sábado, 12 de novembro de 2016

Geração nem-nem: Nem Família, Nem Estado!

Salve Maria Imaculada, nossa Corredentora e Mãe!
Nós nos acostumamos a ouvir a expressão “geração nem-nem” para designar os jovens que nem estudam, nem trabalham. Porém, esta característica talvez seja consequência de outro “nem-nem” – trata-se da educação que não é dada nem pela família, nem pelo Estado. E como fica esta geração?
Muitas pessoas ficam no discurso: quem tem que educar é a família, as escolas, por sua vez, cabem o dever de ensinar (os conteúdos). De fato, quem tem que educar os filhos são os pais. É obrigação e dever destes educar sua prole. São os pais que devem educar, transmitir suas convicções, crenças, modos, etc. Ao Estado cabe fornecer boas escolas públicas, para que ensinem os conteúdos. E, aliás, se o que a escola ensina for contrário ao que os pais creem, estes têm o direito de intervir – judicialmente até – porque à estes cabe educar os filhos.
Mas o grande problema se encontra justamente no fato de quem nem todas as famílias cumprem com sua obrigação, outorgando ao Estado a função de educar os filhos. Não são raros os casos de pais que largam os filhos na escola desde o jardim de infância, pois querem se “livrar” de um peso, diminuir a bagunça, e acha que o(a) professor(a) tem a função de ensinar a criança que não pode tacar uma pedra na cabeça da coleguinha, nem xingá-la. Enfim, não são poucos os professores que tem que gastar boa parte do tempo de suas aulas ensinando boas maneiras, pois os pais simplesmente mandam os filhos para as instituições para que os profissionais da educação “se virem”, afinal, segundo alguns pensam, é função deles educar.
Mas os professores também têm culpa. Perdão, os professores não – mas pedagogos modernos, psicólogos de meia tigela, intelectuais infames, a mídia em geral, que adora anunciar que os pais têm que ser modernos na educação dos filhos. Outro dia eu li um texto na faculdade (o que direi é sério, este texto é real) em que o autor dizia que nós (adultos opressores) não devemos corrigir uma criança, mas, antes, devemos questioná-la para fazê-la refletir o porquê ela está fazendo aquela escolha. Vou usar uma figura simples para você compreender como este texto é uma porcaria: teu filho de quatro anos está enfiando o dedo na toma, então, o que você faria: corrigi-o de tal maneira que ele não vá fazer isso novamente; ou vai dizer pra ele “Por obséquio, porque meu filhinho querido quer fazer com que uma corrente elétrica passe pelo teu corpo?”. Segundo o que se ensina por aí, o pai e a mãe não podem corrigir, punir, pois, segundo estes malucos, estaria criando trauma nas crianças. A criança já chega na escola rebelde, e o que você vai fazer, caro professor? Nem os pais dão jeito, se der uma palmada vai para a cadeia, segundo o desejo de certas pessoas. Ora, os pais não educam e muitas vezes não lhes deixam educar.
Unido à estas barbáries, há ainda o grande problema de que vivemos em um tempo extremamente consumista. Como o Papa Francisco afirma, vivemos numa cultura do descartável, usamos e abusamos, e depois descartamos as coisas, e as pessoas. Nós só queremos o prazer momentâneo, uma felicidade fake, algo bem artificial. Nós queremos a comodidade da vida. As pessoas querem ganhar muito dinheiro, se divertir, viajar, ter uma vida de... Sei lá de quê. Mas o fato é que ter filho significa que você tem um outro alguém para se preocupar, para dar a vida.  Quando uma mulher engravida, significa para ela (e deve significar para o homem também) o fim da comodidade, da busca da vida mansa. Ter filhos significa ter uma dura missão de educar, cuidar, e não sustentar somente. É por isso que o aborto é recorrido por muitas pessoas que pensam em fazer esta besteira, porque muitas vezes este ser humano vai para descarte porque significa o fim da comodidade, sem noites na balada, pois tem alguém que necessita da atenção e doação. Aquelas que abortam por influência do companheiro, muitas vezes é pelo mesmo motivo, porque o canalha usou da mulher para ter prazer, mas não quer assumir a responsabilidade, pois ter um filho é uma grande responsabilidade que o fará ter que sair da zona da molecagem para enfim se tornar um homem.
O fato é que a cultura moderna em geral faz as pessoas enxergarem a criança como um problema. Antigamente, ao receber a confirmação de que estava grávida, o máximo que acontecia era o susto momentâneo por não estar esperando, por algum problema financeiro de momento, mas o casal recebia a criança e labutavam para o seu bom desenvolvimento, com amor - com muito amor. Hoje não são raros os casos de que o casal leva um susto. Mas não é emoção, temor, mas sim desespero mesmo; porque, para eles, um filho significa o cancelamento da viagem, um gasto a mais, etc. É o desespero total.
