quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Vaticano II: a luta para evitar os extremos e permanecer CATÓLICO

Salve Maria Imaculada, nossa Corredentora e Mãe!
O Concílio Vaticano II foi sem dúvida alguma um grande marco na Igreja Católica no século XX. Sua importância foi tão grande, que alguns lhe transferem a própria personalidade de Cristo e dividem a Igreja e o mundo entre Antes do CVII e Depois do CVII – se é que o mesmo foi uma ruptura entre duas eras.
A questão que aqui quero levantar é justamente essa: o Concílio Vaticano II – o real, nos seus documentos, e não nos achismos e opiniões pessoas e até arbitrárias – foi uma ruptura com a Tradição da Igreja ou deu sequência a ela?
Existem duas correntes opostas, mas que são igualmente errôneas: por um lado há os modernistas liberais que querem deturpar o Evangelho, transformar a Igreja num Sindicado ou num Circo – estes pregam a ruptura com a Tradição da Igreja. O que estes pregam é que a Igreja se transformou, pois, segundo eles, o “espírito do concílio” agora nos leva a um outro pensamento, sem necessidade de doutrinas, de regras, que a “radicalidade do evangelho” é coisa do passado, que devemos nos atentar ao humanismo (no contexto equivocado, obviamente) e não a coisas bobas como a liturgia e penitência. Falam e fazem um monte de asneira, e usam o Concílio Vaticano II para legitimá-las. Por outro lado, porém, há uma corrente totalmente oposta, que é dos ultraconservadores. Este grupo de pessoas querem defender a Tradição da Igreja contra os ataques heréticos dentro da própria Igreja, porém, causam o mesmo mal, pois ao invés de defender a Tradição da Igreja em sua plenitude, acabam mutilando a Igreja ao negar o Concílio Vaticano II. Para entender melhor: os modernistas liberais dizem que o CVII mudou o ensinamento da Igreja, e, portanto, fazem da Igreja seu circo próprio; já os ultraconservadores confirmam essa tese, por isso o atacam (o CVII) e também não querem ligação com praticamente nada pós conciliar pois, segundo eles, tudo não passa de modernismo. De um lado um bando de loucos que só querem o pós Vaticano II, negando toda doutrina e riqueza de dois mil anos; de outro, mais um bando de loucos, que nega o Vaticano II, querendo viver tudo conforme era antes do mesmo. Deste segundo, surgem correntes cada vez mais doentias, como os chamados sedevacantistas, que afirmam que nenhum Papa pós conciliar é válido e que até hoje a Sé está vacante, ou seja, a Igreja não tem Papa.
Nós estamos no meio de uma guerra de malucos, e cada vez mais você parece ser pressionado a pular para um lado. Por um lado vemos muita coisa errada ser feita na Igreja em nome do CVII, parecendo de fato que este contradisse o ensinamento precedente, fazendo a Igreja estar em apostasia. Este é um dos motivos que tem feito não poucos jovens a aderirem aos movimentos “rad-trads” (tradicionais radicais), onde rompem com tudo pós conciliar, dizem que todo mundo está em heresia, e vivem a chorar porque nem tudo concorre conforme a vontade própria. Mas, para ser sincero, muitas vezes o coração destes parece justificado diante dos tamanhos abusos que se vê na Igreja. Para muitos jovens lhes apresenta somente duas opções: ser um modernista dançando no ritmo da macumba numa profanação da Missa, ou ser rad-trad e ser um defensor da tradição.
Defender a Tradição, lutar pela Verdade, não é ruim. É algo não somente louvável, mas muito necessário. O problema é que muitas pessoas não fazem uma leitura da história (e do próprio tempo presente) segundo o Espírito, mas somente numa perspectiva humana. Sendo assim, para defender a Verdade eterna, acabamos negando-a. Muitos querem defender a Igreja, negando a autoridade da mesma nos dias de hoje. Ou nós nos tornamos santos com a Igreja, ou morreremos hereges achando que somos perseguidos.
O grande problema da maioria dos modernistas e dos rad-trads é que ambos não se atentam aos textos do CVII. Entre os hereges liberais e os hereges rad-trads, eu escolho a via de santidade: eu escolho ser Católico Apostólico Romano. Nós tivemos grandes santos, dentre os quais São João Paulo II e Santa Teresa de Calcutá, que viveram neste período pós Conciliar. João Paulo II é um grande exemplo de defesa da Tradição da Igreja, da Verdade, neste tempo pós Conciliar; afinal, foi ele que enquanto Papa fez uma terrível guerra contra a Teologia da Libertação. Há vídeos do mesmo na internet, em visita a América Latina, é vaiado pelos comunistas – e o mesmo corajosamente defende a verdade.
Meu desejo não é fazer parte dos opostos que na verdade cometem o mesmo erro, minha intenção é ser como São João Paulo II, Santa Teresa de Calcutá, São Padre Pio, São Josemaria Escrivá, além de todos os santos: ser Católico Apostólico Romano. Se queremos ser católicos, devemos ser como os referidos santos.
Outro dia mesmo eu assistia um vídeo do Cardeal Burke, onde o mesmo dizia que se houvesse um cisma na Igreja, ele não faria parte, pois ele é católico romano. Ora, nós não podemos fazer parte deste cisma: negar o CVII para viver os pecados neste espírito mundano e depravado em que está nosso século; nem tampouco negar o mesmo CVII para viver parado no passado. As duas ações fazem um mal grandioso às almas, afinal, uma as conduz ao pecado, enquanto a outra quando não lhes tira da comunhão plena com a Igreja, faz normalmente um afrouxamento de espírito no apostolado, fazendo com que muitas almas se percam por não haver quem lhes anuncie o Evangelho. Enquanto se quer lutar contra o CVII, o teólogo de Facebook com mestrado na universidade do “cheirando a leite”, perde energia que deveria usar para anunciar o Evangelho as famílias de quem nem se quer conhecem a Cristo. Há vários padres que não vivem em plena comunhão com Roma por olharem o CVII como uma ruptura, assim ficam afastados, recusando-se a celebrar a Missa Nova e a ter contato com as paróquias atuais. O resultado é que temos um padre piedoso na sua liturgia celebrando para poucas pessoas, afastado de todos, enquanto nas paróquias há não poucos padres que pregam coisas contrárias a doutrina da Igreja, e não seguem o missal, inventando até “Missa do côco”, “Missa Afro” com requintes de macumba, etc. Ora, não seria mais útil às almas ter este padre piedoso celebrando a Missa Nova na Paróquia, seguindo o Missal, para uma Paróquia, pregando a doutrina da Igreja, confessando, etc., do que viver pelos cantos chorando por ver o mundo no erro, enquanto poderia leva-los à Verdade. Bom, mas isso é assunto para outros textos. Sigamos na proposta deste.
Mas afinal, o Concílio Vaticano II foi obra do Espírito Santo ou do demônio? Há, como disse, pessoas que acreditam piamente que o espírito que agiu no CVII não foi o de Deus. O “espírito do concílio” talvez seja do demônio, afinal, muita gente defendo os maiores absurdos se valendo do tal “espírito do concílio”. Mas os documentos do Concílio, sim, foi obra de Deus. E não há como negar isso sem romper com a Tradição. Mutilar a Tradição da Igreja seria justamente negar um Concílio da Igreja e chamar Papas, Bispos e Padres de hereges por seguirem o que a Igreja proclamou em Concílio.
O problema do Concílio Vaticano II foi a má interpretação (ou má fé mesmo – por parte de alguns) dos documentos do Concílio. O Papa Emérito Bento XVI quando renunciou ao pontificado em 2013, antes de deixar a Cátedra de São Pedro, fez algumas riquíssimas catequeses; dentre as quais, uma sobre o Concílio Vaticano II tal qual ele viu – afinal, ele foi um dos padres que auxiliaram os Bispos unidos ao Papa no Concílio. Bento XVI afirmou que houve dois Concílios Vaticano II: um o real – com os documentos publicados -; o outro, o da mídia – com o que eles diziam que o concílio fazia. O fato é que enquanto o Concílio proclamava uma coisa, toda a mídia anunciava não o conteúdo dos documentos, mas sim o tal “espírito do concílio”, que estava mudando a Igreja, segundo tais noticiários.
