segunda-feira, 13 de março de 2017

Afetividade e Sexualidade | Pregação



A seguir trechos do Catecismo da Igreja Católica

II. A vocação à castidade
2337. A castidade significa a integração conseguida da sexualidade na pessoa, e
daí a unidade interior do homem no seu ser corporal e espiritual. A sexualidade,
na qual se exprime a pertença do homem ao mundo corporal e biológico, torna-se
pessoal e verdadeiramente humana quando integrada na relação de pessoa a
pessoa, no dom mútuo total e temporalmente ilimitado, do homem e da mulher.
A virtude da castidade engloba, portanto, a integridade da pessoa e a
integralidade da doação.
A INTEGRIDADE DA PESSOA
2338. A pessoa casta mantém a integridade das forças de vida e de amor em si
depositadas. Esta integridade garante a unidade da pessoa e opõe-se a qualquer
comportamento susceptível de a ofender. Não tolera nem a duplicidade da vida,
nem a da linguagem (88).
2339. A castidade implica uma aprendizagem do domínio de si, que é uma
pedagogia da liberdade humana. A alternativa é clara: ou o homem comanda as
suas paixões e alcança a paz, ou se deixa dominar por elas e torna-se infeliz (89).
«A dignidade do homem exige que ele proceda segundo uma opção consciente e
livre, isto é, movido e determinado por uma convicção pessoal e não sob a pressão
de um cego impulso interior ou da mera coacção externa. O homem atinge esta
dignidade quando, libertando-se de toda a escravidão das paixões, prossegue o seu
fim na livre escolha do bem e se procura de modo eficaz e com diligente iniciativa
os meios adequados» (90).
2340. Aquele que quiser permanecer fiel às promessas do seu Baptismo e resistir
às tentações, terá o cuidado de procurar os meios: o conhecimento de si, a prática
duma ascese adaptada às situações em que se encontra, a obediência aos
mandamentos divinos, a prática das virtudes morais e a fidelidade à oração. «A
continência, na verdade, recolhe-nos e reconduz-nos àquela unidade que tínhamos
perdido, dispersando-nos na multiplicidade» (91).
2341. A virtude da castidade gira na órbita da virtude cardial da temperança, a
qual visa impregnar de razão as paixões e os apetites da sensibilidade humana.
2342. O domínio de si é uma obra de grande fôlego. Nunca poderá considerar-se
total e definitivamente adquirido. Implica um esforço constantemente retomado,
em todas as idades da vida (92); mas o esforço requerido pode ser mais intenso em
certas épocas, como quando se forma a personalidade, durante a infância e a
adolescência.
2343. A castidade conhece leis de crescimento e passa por fases marcadas pela
imperfeição, muitas vezes até pelo pecado. O homem virtuoso e casto «constrói-se
dia a dia com as suas numerosas decisões livres. Por isso, conhece, ama e cumpre o
bem moral segundo fases de crescimento» (93).
2344. A castidade representa uma tarefa eminentemente pessoal; implica também
um esforço cultural, porque existe «interdependência entre o desenvolvimento da
pessoa e o da própria sociedade» (94). A castidade pressupõe o respeito pelos
direitos da pessoa, particularmente o de receber uma informação e educação que
respeitem as dimensões morais e espirituais da vida humana.
2345. A castidade é uma virtude moral. Mas é também um dom de Deus,
uma graça, um fruto do trabalho espiritual (95). O Espírito Santo concede a graça
de imitar a pureza de Cristo (96) àquele que regenerou pela água do Baptismo.
A INTEGRALIDADE DO DOM DE SI
2346. A caridade é a forma de todas as virtudes. Sob a sua influência, a castidade
aparece como uma escola de doação da pessoa. O domínio de si ordena-se para o
dom de si. A castidade leva quem a pratica a tornar-se, junto do próximo,
testemunha da fidelidade e da ternura de Deus.
2347. A virtude da castidade expande-se na amizade. Indica ao discípulo o modo de
seguir e imitar Aquele que nos escolheu como seus próprios amigos (97), que Se
deu totalmente a nós e nos faz participar da sua condição divina. A castidade é
promessa de imortalidade.
A castidade exprime-se especialmente na amizade para com o
próximo. Desenvolvida entre pessoas do mesmo sexo ou de sexos diferentes, a
amizade representa um grande bem para todos. Conduz à comunhão espiritual.
OS DIVERSOS REGIMES DA CASTIDADE
2348. Todo o baptizado é chamado à castidade. O cristão «revestiu-se de Cristo»
(98), modelo de toda a castidade. Todos os fiéis de Cristo são chamados a levar
uma vida casta, segundo o seu estado de vida particular. No momento do seu
Baptismo, o cristão comprometeu-se a orientar a sua afectividade na castidade.
2349. «A castidade deve qualificar as pessoas segundo os seus diferentes estados
de vida: uns, na virgindade ou celibato consagrado, forma eminente de se
entregarem mais facilmente a Deus com um coração indiviso: outros, do modo que
a lei moral para todos determina, e conforme são casados ou solteiros» (99). As
pessoas casadas são chamadas a viver a castidade conjugal; as outras praticam a
castidade na continência:
«Existem três formas da virtude da castidade: uma, das esposas: outra, das viúvas;
a terceira, da virgindade. Não louvamos uma com exclusão das outras. [...] É nisso
que a disciplina da Igreja é rica» (100).
2350. Os noivos são chamados a viver a castidade na continência. Eles farão, neste
tempo de prova, a descoberta do respeito mútuo, a aprendizagem da fidelidade e
da esperança de se receberem um ao outro de Deus. Reservarão para o tempo do
matrimónio as manifestações de ternura específicas do amor conjugal. Ajudar-seão
mutuamente a crescer na castidade.

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