E aí vem o problema da geração “nem família, nem Estado” na questão educacional. Mesmo que a pessoa não tenha consciência dessa rejeição à criança – enquanto assumir as responsabilidades -, os pais acabam outorgando a função que era deles para outras pessoas. Hoje as pessoas dizem que tem que trabalhar muito, não sobra tempo para nada. A concepção de muitos pais, infelizmente, é que eles já estão fazendo mais do que a sua obrigação comprando comida e roupa para as crianças, que o resto não compete a eles. E aí pergunto, caro leitor, se os pais não ensinarem a moral, suas crenças, aos seus filhos, quem ensinará? Aliás, estes pais creem em algo?
Sim, na maioria das vezes creem. Mas nada além de dar comida e o vestuário, basicamente, é função dos pais, segundo parece transparecer alguns. Muitos católicos, por exemplo, acham que a função de ensinar a fé compete aos catequistas. Triste engano. O próprio Catecismo da Igreja Católica afirma que são os pais os primeiros catequistas dos filhos, que a educação moral e religiosa é dever dos pais, etc. E não é questão de ignorância! Muitos padres repetem em homilias que os pais devem ensinar a fé aos filhos, ensiná-los a rezar e, o mais importante, rezar com eles. Já nos anos 70, 80, o famoso Frei Damião de Bozano pregava suas Santas Missões no Nordeste, e questionava os pais que não ensinavam a fé aos filhos. Segundo o Frei, ele perguntava para as crianças quem era Jesus, quem era Deus, etc., e as crianças não sabiam. Outro disse ao frei que Eucaristia era “aquela bixinha branca”... O que comentar? Os católicos sabem o quanto dói saber que Jesus Eucarístico é tratado assim, de qualquer jeito. Mas quem deve ensinar estas coisas? Os pais! Mas, para os pais modernos, para quê ensinar que na Missa a hóstia consagrada é o próprio Cristo, se, afinal, as Paróquias tem catequistas para isso mesmo? E daí fazemos surgir uma geração de indiferentismo religioso. Reclamamos, mas somos responsáveis por isso.
Esse negócio de ensinar a fé aos filhos é tão sério, que a Irmã Lúcia, vidente de Nossa Senhora em Fátima, afirma em suas memórias, que a primeira palavra que pronunciou foi “Ave Maria”, porque enquanto sua mãe ensinava a catequese para sua irmã mais velha, lhe segurava no colo. O que as crianças pequenas falam hoje? É de dar pavor! Onde aprendem? Em casa, no colégio... Mas e as coisas puras e santas, você ensina? Talvez porque não se pratica. Afinal, muitos pais além de outorgarem a função de ensinar catequese aos à Paróquia, ainda não seguem a fé. Não vai à Igreja, mas o filho não perde um domingo de encontro de Crisma; aí depois os jovens somem da Igreja e não sabemos (fingimos) o motivo. Não se vive a fé, então em quem eles se espelharão?
E com os outros aspectos da educação não é diferente. Fulaninho, 10 anos, está com algumas dificuldades na escola. A mãe, Beltrana, não vai a reunião de pais. Porém, avisam a Beltrana que o filho vai mal em algumas coisas na escola, que o filho está passando tempo demasiado no videogame, assistindo TV, etc. Beltrana se irrita, e diz que ele (Fulaninho) sabe que tem que estudar, e que vai servir é para ele. Sim, queridos leitores, este é um caso real. E muitos pais tem esta mesma concepção: se quer estudar, estude; se não quer, o problema é seu. Para estas pessoas, o que importa, aparentemente, é só dar comida para não serem presos enquadrado no ECA; dane-se, portanto, o incentivo ao estudo. Muitos pais até louvam o fato de os filhos passarem horas no videogame e/ou computador, afinal, segundo eles, pelo menos não estão na rua. Grande coisa! A única diferença é que está criando um provável monstro conectado. E não digo monstro no sentido de delinquência, crime, mas se a criança não estuda e passa o dia no sofá diante de uma tela, o que se esperar?
Fulaninho precisa de ajuda, mas quem o ajudará? Ele não vê sentido em estudar, não gosta de estudar. Mas isso tem muito a ver sim com a educação dada em casa. Há estudos que mostram filhos que tem pais mais presente em sua educação, na qual os pais leem historinhas, acabam tendo a inteligência mais desenvolvida. Os pais de hoje não leem para os filhos, nem leem para eles mesmos. Ou seja, não tem exemplo. Como gostar de estudar? Muitos pais analfabetos incentivavam, mesmo com grande sacrifício, o estudo dos filhos. Hoje, os pais que tem tudo para ajudar os filhos, não faz nada.