E a mídia aqui, caríssimos, não se limita aos jornais, revistas, rádios e a TV que começava a se expandir, mas sim aos próprios Seminários da Igreja; pois o grande ataque à doutrina da Igreja não foi o Concílio, mas sim o ensinamento que se deu nos Seminários pós conciliares. Como veremos a seguir, se pegarmos qualquer documento do CVII sobre liturgia, ou sobre a formação do Padre (baseada em S. Tomás de Aquino), um padre liberal da Teologia da Libertação ficará trêmulo ao saber que é do Concílio Vaticano II. Tudo o que se vem fazendo de secularização, chegando-se quase a apostasia em algumas realidades paroquiais, se deve a este “espírito do Concílio”; enquanto o ensinamento do CVII é católico e em devida concordância com os demais Concílios que o antecederam.
Podemos desculpar os católicos da época por terem dado ouvidos à pessoas má intencionadas; afinal, para se conhecer os documentos da Igreja era necessário esperar meses por uma publicação física do material. E até distribuir às dioceses mais afastadas... Porém, nos dias atuais qualquer pessoa tem acesso aos documentos da Igreja. Se no passado as pessoas dependiam do que os outros lhe ensinavam sobre o Concílio Vaticano II ou outros pontos doutrinários, hoje, por sua vez, você e eu podemos, neste exato momento, por causa da internet, acessar o site do Vaticano e ler os documentos do CVII e demais documentos dos Sumos Pontífices. Não dá mais para cair no “conto do espírito do concílio” enquanto TODOS tem acesso aos DOCUMENTOS DO CONCÍLIO.
Sendo assim, para que todos tenhamos uma saudável leitura dos documentos do CVII, é importante lembrarmos os fins do mesmo, para que na dúvida em algum ponto do mesmo, saibamos interpretar segundo a verdade. O Papa São João XXIII afirmou no discurso de abertura do Concílio Vaticano II: “O que mais importa ao Concílio Ecumênico é o seguinte: que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz”. Portanto, caríssimo, cai por terra todo e qualquer argumento de que o Concílio veio revolucionar o ensinamento da Igreja, ou fazê-la mais aberta ao mundo renunciando sua doutrina. João XXIII deixou claro que o que importava ao Concílio é guardar e ensinar o depósito da fé de dois mil anos. Ora, o CVII não veio negar o CVI, Trento, Éfeso ou qualquer outro Concílio; mas, em verdade, guardar esta doutrina IMUTÁVEL diante da modernidade, e buscar meios adequados de ensinar ESTA VERDADE IMUTÁVEL ao mundo de hoje.
Isso é de grande importância, afinal, quando algumas pessoas pegam pontos do CVII de maneira isolada, interpretando-os ao seu gosto, parece que o CVII estaria negando alguma coisa lá atrás. Enquanto, na verdade, desde seu início o Concílio está afirmando que guarda todo depósito da sagrada doutrina. O que a Igreja ensina em doutrina não mudou após o Vaticano II. Continua a mesma fé de sempre. (Nos textos posteriores entenderão o que quero afirmar com isso, exemplificando com os textos do CVII).
Se nós cremos na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, nós não podemos negar de maneira alguma o CVII e os Papas pós conciliares, sem o risco de estar negando a própria fé de sempre. Talvez você já esteja lendo na defensiva repetindo mentalmente o slogan “Mas o Concílio Vaticano II foi pastoral”, para assim induzir a crença de que há erros no mesmo e/ou de que não tem nenhuma importância para nós. Para que você compreenda o erro que é negar o CVII, quero que meditemos em um filósofo grego, Sócrates, quando esteve preso. Em Críton (escrito por Platão) podemos contemplar o filósofo Sócrates preso em diálogo com seu amigo Critão; este, pela amizade e pela compaixão de ver um grande filósofo preso próximo à morte, acaba sugerindo a Sócrates que fuja. Critão já tinha todo um plano feito. Sócrates, por sua vez, recusa a fuga, meditando que se assim procedesse estaria atentando contra a Cidade e a Lei, que outrora defendida e assistia; além de que, ao chegar em outra cidade, além de se tornar estrangeiro, poderia ser recusado, uma vez que se atentou contra as Leias da Cidade que o acolheu e educou, quanto mais da estrangeira.
A menção de Sócrates feita acima parece estranha neste contexto, mas conduz exatamente com a situação daqueles que negam o CVII: negam a autoridade da Igreja, que outrora defendia. Sócrates quando atingido pela Lei não fugiu, para não atentar contra o Estado que tanto defendia; já nós, católicos, não podemos atacar o CVII sem atacar todo o peso de dois mil anos de história da Santa Igreja.
Para uma melhor compreensão, vamos aos exemplos. Você passa a vida debatendo com protestantes sobre a autoridade da Igreja, repete a frase de Santo Agostinho “Roma locuta, causa finita est” (Roma falou, causa finita). Mas agora, quando Roma fala pelo Concílio Vaticano II, nós não aceitamos, reclamamos e colocamos em dúvida a autoridade da Igreja. Você condena Martinho Lutero por ter amputado os livros bíblicos e fazer uma interpretação pessoal da Bíblia, por negar a autoridade do Papa, por negar boa parte dos Sacramentos, e fundar uma igreja paralela (uma outra denominação a parte da Igreja Católica, sob autoridade humana somente); mas o super rad-trad amputa da Tradição da Igreja o próprio Concílio Vaticano II, faz uma interpretação totalmente errônea deste Concílio e de vários outros documentos da Igreja, nega a autoridade do Papa, se recusa a assistir à Missa Nova (alguns até dizem que a mesma é inválida), e cria-se pequenas seitas caminhando paralelamente à Igreja, como um movimento específico que tinha tudo para ser um sopro de graça na Igreja, mas enquanto não estão em comunhão plena com a Igreja vivem as margens, e seu fundador mais se assemelha à Lutero.
Não muitos católicos que estão neste erro do falso tradicionalismo, ao debater com protestantes, falam da importância do Papa, da Igreja Una, que a Igreja nunca errou em doutrina na sucessão apostólica, etc. Mas ao atacar o CVII cai em contradição. Afinal, o que foi o Concílio Vaticano II? Foi uma reunião de Bispos legítimos do mundo inteiro com um Papa legítimo. O que foi o Concílio Vaticano I? Idem. O que foi o Concílio de Trento? Ibidem. Ora, todos os Concílios da Igreja foram Bispos legítimos que em nome de Jesus se reuniram para, inspirados pelo Espírito Santo, guiar a Igreja de Deus neste mundo tempestuoso. Se você disser que o CVII não foi do Espírito Santo, colocando-o em dúvida, automaticamente TODOS os Concílios anteriores entram na mira da dúvida, afinal, ambos são a mesma coisa: Bispos com o Papa para decidir algo. Se o Vaticano II é falso, quem me garante a veracidade dos outros? Portanto, para a fé permanecer inabalável é prudente, é, mais, NECESSÁRIO, aceitar o CVII – repito, o real dos documentos, não as invenções em nome do mesmo. Não há maneira de amar e conservar mais a Santa Tradição da Igreja, do que lendo e aplicando o CVII.
Para compreendermos que o Espírito que guiou o CVII foi o mesmo que guiou os anteriores, gostaria de citar alguns trechos das Sagradas Escrituras. Em Mateus 16,16-19 Nosso Senhor diz à São Pedro, nosso primeiro Papa: “Tu és Pedro, e sobe esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. Ora, vemos a autoridade do Papa; mas, mais que isso, vemos a promessa de que AS PORTAS DO INFERNO NUNCA PREVALECERÃO CONTRA A IGREJA CATÓLICA. Isso não quer dizer, todavia, de que a mesma não passará por provações e pela apostasia (coisa que já vemos com toda essa confusão). Mas a promessa de que o inferno não prevaleceria, nos deve fortalecer na fé de que satanás não tocará na doutrina da Igreja, no são ensinamento – afinal, o que é proclamado de maneira infalível, não pode ser desmentido depois. Portanto, o CVII não toca nisso. Se dissermos que o Tudo está em pecado, que todos os Papas pós Vaticano II (inclusive um canonizado) são antipapas, ora, você está dizendo que satanás triunfou sobre a Igreja. E, caríssimo, isso sim é uma heresia. Afinal, no próprio Evangelho de São Mateus, Nosso Senhor aparece aos apóstolos antes de subir aos Céus, e diz-lhes: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mateus 28,20). Se você disser que um Concílio reunido em nome da Santíssima Trindade não foi guiado pelo Espírito, mas sim pelo mal, e ao invés de guiar as almas para a verdade, conduziu-as para o erro, você está dizendo que Jesus é mentiroso e abandonou os Apóstolos (os Bispos) antes do fim do mundo. Se você disser que a Igreja está abandonada no pós Vaticano II, você é guiado pelo mesmo espírito protestante que faz muitos dizerem que o Espírito agia na Igreja primitiva, mas que depois do Imperador Constantino ter acabado com a perseguição ao Cristianismo e transformando-a na religião oficial do Império, a fé cristã se perdeu e os cristãos se paganizaram, tendo sido recuperada, segundo eles, quando Deus levantou Lutero (repito, segundo eles) param levar o povo a verdade. Ou seja, protestantes acreditam que Deus deixou o povo cerca de 1300 anos no erro, para só então levantar um homem para levar a humanidade à verdade. Bom, você, tradicionalista que crê que a Igreja pós CVII é pagã por ensinar erros no CVII, e que nega os Papas, etc., você crê na mesma tese: Protestantes só após Lutero; rad-trads, por sua vez, que Deus estava no comando só até o CVII.
