2017

A constante cautela espiritual - Beato Egídio

Se queres enxergar bem, arranca os olhos e sê cego; se queres ouvir bem, sê surdo; se queres andar bem, corta teus pés. se queres agir bem, corta as mãos; se queres amar bem, odeia; se queres viver, mortifica-te. se queres gozar, sacrifica-te; se queres estar seguro, tem sempre medo; se queres ser exaltado, humilha-te; se queres ser honrado, despreza-te e louva quem te despreza; se queres ter o bem, suporta o mal; se queres ter paz, trabalha; se queres ser abençoado, deseja ser amaldiçoado.¹ Ó que sabedoria é saber fazer isso! Mas porque são grandes coisas, não são concedidas a todos.

Se o homem vivesse mil anos e nada tivesse a fazer além de cuidar de si, teria o suficiente a fazer dentro do seu coração. E não chegaria a terminar sua tarefa; tanto haveria a fazer somente no seu coração.²

Quem não se transformar em dois personagens, o juiz e o patrão, não pode salvar-se.

Ninguém deve querer ver ou ouvir alguma coisa ou falar de outra que não seja para a sua utilidade. Jamais deve comportar-se de modo diverso. 

Quem não quer conhecer não será conhecido. Mas ai de nós: os que possuem os dons do Senhor não os conhecem;  e os que não os possuem não os procuram.

O homem faz de Deus a imagem que quer. Mas Deus permanece sempre o mesmo (cf. Mç 3,6; Hb 1,12)
(Fontes Franciscanas e Clarianas. Grifos meu.)

¹ - É míster salientar que essa sequência, dita pelo Beato Egídio, é muito semelhante ao que Nosso Senhor Jesus Cristo diz em Mateus 18,8-9. Portanto, deve ser salientado que não é algo literal, ou seja, não se deve cortar a mão, o pé, os olhos, etc. Mas é no sentido de fugir das ocasiões. Seja cego no sentido de não ficar vendo coisas que são impuras, pecaminosas (nos nossos dias, a pornografia serve como exemplo de coisa a tirar do nosso campo visual); "cortar o pé" tem o sentido de não andar em lugares que nos levam a pecar e, portanto, nos afastar de Deus.

² - Mostra-nos a importância de reconhecer que, antes de querer a santificação das outras pessoas, devemos buscar a nossa própria conversão e santificação. Se há muita coisa imperfeita em nós, porque iremos nos preocupar em demasia com os defeitos alheios? Voltemos o olhar para nosso coração, para nossa mente e, se for necessário, busque ajuda de um diretor espiritual - ou de um profissional, caso seja um defeito, um problema não espiritual (como necessidade de terapia).


Se o Beato Egídio, esse grande franciscano, disse isso há tantos séculos atrás, quão necessárias são para os cristãos católicos do século XXI

Salve Maria Imaculada, nossa Corredentora e Mãe!

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