E aí nós vemos o quanto uma parte considerável desta geração está comprometida. Todos sabemos que o ensino público no Brasil é uma tremenda porcaria. Muitas escolas públicas estão preocupadas em rezar a cartilha de Paulo Freire, transmitir os “valores” marxistas, doutrinar a juventude. O ensino mesmo... Um lixo! Na escola o ensino é ruim, em casa os pais não incentivam o estudo e ainda permitem uso de aparelhos eletrônicos de maneira descriminada. O resultado que temos é que a criança e o jovem não recebem boa educação nem em casa, nem na escola.
Falando da moral, isto se torna mais grave. Se os pais não assumem a sua responsabilidade de ensinar a moral e a fé aos filhos, eles não aprenderão as mesmas na escola. E nem adianta ir chorar para o padre, afinal, mesmo que você mande os filhos para a catequese, este passa duas horas com teu filho, a escola passa, no mínimo cinco horas por dia de segunda à sexta, ensinando contra-valores. Se você não ensinar o valor da castidade para os teus filhos, a escola está ensinando que o legal é liberar geral. Enquanto você se omite em preservar a pureza dos teus filhos, as escolas estão distribuindo camisinhas, e incentivando o sexo livre. Na escola se está ensinando a “ideologia de gênero”, dizendo que os teus filhos não nascem nem homem, nem mulher, que eles é que irão escolher o gênero, que segundo esta concepção, há vários. Enfim, muitos conteúdos que o MEC, e outros de autoria privada de professores marxistas, estão disponibilizando para as crianças e jovens, são contrários ao que a população deseja. O grande problema é: muitos estão pouco se lixando para isso, embora discorde do que é ensinado na escola. Muitos não querem ter o trabalho de ensinar os filhos, de rezar com eles, mas a escola não teme fazer um baile funk para crianças de 12 anos “se pegarem”.
Jesus Misericórdia! O que será desta geração que é abandonada pela família, e que recebe do Estado uma deformação?
Se as crianças e jovens não recebem boa educação nem de algumas famílias, nem do Estado, é necessário surgir projetos que façam esta caridade. Não só projetos, mas mesmo professores individualmente, por exemplo, ao ensinar boas maneiras as crianças. Sim, caro professor, se você for reclamar de um aluno que não escova os dentes, é perigoso algum dos pais querer quebrar os teus dentes. Então, faça o que os pais não fazem. Eu sei que é trabalhoso, é uma carga maior, mas você tem que ser realista: se você não ensinar, esta criança estará condenada à falta de higiene e terá problemas maiores no futuro. É preciso então nós termos atitude de “pais” e “mães” do coração, de adotá-las espiritualmente, de fazer por elas o que os pais não fazem – por ignorância, impossibilidade vou mesmo por dolo. Não importa o motivo, o que importa é que temos que fazer algo. Se nem a escola, nem os pais transmitem o ensino de qualidade, então que tal criar vários projetos de reforçamento escolar, onde se tentará suprir a necessidade deste aluno para aprender realmente? Que tal criar projetos de evangelização para as crianças, onde se poderá levar a elas o amor de Jesus? Que tal fazermos projetos com lazer, mas que não fique somente nisso, mas que ensine uma moral, ensinar o bem, etc? Afinal, muitos projetos focam apenas em juntar um monte de crianças que moram nas periferias em um campo de futebol e acham que já basta. Não, não basta dizer para o rapaz que se tirar nota ruim não vai jogar. Porque joga. É preciso criar projetos que, dentro dele mesmo, tenha o esporte, mas tenha o reforçamento escolar, e tenha a moral, os bons costumes. Afinal, muitos vão praticar esporte em certos projetos, e fumam baseado depois; até porque estão inseridos nesta realidade. É preciso ir além. Precisamos salvar a nossa geração. E se o Estado não fará; se muitas famílias também não farão, seja por não quererem, ou por não saberem o que fazer, então, sejamos auxílio para as famílias. Façamos alguma coisa.