Ambos estão errados. Jesus disse que estaria com os Apóstolos até o fim do mundo. O mundo não acabou, portanto, Cristo continua com a Igreja Católica até o fim do mundo. E é importante frisar o seguinte: Cristo prometeu que permaneceria com os APÓSTOLOS, portanto, para ter a garantia dessa real assistência de Cristo, é necessário estar unido aos APÓSTOLOS. Querer se negar  a estar unido aos apóstolos, é negar a própria fé católica. Infelizmente tem muitos vivendo numa gambiarra de fé católica.
Um outro trecho bíblico que acho importantíssimo para entendermos que o Espírito de Deus foi quem guiou o CVII, é um trecho do Evangelho de São João:
Os pontífices e os fariseus convocaram o conselho e disseram: “Que faremos? Esse homem multiplica os milagres. Se o deixarmos proceder assim, todos crerão nele, e os romanos virão e arruinarão a nossa cidade e toda a nação”. Um deles, chamado Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano, disse-lhes: “Vós não entendeis nada! Nem considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo, e que não pereça toda a nação”. E ele não disse isso por si mesmo, mas, como era o sumo sacerdote daquele ano, profetizava que Jesus havia de morrer pela nação, e não somente pela nação, mas também para que fossem reconduzidos à unidade os filhos de Deus dispersos.” (João 11,47-52)
Portanto, caríssimos, Deus sendo fiel à promessa feita ao povo do Antigo Testamento, o Espírito Santo falou por Caifás. São João deixa claro que Caifás não falou aquilo por ele mesmo, mas que profetizou. Mas no coração de Caifás, ele não estava anunciando que o Sangue de Jesus era o Sangue do Deus que se encarnou para salvar a humanidade. Longe disso. Em Mateus 26,65 vemos que foi o mesmo Caifás que rasgou as vestes dizendo e condenou Jesus. Bom, mas São João afirma que ele era guiado pelo Espírito, por ser sumo sacerdote, quando proferiu as palavras “Nem considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo, e que não pereça toda a nação”. Portanto, da mesma forma que Deus foi fiel com o povo da antiga aliança, mesmo no fim, Ele é fiel conosco, que estamos no tempo da Nova e Eterna Aliança feita pelo Sangue de Jesus que é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Se o Espírito Santo inspirou Caifás, também inspira os Bispos reunidos em Concílio, pois foi o próprio Cristo quem disse aos Apóstolos “Se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, o conseguirão de meu Pai que está nos Céus. Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, ai estou eu no meio deles” (Mateus 18,19-20). Isso vale para a oração comunitária, mas muito mais com a reunião dos Bispos do mundo com o Papa, reunidas em nome de Cristo.
No Concílio Vaticano II os Bispos se reunirão com o Papa, e na sua abertura, São João XXIII pedia um novo Pentecostes para a Igreja, um novo vigor, para cumprir a missão da Igreja nestes difíceis tempos. Ora, seria possível os Bispos e os Papas pedirem um novo vigor do Espírito Santo e, por sua vez, vir uma ação maligna? Se sim, toda a fé fica abalada. Ou assume a graça do CVII, ou todo o depósito da fé fica em dúvida.
Mesmo o Concílio Vaticano II sendo Pastoral, não tendo proclamado nenhum dogma, o que foi decidido no mesmo não afeta em nada a verdade de sempre. Afinal, todo o problema que teve no pós concílio (como dito acima, e será mostrado nos textos seguintes) não tem fundamentação nos textos do CVII.
Muitas pessoas criam teorias da conspiração, citam frases fora de contexto ou que em si mesmo não tem nexo. Há quem fale que os comunistas infiltraram milhares de agentes dentro da Igreja anos antes do CVII, fazendo-os chegar aos mais altos postos. Eu acredito nisso. Só que o ensinamento do CVII não fica maculado pela existência de algum Bispo comunista. A presença dos agentes comunistas, maçons, e demais inimigos da Igreja dentro da própria Igreja, não condena o CVII, mas reforça a tese de que os problemas do CVII foram os ensinamentos feitos sobre o mesmo sem citar seus documentos. Enquanto o CVII publicava um documento, muitos dos inimigos da Igreja eram padres, professores de seminários, professores, até Bispos, e, maliciosamente, por dentro, pegaram o CVII como uma desculpa qualquer, e sem usar dos textos conciliares, começaram uma revolução contra a verdade da Igreja, dentro da própria Igreja.
E mesmo que me citem forças inimigas agindo dentro do Vaticano para corromper a Igreja através do Vaticano II, continuarei acreditando piamente no Espírito Santo que guiou o CVII. Afinal, no coração de Caifás ele dizia que tinham que matar Jesus para evitar uma revolução e ter que matar mais pessoas; enquanto era o Espírito Santo que falava por por meio dEle, dizendo que punia na carne de Jesus aquilo que devia ser à humanidade. Ora, muitos inimigos da Igreja podem ter tentado corromper o CVII, mas por causa da promessa de Cristo de que Ele sempre estaria com os Apóstolos, que estes ao se reunirem em Seu nome conseguiriam do Pai o que pedissem e Ele estaria em seu meio, a verdade prevaleceu. A intenção de muitos era matar a fé, mas esta foi mantida. Pode até ter acontecido de que muitos Bispos nas deliberações tenham tido más intenções, mas o resultado final veio do Espírito. Mas, infelizmente, assim como Caifás profetizou e depois entregou Jesus a morte, alguns dos Bispos Conciliares após participarem do momento de graça no CVII, foram responsáveis pela morte de Jesus nos corações de tantas pessoas, por ensinarem suas próprias ideias, e não a doutrina de sempre unida as proclamações do CVII.
Para finalizar, faço uma súplica para que possam ler os Documentos Oficiais do Concílio Vaticano II para descobrir este tesouro. Se você já leu, peço que possa fazer uma releitura, largando os preconceitos, saindo da defensiva, e adentrando na riqueza do texto buscando conhecer a verdade. Leia os documentos do CVII contextualizando as coisas, e julgando tudo conforme o Espírito. Peço isso porque cada vez que leio sobre o CVII reconheço a graça de Jesus. Sim, Jesus de fato esteve no meio daqueles Bispos reunidos com o Papa em nome dEle, tanto é verdade que aplico ao CVII o que S. João falou de Cristo: “O Verbo era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o reconheceram” (João 1,9-13). Ou seja, o CVII veio para iluminar os católicos, mas os seus não o reconheceram. Quantos hoje não reconhecem o CVII? Muitos hoje perguntam como guardar a Sagrada Tradição, como vencer o modernismo, como expandir a piedade eucarística e a devoção à Nossa Senhora, como acabar com as profanações eucarísticas. Então, Jesus aparece personificado como Concílio Vaticano II e diz “A quanto tempo estou convosco, católicos, e não me conheces?”. Bom, por isso peço que possam conhecer o que o CVII segundo ensina nos documentos, não o que você ouviu dizer. Por isso largue por um instante os preconceitos, o que você já ouviu dos rad-trads sobre, e leia o CVII com espírito Católico. É isso que faremos nos próximos posts.
Salve Maria Imaculada, nossa Corredentora e Mãe!

Viva Cristo Rei do Universo!



terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Rad-trad's e seus equívocos quanto ao Papa e Fátima



Rad-trads (Aqueles tradicionalistas radicais, que têm um espírito cismático) e seus equívocos:

Para justificar a rebeldia contra os Papas pós conciliares, e contra o próprio Concílio Vaticano II, invocam a mensagem de Nossa Senhora em Fátima. Dizem inclusive que Nossa Senhora avisou sobre os pseudo erros do Concílio (A pergunta é: como? Afinal, ninguém teve acesso ao segredo senão os Papas, sendo revelado apenas por João Paulo II em meados dos anos 2000. Se era segredo, como sabiam o conteúdo? .




Enfim, se você é "maria vai com as outras" vira um rad traste. Mas se a "defesa da tradição" está contida na mensagem de Fátima, vamos ler o que diz a Virgem:
"sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre" (grifo meu).

Na terceira parte do segredo a Irmã Lúcia relata: 




"vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fôgo em a mão esquerda; ao centilar, despedia chamas que parecia iam encendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência! E vimos n’uma luz emensa que é Deus: “algo semelhante a como se vêem as pessoas n’um espelho quando lhe passam por diante” um Bispo vestido de Branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”. Varios outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fôra de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trémulo com andar vacilante, acabrunhado de dôr e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de juelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam varios tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, n’êles recolhiam o sangue dos Martires e com êle regavam as almas que se aproximavam de Deus." (Grifos meu. Erros de português mantidos, conforme a Serva de Deus escreveu, segundo consta no livro Memórias da Irmã Lúcia)




Se você não entendeu o motivo de eu ter falado da contradição dos rad-trads se justificarem em Fátima, é porque nas mensagens de Nossa Senhora é falado de PERSEGUIÇÃO AO PAPA, e não que a Sé ficaria Vacante! Se você é um porco blasfemador contra a Cátedra de São Pedro, se você não aceita os Papas após o Concílio Vaticano II, você é a parte do segredo que persegue o Papa, e não dos santos, sua anta!




Ou você é rad trad com ascendência no sedevacantismo, ou você crê nas mensagens de Fátima. Os dois não dá, coleguinha. A Virgem Maria disse "Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará!" Como ainda não chegou no fim, ou seja, ainda estamos no tempo do castigo da perseguição à Igreja e ao próprio Papa. Ou você é daqueles que estão unidos ao Papa e aos Bispos que também estão unidos ao Papa, ou você é apenas um agente do diabo infiltrado no exército da Santa Igreja, afinal, está fazendo o mesmo trabalho de perseguir e ultrajar o Bispo de Roma.




Não, o problema da Igreja não é o Concílio Vaticano II. Mas sim eu e você, que não rezamos, não fazemos penitência, não fazemos nem ensinamos a Comunhão Reparadora, mas ao invés de reconhecer a própria miséria, prefere escolher o Papa ou algum Bispo para se justificar.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Dom Messias, a Santa Escravidão de Amor, e alguns esclarecimentos.

Salve Maria Imaculada, nossa Corredentora e Mãe!
Nos últimos dias muitos católicos têm debatido sobre um tema específico: o Decreto de Dom Messias, Bispo da Diocese de Uruaçu-GO, onde proibiu (ou não?) a consagração à Nossa Senhora pelo método de São Luís Maria Grignion de Montfort, o uso das correntes e do véu em sua diocese. Muita gente insanamente atacou o Bispo, se fizeram de vítimas, começou, enfim, uma confusão sobre o tema. Gostaria de comentar algumas coisas a respeito, mas quero deixar postado aqui abaixo em azul o texto completo do Decreto (com destaques meu) e também da Nota de Esclarecimento, dada pelo mesmo Bispo em seu Facebook (com destaques meu). Logo abaixo farei as considerações que julgo salutar.