Lembro ainda, caríssimos, que há aquelas famílias – e eu não poderia ser irresponsável de esclarecer isso – que por seu arranjo moderno, acaba por dificultar esta educação. Embora sempre se possa se esforçar para dar mais. Mas é um fato que hoje é comum “famílias mutiladas”, ou seja, filhos que moram apenas com um dos pais por causa do divórcio, mães solteiras, etc. Eu mesmo sou filho de pais separados. Então o que acontece muitas vezes é o seguinte: é “sozinha” para criar de um ou mais filhos, e tem que trabalhar fora deixando as crianças só ou sob tutela de outros. Estas pessoas se esforçam bastante, e não estou julgando-as, mas, pelo contrário, clamando que surjam projetos que possam ajudar pessoas, como tantas mães solteiras, a educarem as crianças. Se estas pessoas estão só para este importante ofício (da educação plena), sejamos, então, seu auxílio.
Essa geração já sofre por não receber educação nem da família, nem do estado. E agora... Nem tu, nem eu?

domingo, 6 de novembro de 2016

Cultura LIXO

Salve Maria Imaculada, nossa Corredentora e Mãe!
Algumas pessoas ficam espantadas quando afirmo que praticamente só escuto música católica. Mas, ao contrário do que elas – e você neste momento – imaginam, não escuto músicas ditas seculares por ser pecado ou algo abominável. Em outros tempos posso até ter tido esta concepção, mas não condiz com meu pensamento de hoje.
Mas por que, então, eu só escuto música católica? Bom, a verdade é que a atual cultura brasileira é quase toda LIXO! É uma grande porcaria. Escuto música católica (e não são todas) porque fala do que quero viver, me induz a rezar, a querer ser santo apesar da minha miséria, a buscar a amar a Deus sobre todas as coisas, etc. O que a música secular me induz? Em suma, a me comportar como um cão no cio. De sertanejo à rap, desgraçando de vez no funk, quase tudo fala de sexo. O tão normal “amor” ou “fazer amor”, por exemplo, na música sertaneja, se refere a fazer sexo. Fora que tem várias letras que se desfaz da importância do casamento, exalta a cultura do descartável, ou seja, só usar a outra pessoa, além de levar para a carência – achando que é mal-amada, falando de chifres e coisas afins. O funk, além do sexo explícito, lembremos que há apologia as drogas. O estilo musical que escutava bastante era o Rap. Para quem não sabe, traduzindo para o português, RAP significa Ritmo e Poesia. Mas na prática não tem nem ritmo, tampouco poesia. O que tem o Rap? Tem catraca, matraca, cocaína, maconha, pegar os ratos cinzas (como alguns chamam os PM’s – desrespeito total!), carrão, frevo, mulher, sexo. Anos atrás o Rap falava muito de revolta social, hoje, nos que sou “obrigado” a ouvir, fala de festas, e sexo.
É claro que tem as exceções. Mas onde estão? Boa parte das músicas seculares, quando não estão exaltando satã explicitamente, como o faz o Rock, está exaltando as coisas da carne, fazendo gozação de valores cristãos. Como posso eu ser católico e achar normal ouvir uma música que fala mal do matrimônio? Como viver a castidade ouvindo músicas que me incitam a incendiar de paixão? Por isso, São Paulo já nos alerta: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.” (1Cor 6,12). E, cá para nós, te é permitido ouvir o que quiser, só que boa parte do que é produzido, sinceramente, não convém para cristão consumir.
Mas o problema é justamente que isto não é uma característica apenas musical, o lixo é cultural. Praticamente toda cultura está dominada por pessoas que trabalham contra a grande cultura, ou seja, contra a cultura cristã. Em outras palavras, se tenta inculcar na mente das pessoas, através dos diversos elementos culturais, contra-valores que atacam a moral judaico-cristã. Tanto é que hoje em dia as pessoas acham que tudo é normal, nada é pecado. Se prestarmos atenção, onde as pessoas estão aprendendo isso? A resposta é novelas, músicas, teatros, cinemas, programas de tv diversos, séries, livros, etc. Gramsci já dizia que nos destruiria (cultura ocidental) pela nossa própria cultura. E, de fato, o que produzimos só é lixo.
Nós estamos em um tempo histórico tão complicado, que o funk é tido como um dos elementos mais elevados da cultura. Esta porcaria que faz da mulher um objeto sexual de tarados, esta mesma porcaria que tem uma grande representante feminina que gosta de gravar “””””músicas”””””” se identificando como cachorra, esta porcaria que faz jovens agirem como animais selvagens, vivendo numa sexualidade totalmente desregrada – esta porcaria chamada funk, é chamada de cultura. Que cultura? Cultura do sexo, eis a verdade. Eis a triste realidade.