DOM MESSIAS DOS REIS SILVEIRA
Por mercê de Deus e da Sé Apostólica
Bispo de Uruaçu-GO
DECRETO
VERUM ET AUTHENTICUM CULTUM BEATAM MARIAM SEMPER
VIRGINEM
Sobre o verdadeiro culto a Bem-aventurada sempre Virgem Maria
Aos que este nosso Decreto virem, saudação, paz e bênção em nosso Senhor Jesus Cristo.
Considerando que Maria exaltada por graça do Senhor e colocada, logo a seguir a seu Filho, acima de todos os anjos e homens, Maria que, como mãe santíssima de Deus, tomou parte nos mistérios de Cristo, é com razão venerada pela Igreja com culto especial (LG n.66)
Considerando o Cân. 1186 que diz que a Igreja recomenda à veneração especial e filial dos fiéis a Bem-aventuradas sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, a quem Cristo constituiu Mãe de todos os homens, bem como promove o verdadeiro e autêntico culto dos outros Santos, por cujo exemplo os fiéis se edificam e pela intercessão dos quais são sustentados;
Considerando que a doutrina católica, recomenda a todos os filhos da Igreja que fomentem generosamente o culto da Santíssima Virgem, sobretudo o culto litúrgico, que tenham em grande estima as práticas e exercícios de piedade para com Ela, aprovados no decorrer dos séculos pelo magistério, e que mantenham fielmente tudo aquilo que no passado foi decretado acerca do culto das imagens de Cristo, da Virgem e dos santos. (Cone. Niceno II, em 787: Mansi 13, 378-379: Denz. 302 (600-601) ; Cone. Trident., sess. 25: Mansi 33, 171-172).
Tendo em vista que a verdadeira devoção não consiste numa emoção estéril e passageira, mas nasce da fé, que nos faz reconhecer a grandeza da Mãe de Deus e nos incita a amar filialmente a nossa mãe e a imitar as suas virtudes. (LG 67)
Considerando o Cân. 392 § 2 que diz que o Bispo deve vigiar para que não se introduzam abusos na disciplina eclesiástica, principalmente no culto de Deus e dos Santos; havemos por bem decretar, como de fato decretamos, que o Culto a Maria na Diocese de Uruaçu: Deve seguir o que a Tradição da Igreja ensina sobre o Culto a Maria;Para evitar quaisquer manifestações cultuais contrárias à reta praxe católica no que se refere ao Culto a Maria;
Deve evitar qualquer tipo de Consagração a Nossa Senhora que fomente manifestações contrárias à reta praxe cristã;
Que os Sacerdotes devem impedir a ereção de grupos sectários que usam sinais como: véus, correntes (no sentido estrito do termo), e outros tipos de manifestações próprias, que ao invés de promover a verdadeira Devoção a Nossa Senhora, cria-se uma devoção obscura que mais confunde do que promove piíssima devoção;
Que os Sacerdotes estejam atentos, principalmente, aos fiéis que cultivam a Consagração a Nossa Senhora sob a espiritualidade de São Luís Maria Grignion de Montfort – a qual propõe aos cristãos a consagração a Cristo pelas mãos de Maria, como meio eficaz para viverem fielmente os compromissos batismais – para que estes não desvirtuem esta bela devoção ou a resumam numa emoção estéril e passageira que não expressa a realidade e profundidade de tal espiritualidade;
Que qualquer manifestação de espiritualidades advinda de outras realidades e/ou pessoas que queiram promover estas, devem ser submetidas ao conhecimento do Pároco, o qual, encaminhará ao Bispo Diocesano que aprovará ou não sua praxe no território da Diocese;
Que o termo Escravo de Nossa Senhora não seja empregado, tendo em vista que não vos chamo escravos (õovilovç), porque o escravo (5ov2oç), não sabe o que faz seu senhor; mas Eu vos chamo de amigos”, (Jo 15,15); nem vos tenho como escravo (cSov2ov), mas muito mais do que um escravo ((ovilov), como irmão querido” (Flm 15-16).
Recordamos aos Sacerdotes e fiéis leigos o que determina o cân. 1371, 2°: Seja punido com justa pena: quem […] não obedecer à Sé Apostólica, ao Ordinário ou ao Superior quando legitimamente mandam ou proíbem alguma coisa, e, depois de avisado, persistir na desobediência (Redação dada pela Carta Apostólica sob a forma de Motu Próprio “Ad Tuendam Fidem” de 18 de maio de 1998).
Exortamos todos os filhos da Igreja a renovar pessoalmente a sua própria consagração a Nossa Senhora, e a viver este nobilíssimo ato de culto com uma vida cada vez mais conforme à Vontade Divina, e em espírito de serviço filial e de devota imitação da sua celeste Mãe.
Exprimimos, por fim, a confiança de que o clero e o povo cristão confiados ao nosso ministério pastoral corresponderão generosamente a esta nossa Exortação, demonstrando para com a Virgem Mãe de Deus uma piedade mais ardente e uma confiança mais firme. Enquanto nos conforta a certeza de que a excelsa Rainha do Céu e nossa Mãe dulcíssima não deixará de assistir todos e cada um dos seus filhos e não retirará de toda a Igreja de Cristo o seu celeste patrocínio.
Dado e passado em nossa Cúria Diocesana, aos 21 dias do mês de dezembro de dois mil e dezesseis, memória de São Pedro Canísio. (Fonte: site da Diocese de Uruaçu)
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Nota de Esclarecimento
O Decreto
Com consciência e responsabilidade de pastor emiti o Decreto sobre a devoção e consagração à Nossa Senhora. O mesmo foi publicado no Portal de nossa Diocese de Uruaçu. Não quero me defender, mas apenas esclarecer. Até mesmo porque Jesus disse que a defesa vem pelo nosso Mestre interior (Lc 12,12), quando for necessária.
Nosso Padroeiro Diocesano é o Imaculado Coração de Maria. Temos dois Santuários Marianos na Diocese. O de Muquém acolhe 400 mil pessoas durante a Romaria acontecida em agosto. Temos várias paróquias dedicadas à Nossa Senhora na Diocese. O Coração Desta Diocese é Mariano e o meu também. A reza do terço e devoção Mariana é sempre incentivada.
As repercussões me deram a certeza que realmente o Decreto era necessário. Está claro que não se trata de ir contra a devoção e consagração à Nossa Senhora, que me acompanham desde a infância. No Batismo fui consagrado à Virgem Maria e essa consagração renovo diariamente. Cresci ouvindo pela Rádio Aparecida a Consagração à Nossa Senhora. Sempre às 15:00 estava rezando com o padre para me entregar à Virgem Mãe. A oração do terço me acompanha desde a infância.
O Decreto é para evitar grupos sectários que não caminham na comunhão. O que não é uma realidade ainda entre nós, mas que existem em outros lugares. Como alguns grupos estão surgindo, na diocese, é meu dever dar as indicações especialmente para salvar a comunhão eclesial evitando o espírito diabólico como percebemos existir, nos comentários feitos. Existem pessoas desses grupos que não aceitam o Papa e nem a Cnbb, símbolo da comunhão do episcopado. A comunhão é um projeto a ser abraçado. O Decreto é uma medida preventiva, para que não nos desviemos da meta. É preciso acolhê-lo desarmado para compreender sua mensagem. O perigo é termos uma aparência e carregarmos armas internas para usá-las quando quisermos, como percebemos na guerra acontecida ontem. Existe muita gente armada. Isso não é cristão. Verifiquei muitos comentários maldosos revelando que há uma mentalidade diabólica (que divide) em muitos dos consagrados. O Decreto é para evitar que essa mentalidade sectária cresça no meio deste povo de nossa diocese que tanto amo e que muito ama a Igreja. O acompanhamento é necessário e também a correção. Essa é minha missão. O Decreto se refere apenas à pessoas à mim confiadas. É somente para a nossa diocese. Muitos comentários vieram de pessoas de fora, o que demonstra incompreensão do significado de Igreja particular que caminha na unidade com seu pastor. Nenhum Bispo interfere em outra diocese. Existem corações aparentemente bons, mas quando questionados revelam grandes neuroses interiores. Revelam o que realmente está dentro deles. As reações me deixaram em paz. Era realmente necessário fazer o decreto.
Véu é uma questão pessoal, mas quando se trata de grupos usando é preciso orientar, como também é meu dever orientar outros grupos de pastorais e movimentos.
Conheço senhoras piedosas que usam o véu. Minha mãe mesmo usava.
Corrente é o que indica o termo do Decreto. Não se trata de correntinha, terços de pulso, ou pequenas pulseiras com medalhinhas, tão comum hoje em dia. Trata-se de correntes de aço com cadeados, usados por grupos. Sei de pessoas na diocese que usa esse aparato, mas é uma opção pessoal, não imposta por grupos. Quando se trata de grupos com tendências sectárias que passam usar cabe a mim como pastor, orientar. Certamente se fossemos perguntar a São Luíz, ele também nos indicaria o caminho da comunhão.
A Igreja tem nos indicado o caminho de uma relação filial com Maria. A Igreja vai atualizando a sua doutrina. O que não é dogma pode ser revisto, como a Igreja já o fez muitas vezes.
Quem me conhece e conhece a Diocese sabe que as acusações sobre Teologia da Libertação são falsas e nem precisam ser comentadas A realidade fala por si mesma.
Sobre Missa Sertaneja, não é nossa realidade. Existe um padre que celebra Missas para pessoas de Cultua Sertaneja, mas segue nosso Diretório Litúrgico. A Liturgia é cuidada aqui com muito zelo, pela Dimensão Litúrgica Diocesana.
A Igreja caminha no meio da tempestade e nessas horas nossa fé é provada para verificarmos se, se trata de uma atitude interior, ou algo apenas externo.
Vamos juntos viver as alegrias do Reino acontecendo entre nós. Nossa Igreja Diocesana é bonita.
Rezem por minhas fraquezas, perdoem a minhas falhas.
Tenham um Feliz e abençoado Natal.
Glórias a Deus nas alturas e paz na terra às pessoas que Deus tanto ama e salva.
Dom Messias dos Reis Silveira
Bispo de Uruaçu GO
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Gostaria de começar este comentário sobre o Decreto e esclarecimento de Dom Messias, pedindo perdão ao mesmo reverendíssimo Bispo pelos ataques pessoais e acusações feitas ao mesmo. Mesmo que não concordemos com algumas coisas, acredito que não se deveria ter proferido algumas palavras. Peço desculpas. Mas, acredito que ao ver que poderia-se proibir algo que lhes era caro, agiram como São Pedro ao ver Jesus ser preso, que num ato impulsivo pegou uma espada e cortou a orelha de um dos soldados romanos que prendiam Jesus (cf. João 18,10). Por isso, se o Bispo chegar a ler este texto, peço que releve as ofensas e reze por nós.
Quanto ao assunto que interessa em si, gostaria de dizer que pelo texto do Decreto, o Bispo não proibiu a consagração à Nossa Senhora pelo método de São Luís. Porém, o texto do mesmo há ambiguidades e, analisando a nota de esclarecimento do Bispo, foi feito com um vício (como explicarei abaixo). O próprio decreto diz que “o Culto a Maria na Diocese de Uruaçu: Deve seguir o que a Tradição da Igreja ensina sobre o Culto a Maria”. E levando em consideração os documentos da Igreja, como a Lumen Gentium, citada no próprio decreto, “que tenham em grande estima as práticas e exercícios de piedade para com Ela, aprovados no decorrer dos séculos pelo magistério”. Portanto, é mister salientar que a devoção da Santa Escravidão, tal qual ensinada por São Luís Maria Grignion de Montfort, é aprovada pelo magistério da Igreja. No próprio Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, o santo nos fala que já havia mais de 800 anos que se tinha referência de pessoas (santas, inclusive) que se consagravam à Mãe de Deus como escravos por amor. O Papa Pio IX, em 12 de maio de 1853, promulgou um decreto declarando os escritos de São Luís isentos de erros doutrinários que impedissem sua canonização. A lista de santos e Papas que conheceram e praticaram tal devoção é longa. Hoje existe, por exemplo, a Associação Rainha dos Corações, que é a realização do sonho de São Luís, pois este desejava que fosse erigida uma Confraria da Santa Escravidão; ela foi fundada anos depois de sua morte, e a Igreja, nos dias ATUAIS, tem aprovado os seus estatutos, confere-lhes indulgência plenária três vezes ao ano. Para os membros, aliás, é bom ressaltar, deve-se rezar diariamente a fórmula de consagração à Nossa Senhora declarando-se ESCRAVOS de Jesus em Maria.
Além disso, caríssimos, é bom lembrar que há pouco tempo foi conferido reconhecimento Pontifício para a Legião de Maria – que provavelmente deve ter grupos em Uruaçu e na maioria das Dioceses do Brasil -, que tem em seu manual o expresso ensinamento que seus membros devem se consagrar à Nossa Senhora pelo método de São Luís Maria Grignion de Montfort – infelizmente alguns membros da Legião nem conhecem o Tratado de S. Luís -; além de falar da escravidão à Santíssima Virgem no mesmo.
 Embora Dom Messias não tenha proibido expressamente a consagração à Nossa Senhora, quero esclarecer que nenhum Bispo tem essa autoridade. Um Bispo pode proibir que se realizem eventos falando da consagração, ou mesmo que se formem grupos que promovam a mesma; mas a consagração em si não pode ser proibida por um Bispo, uma vez que já foi aprovada por uma autoridade maior que ele: o magistério da Igreja. Eles (Bispos) fazem nas dioceses o que quiserem! Se certo ou errado, eles prestarão contas com Deus. Mas, dizer “ninguém pode se consagrar à Nossa Senhora por este ou aquele método” nenhum pode fazer. O motivo principal é que, como já afirmado, o magistério da Igreja já o aprovou e recomendou. E em segundo lugar, a consagração é uma devoção PESSOAL. A própria maneira que São Luís ensina para se fazer a consagração evidencia isso: participar da Missa, comungar, e, SOZINHO MESMO, recita a fórmula de consagração à Jesus pelas mãos de Maria em ação de graças. Sozinho. Ninguém precisa nem saber. É só fazer e viver o Evangelho. É só fazer, ensina S. Luís no Cap. 8 do Tratado, todas as coisas por Maria, com Maria e em Maria, para melhor as fazer por Jesus, com Jesus e em Jesus.
Mas reforço: o decreto não proibiu a consagração. Aliás, o Bispo disse palavras corretíssimas e necessárias ao pedir aos sacerdotes que “estejam atentos, principalmente, aos fiéis que cultivam a Consagração a Nossa Senhora sob a espiritualidade de São Luís Maria Grignion de Montfort – a qual propõe aos cristãos a consagração a Cristo pelas mãos de Maria, como meio eficaz para viverem fielmente os compromissos batismais – para que estes não desvirtuem esta bela devoção ou a resumam numa emoção estéril e passageira que não expressa a realidade e profundidade de tal espiritualidade”
 Porém, houve uma grave contradição. E para comentar a contradição do decreto e do vício encontrado no mesmo, para não dizerem que quero ser mais que o Bispo, enquanto, na verdade, sou um verme inútil, quero me valer do § 3 do Art. 212 do Código de Direito Canônico que diz: Os fiéis, segundo a ciência, a competência e a proeminência de que desfru­tam, têm o direito e mesmo por vezes o dever, de manifestar aos sagrados Pastores a sua opinião acerca das coisas atinentes ao bem da Igreja, e de a exporem aos restantes fiéis, salva a integridade da fé e dos costumes, a reverência devida aos Pastores, e tendo em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas.
É com todo respeito à Dom Messias, que afirmo que o mesmo se contradiz em seu decreto ao dizer que a devoção à Nossa Senhora deve seguir o que já foi aprovado pela Tradição e Magistério; afirma que os padres devem ficar atentos para que a consagração pelo método de São Luís não seja desvirtuada por alguns grupos – deixando evidente que não proíbe a consagração em si; porém, na sequência do texto proíbe expressamente que se use o termo “escravo”. Ora, é contraditório uma vez que o termo ESCRAVO empregado em boa parte da obra de São Luís, totalmente explicada o porquê do termo; além de estar expressa na própria fórmula de consagração composta pelo próprio São Luís, que todos os que abraçam tal devoção devem fazer. Ora, aí gerou uma grande confusão: afinal, se não se pode usar o termo “escravo de Maria” ou “escravo de Jesus”, não se pode se consagrar à Virgem PLENAMENTE dentro da proposta e espiritualidade de São Luís. Então o texto do decreto gerou uma ambiguidade, uma contradição.
Como é possível Dom Messias – falo com todo respeito ao reverendo Bispo – fazer um elogio ao método de consagração à Virgem Maria proposto por São Luíz, ao afirmar que ele “propõe aos cristãos a consagração a Cristo pelas mãos de Maria, como meio eficaz para viverem fielmente os compromissos batismais – para que estes não desvirtuem esta bela devoção ou a resumam numa emoção estéril e passageira que não expressa a realidade e profundidade de tal espiritualidade”; e logo após, no entanto, proibir o uso do termo escravo, atingindo todo o cerne da devoção que é a total dependência? Ora, como é possível pedir para que não se desvirtue a BELA DEVOÇÃO – isso, o reverendíssimo Bispo chamou a consagração de bela devoção -, e logo após proibir que se use o termo empregado na mesma, que tem não só um valor de nomenclatura (me auto declarar escravo), mas todo um sentido espiritual, e porque não teológico, uma vez que imitamos o próprio Cristo que assumiu a condição de escravo (cf. Filipenses 2,7); só que nos fazemos escravos dEle por meio de Sua Santa Mãe, pois, assim como Cristo ficou cativo nove meses no ventre da Virgem, assim nós queremos nos encerrar na mesma Virgem para sermos gerados para o Céu; assim como Jesus viveu trinta anos na companhia da Santíssima Virgem lhe sendo submissa, também queremos imitar o Cristo, sendo submisso à digníssima Virgem. Com todo respeito ao Bispo, mas este ponto necessariamente deve ser revisto.
Quem fizer uma atenta leitura do Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, poderá constatar facilmente que o termo ESCRAVO nada tem a ver com as manifestações de escravidão que aprendemos na escola, como as dos negros trazidos da África. Para um maior esclarecimento, indico que assistam a um vídeo explicativo que tem o título “Escravos ou empregados?” (clique para assistir).
No mais, saliento que até mesmo a utilização do termo escravo, neste sentido de consagração, de dependência total, está no magistério da Igreja. No Catecismo Romano, do Concílio de Trento, vai ser proferido o seguinte ensinamento:
Como nos resta ainda dizer, o pároco inculcará aos fiéis que, levando nós de Cristo o nome de cristãos, não podemos ignorar os imensos benefícios de que Ele nos cumulou, máxime a bondade com que, pela luz da fé, nos fez conhecer todos estes mistérios. Convém, pois, e força é repeti-lo, que nós - com malar obrigação que os outros mortais - para sempre façamos entrega e consagração de nós mesmos a Nosso Senhor e Redentor, na qualidade de escravos totalmente Seus. (Catecismo Romano. Editora Vozes. 1951. Grifo Meu).

Como citei um documento do Concílio de Trento, gostaria de lembrar que o Santo Concílio Vaticano II não anulou os ensinamentos dos concílios anteriores. E se o mesmo ensina a mantermos as devoções aprovadas na Tradição da Igreja, recordo que na abertura do Concílio Vaticano II o Papa São João XIII disse “O que mais importa ao Concílio Ecumênico é o seguinte: que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz.” E foi isso que o mesmo fez, afinal, as citações da LG feita no próprio Decreto deixa evidente isso. Portanto, este ensinamento de S. Luís, de Trento, continua válido. Ninguém é obrigado a fazer, usando este termo, caso não queira; mas, proibir o uso deste termo é incoerente uma vez que o mesmo tem referência na vida de muitos santos e no magistério da Igreja, como afirmado acima.
No mais, neste ponto do termo Escravo, gostaria apenas de dizer que sou escravo de Jesus e escravo de Maria SIM, pois já ensina São Pedro “o homem é feito escravo daquele que o venceu” (1Pedro 2,19). Se o pecado me venceu, sou seu escravo; mas, embora sendo esta miséria que sou, um dia encontrei Jesus nos braços de Maria, e Seu amor me venceu, por isso, na minha liberdade, escolhi ser escravo do mais belo amor, do Amor de Deus em Maria.
No mais, se declarar escravo de Jesus e/ou de Maria não deveria ser escândalo, afinal, encontramos Santa Catarina de Sena, Santo Afonso, São João Paulo II, etc. se declararem... Além de ter embasamento na doutrina da Igreja. Deveria-se tomar cuidado – e isso sim é verdadeiro escândalo – com jovens que se auto declaram socialistas/comunistas, uma vez que a disciplina da Igreja condena os mesmos com a excomunhão. Mas, espero que não seja uma realidade por lá. Mas em muitas dioceses muitas pessoas acham esta consagração escandalosa, não obstante acham lindo jovens gritarem nomes de ídolos comunistas que foram responsáveis pelo derramamento de sangue de milhares (alguns, milhões) de pessoas, inclusive cristãos. Mas, como isso é uma realidade extradiocesana (e nem sei da realidade da diocese, foi apenas um comentário), foquemos no decreto.
Como afirmei acima, o Decreto traz um vício, além da contradição já comentada. Talvez a confusão foi gerada por o texto do Decreto não ter tido tanta clareza, que o Bispo veio trazer à luz com sua nota. Mas embora tenha se esclarecido, algumas coisas me perturbaram o coração.
Dom Messias deixa claro em sua nota que “o Decreto é para evitar grupos sectários que não caminham na comunhão. O que não é uma realidade ainda entre nós, mas que existem em outros lugares” (grifo meu). Eis o vício: se tais grupos sectários não são uma realidade na Diocese, qual a real necessidade de se emitir um Decreto? Ora, um Decreto é algo muito sério. Se o senhor Bispo queria usar do zelo pastoral e fazer uma orientação, como não é apenas seu direito mas um dever, ele tem meios para fazer isso sem a necessidade de recorrer a um Decreto. Se esta não é uma realidade na Diocese, bastaria comunicar aos padres sobre a existência de tais grupos e lhes passar tais orientações, sem a necessidade de fazer tais coisas. Afinal, se tais grupos sectários não existem na Diocese, ninguém tá proibido de nada, pois a proibição foi à grupos que não existem (???). Confuso, não?
É óbvio que a nota de Dom Messias esclarece muita coisa. Podemos perceber seu objetivo ao fazer o Decreto, porém, repito, a maneira que as coisas foram feitas (por meio de Decreto com os termos empregados) foi equivocada.
Podemos perceber o equívoco do Decreto quando lemos no esclarecimento de Dom Messias o que seria os tais grupos sectários: “Existem pessoas desses grupos que não aceitam o Papa e nem a Cnbb, símbolo da comunhão do episcopado. A comunhão é um projeto a ser abraçado. O Decreto é uma medida preventiva, para que não nos desviemos da meta.” A pergunta que eu faço ao amigo leitor é: existe, no Decreto, alguma menção à grupos que negam o Papa e a CNBB? Não. Não há. Eis o equívoco na maneira em que o Decreto foi construído, pois ao ler o mesmo fica entendido que grupo sectário são os que usam véu e corrente, afinal, apenas lança o termo “sectário” atribuindo-lhes o uso de véus e correntes. Ora, por que o Decreto não disse, por exemplo “proibo a existência de grupos que neguem o Papa, a CNBB?” Aliás, podia deixar claro também a proibição dos grupos que contestam o Concílio Vaticano II! Tem todo o meu apoio. Agora simplesmente, no texto do decreto, se usou o termo “sectário” sem explicação alguma. Evidentemente, para quem ler o Decreto, dará a impressão que sectarismo é usar véu e corrente; ou, como deu a entender também com a proibição do termo “escravo”, que fazer a consagração a Nossa Senhora proposta por São Luís sem deturpá-la, ou seja, vivendo nessa espiritualidade de total dependência como escravos por amor, é sinal de sectarismo.
O reverendíssimo Bispo ainda diz que “véu é uma questão pessoal, mas quando se trata de grupos usando é preciso orientar”, e isso gera uma dúvida: se véu é uma coisa pessoal, como reconhece o Bispo, porque proibir? O que seria “grupos” neste contexto? Uma jovem que participe da RCC, por exemplo, e deseje usar o véu, pode? Pois trata-se da sua individualidade, mas por estar fazendo parte de um grupo, como ela deve proceder? Acredito que o Bispo se refira apenas aos grupos de formação para a consagração. Mas, não sei em Uruaçu, mas normalmente os grupos que formam escravos da Santíssima Virgem fazem um trabalho “transitório”, ou seja, formam pessoas e estas seguem em seus grupos ou pastorais normais, sendo poucos os que ficam nos referidos grupos que promovem a consagração. Somente essas pessoas destes grupos estão proibidas, ou qualquer moça pode usar após se consagrar? Afinal, após a consagração ninguém tem vínculo com o grupo que o formou. Na Paróquia em que frequento, por exemplo, boa parte que se consagrou nas últimas turmas eram de outras paróquias, e praticamente todos participam de algum grupo ou movimento da Igreja em suas paróquias não ficando vinculado a nossa equipe. Ora, caso na Diocese de Uruaçu ocorra da mesma forma, uma jovem que participe da Legião de Maria, por exemplo, após se consagrar pelo método de S. Luís e, livremente, porque ela quer usar, adira ao piedoso véu, ela poderá? Afinal, ela não participa de um grupo sectário. Aliás, e as moças e mulheres que não participam de grupo algum, poderão usar? Afinal, o Bispo disse que o véu é uma questão pessoal.
Em todo caso, proibindo ou não, neste caso já vemos um triste acontecimento: a marginalização de quem usa o véu. Afinal, em um tempo em que se prega tanto a acolhida, amar o outro com a sua individualidade, com seu jeito próprio, aquelas mulheres que desejam usar o véu são “marginalizadas” ao invés de serem acolhidas. Claro, se houver algum grupo que pregue obrigatoriedade de uso do véu, que realmente o Pároco corte tal grupo; mas se é feito tudo conforme a piedade, sem exageros, na liberdade dos filhos de Deus, e alguma moça livremente quiser usar, não seria uma discriminação negar-lhe este direito?
É preciso dizer isso, afinal, o Bispo deixou claro que o problema são os grupos sectários que negam o Papa e a CNBB. Então as católicas convictas, sem este espírito cismático, não devem ser envolvidas na confusão (lembrando que o Bispo disse que esses grupos não existem na Paróquia, mais um motivo para não haver proibição de véu).
Quero recordar ainda algo muito importante: não é porque muitos dos rad trads (tradicionalistas radicais, como dizemos de tais grupos “sectaristas” que negam o CVII e por vezes atacam o Papa) se dizem escravos de Nossa Senhora, ostentam corrente, e as moças usam véu, até mesmo participando da Missa no Rito Tridentino, que tais coisas (Véu, corrente, Missa Tridentina) passam a ser sinônimo de sectarismo. Muitos padres que não usam o hábito eclesiástico (embora o Código de Direito Canônico mande) dizem que “o hábito não faz o monge” – e tenho que concordar; mas, se o fato de usar a batina não torna um padre santo necessariamente, porque julgar que uma moça que usa véu faça parte de grupos sectários? A grande maioria não concorda com tais grupos que dividem a Igreja, tendo, inclusive, a mesma opinião que o Bispo: que se deve conter os abusos. Portanto, o uso do véu não afirma nem que a mulher é santa, nem tampouco que seja uma sectarista, mas apenas significa que é uma jovem que descobriu (espero) o valor da modéstia e quis, na sua individualidade, na sua liberdade, usar tal SACRAMENTAL, para melhor rezar. É uma devoção pessoal. Repito: se alguém pregar obrigatoriedade, que realmente se corrija, mas deixando as moças livres, o uso em si não traz mal algum.
Quanto as correntes reconheço que podem haver exageros de algumas pessoas, e a nota reafirma que se pode usar correntes mais discretas. Embora o uso das correntes não seja obrigatória, como deixa claro São Luís no Tratado, é, por outro lado, recomendadíssima, e é, da parte exterior da devoção, onde São Luís gasta mais papel em explicar. É tão recomendável, que a Santíssima Virgem Maria quando apareceu em La Salette, na França, em 1846, apareceu usando uma grossa corrente com um crucifixo. Essa aparição que é reconhecida pela Igreja, é sempre lembrada pelos escravos de Nossa Senhora (ou deveria) por ser onde a Virgem convoca que se levantem os “Apóstolos dos últimos tempos” repetindo vários trechos que está escrito no Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem.
Quanto aos grupos sectários, de falsos tradicionalistas, de neoprotestantes que, a exemplo de Lutero que sequestrou a Sagrada Escritura para interpretá-la a seu modo, acabam sequestrando a Sagrada Tradição, amputando o que não lhes convém, para interpretá-la a seu modo, caríssimos irmãos, Dom Messias, enfim, eu estou de acordo que se proíba a existência dos mesmos nas Paróquias. Deve-se sim exortar e fazer com que tais grupos não existam. Por isso deve-se ter uma formação sólida sobre a doutrina da Igreja, sobre o real ensinamento do Concílio Vaticano II. Quanto a proibir estes grupos, não só dou meu apoio. Mas, jogar tudo nas costas da Santa Escravidão de Amor, aí já é demais. Até porque muita gente que tem tal pensamento cismático nem consagrado à Virgem Maria é. A consagração à Nossa Senhora se espalhou, e infelizmente o joio e o trigo abraçaram exteriormente a devoção. Usar o decreto, nos termos usados, é querer arrancar o joio, mas levando muito trigo junto.
No mais, gostaria de deixar uma sugestão para Dom Messias e outros Bispos. Aliás, uma sugestão que vale mais para Dioceses onde existem tais grupos sectários que causam confusão. Uma vez que esta devoção mariana é aprovada pela Igreja, vários santos a fizeram, peço aos Bispos e padres que não a proíbam; mas que, antes de tudo, possam ler o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Não julguem esta devoção por causa dos meus pecados, pela minha ousadia em escrever este texto, enfim, apreciem a devoção na sua fonte, nos escritos de São Luís inspirados pela divina graça. Mas, onde houver abusos como nos citados aqui, ao invés de cortarem o joio de maneira brusca, correndo o risco de cortar o trigo junto, suplico filialmente, que formem os senhores (Bispos e padres) grupos – ou como quiser chamar, equipe, confraria, etc. Onde se formará pessoas na essência da consagração. Permitam que os escravos que demonstrem sobriedade possam coordenar tais grupos, até formando outros formadores, dentro da doutrina da Igreja, em união com o Papa e com os Bispos que estão unidos a ele, para de fato se fazer algo CATÓLICO. Peço, inclusive, que chamem missionários de comunidades reconhecidas pela autoridade da Igreja (ou aqueles a quem os senhores confiarem) que possam formar tais pessoas. Recomendo, por exemplo, os Arautos do Evangelho, que é uma Associação com reconhecimento Pontifício. Se não me quiserem, ok. Sou um lixo mesmo. Se tiver algum grupo de pessoas sectárias, pelo amor de Deus, não os deixe também. Mas confiem na Igreja, chamem os Arautos do Evangelho ou pessoas de boa índole que os senhores confiem. Mas, por favor, não apaguem a chama que fumega, não matem o trigo por causa do joio, não tirem o que pode dar a vida a muitas almas, somente porque alguns poucos escandalosos semeiam a morte.
O texto está gigante, eu sei, mas quero dizer que conheci esta devoção em 2011, quando tinha 19 anos. Foi o ano em que fiz a Crisma. Se estou firme na Igreja (ou acho que estou – quem tem certeza de estar firme neste mundo vacilante, neste vale de lágrimas?) devo à Santíssima Virgem, de maneira especial nesta devoção. Eu era um jovem sem sentido na vida, carente, vindo e ainda vivendo realidades que só me feriam. Eu era escravo de pecados que não conseguia me libertar. Eu era um podre, um morto vivo. Alguém que encontrou Jesus, mas não conseguia se libertar de si nem do mundo. Mas, ao encontrar Jesus nos braços de Maria, através desta devoção, pude saber o que é a liberdade dos filhos de Deus me fazendo escravo da Mãe de Deus. Bendita escravidão de amor que nos torna livres – como diria S. Josemaria Escrivá. Eu encontrei a vida. Posso ser um rapaz cheio de defeitos, pecados, posso não ser o que Deus e a Igreja espera de mim, mas só sou o que sou, por causa da ação da Mãe de Deus através desta consagração. Se amo a Igreja, se amo o Papa, se quero me consumir de amor pela Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, por Jesus Sacramentado, pela Virgem Maria, é por causa dessa devoção. Da mesma maneira conheço várias pessoas que viviam realidades complexas: falsas doutrinas, drogas, prostituição, etc, mas que ao descobrirem o Tratado da Verdadeira Devoção, entregando-se a este amor de Mãe, puderam se aproximar mais de Jesus. Por isso, caríssimos Bispos e padres que porventura possam estar lendo, não cortem a fonte de vida porque um ou outro abusa da fonte, mas retirem os lobos para que as ovelhas possam desta fonte beber, como eu bebi, e encontrei a saciedade me tornando escravo por amor.
É mister observar ainda, caríssimos, que Dom Messias usa o termo "orientar" na sua nota de esclarecimento. Ora, para se orientar não se usa de Decreto. Um Decreto não é necessariamente para orientar, mas para se determinar. Se os grupos sectários não existem, que se orientasse de maneira pastoral (no sentido de "cheiro da ovelha" - como diz o Papa Francisco - estando com as mesmas, dando as orientações aos Padres nas reuniões do Clero), e não Decretando. Aí a impressão que tinha não era de "orientar" sobre algo que não existe ainda na Diocese (segundo diz a nota).
Para finalizar, não poderia deixar de comentar. Como Dom Messias disse que a Missa Sertaneja só é realizada por um padre em uma comunidade sertaneja, fica aqui o questionamento: se o uso das exterioridades (véu e corrente) causa escândalo e cuidado, por que não se cortar o berrante? Aquilo que é piedoso, que tem um significado religioso, causa escândalo, enquanto um padre celebrar com berrante e chapéu de Cowboy pode. Se o véu na cabeça da mulher que quiser usar não pode, é escandaloso; é belo, portanto, usar chapéu de cowboy? Se a “Missa Sertaneja” pode ser celebrada com berrante e chapéu de cowboy por ser um povo de cultura sertaneja, ou seja, um GRUPO de pessoas; as moças de GRUPOS de escravos (desde que não sectários, obviamente) não têm o direito de usar seus véus em paz, caso queiram? Se disser que não, realmente percebemos que há uma discriminação à estas moças.
Lembrando que o uso de berrante e a “sertanejização” da Missa não está prevista no Missal nem na Redemptionis Sacramentum.

Finalizo recordando as palavras de Dom Messias: “O Coração Desta Diocese é Mariano e o meu também.” Que o coração de Dom Messias, e de toda a Diocese seja cada vez mais mariano. Que ao pisarem em Uruaçu sintam o perfume da Virgem Imaculada; e que também lá Ela forme Seu exército. No mais, também desejo ter um coração cada vez mais mariano. Viva Jesus em Maria! Viva Maria em Jesus! Pax!