Muito se fala em cultura do estupro, mas já vivemos uma cultura do estupro áudio-visual. Hoje é complicado até de assistir televisão. Novelas? Nem pensar! Ao assistir um futebol, no intervalo as propagandas é de seminudez. Você vai assistir um telejornal, o primeiro comercial que passa (sem dar tempo de reflexo) é a chamada do programa de auditório mostrando uma funkeira. Quais são os programas que os jovens assistem? Pânico? Aquela porcaria que só fala palavrão, mostra mulheres seminuas, e tudo entra em contexto erótico? Mas tem aqueles outros programas de humor, mais tranquilos, não é? Aquelas velhas cópias de escolinhas sempre tem, por exemplo, além de piadas de duplo sentido, uma aluno que fica semi-nua. A praça é nossa? Piadas impuras, nudez, etc. Não vejo problema em assistir TV, o problema é as opções que eu tenho. E, com essas opções, melhor não, colega. Já dizia Santo Antão “basta um olhar impuro para se abrir as portas do inferno”.
Saiamos do sofá de casa, vamos assistir uma peça de teatro. Que teatro, pelo amor de Deus? Nos programas jornalísticos que ainda assisto, ao ver alguma chamada cultural, é de dar nojo. Peças satânicas, peças zombando da moral sexual, e, claro, pregando o libera geral. Então, não me chame para o teatro, se for essas peças de quinta... Aliás, de quinto dos infernos. Obrigado, de nada.
Bom, mas ainda bem que podemos ler livros. Caríssimos, até aí há grande problema na nossa cultura. Publiquei um e-book na Amazon, disponível para Kindle para participar do Prêmio Kindle de Literatura. É algo voltado para novos autores, para incentivar, etc. Ao olhar livros participantes, é de ficar espantado! É enorme a quantidade de livros eróticos (com esmiudes e capas sensuais). Até livros com conteúdo satanista há. Ao pesquisar no twitter sobre ebooks publicados no Kindle, uma das primeiras coisas que aparece são contos gays.
Ou seja, boa parte do que é produzido hoje no Brasil, tem um conteúdo totalmente contrário aos valores do Evangelho. É por essas e outras que eu só escuto e assisto algo relacionado ao catolicismo. É porque o resto não me interessa.
E disso tudo que escrevi, quero que você, caro leitor, entenda duas coisas:
1)a cultura atual é um lixo porque os bons estão ocultando a boa cultura. Repito, eu praticamente não escuto música secular não é por ser pecado, mas porque as que me apresentam simplesmente não convém. Portanto, se você tem o dom de compor boas músicas, componha; se tem o dom de escrever, escreve histórias fantásticas, geniais, que não necessitem apelar para o erótico para ganhar dinheiro (C.S Lewis e Tolkin  são dois exemplos de escritores que ganharam milhões de fãs no mundo, escrevendo histórias fictícias com valores do Evangelho. Um escreveu As Crônicas de Nárnia, o outro O Senhor dos Anéis); se você tem dom para desenhar, desenhe; se você é editor de vídeos, ajude a produzir bons vídeos; se você é cineasta, invista em filmes puros, que se dê para levar a família para assistir, etc. Enfim, o meu intuito ao escrever este texto não é o de condenar a cultura secular, mas de fazer com que apareçam novos artistas que queiram ressuscitá-la. Aliás, se disse que a cultura atual é lixo, devemos reciclar. Precisamos usar a cultura para promover os valores cristãos, e não permitir que os mesmos sejam destruídos pelo que chamam de cultura hoje. Aliás, até mesmo a apalavra “artista” é tida como algo negativa. Alguns quando falam de artista, logo pensam em alguém “estrela”, esnobe, metido, etc. Enquanto, na verdade, artista não é alguém famoso, mas sim aquele que produz arte. Tem muita gente famosa, mas que nem sempre é artista. Os funkeiros são exemplos de pessoas famosas, mas que não produzem arte. Bom, só se for arte moderna, pelo que se diz hoje em dia. Outro dia li que em certo país, os garis jogaram uma exposição de arte moderna no lixão pensando que era lixo jogado na rua.
2)Uma vez que para que possamos consumir boa arte, digamos assim, precisamos encontrá-la. Muitos, como eu, não escutam músicas seculares, nem assistem séries ou certos filmes, ou pela falta de interesse, ou por desconhecerem. Sendo assim, você deve ser um promotor da boa cultura. Os funkeiros promovem rimas fazendo das moças (chamadas pejorativamente de novinhas) objetos; então, caríssimos, nós temos que promover a boa cultura. Descobriu alguém que faz bons poemas? Ajude a divulgar. Leu um bom livro? Divulgue. Escutou uma música maravilhosa (católica ou secular, desde que pura), espalhe para a galera. Conhece uma Cia de Teatro que faz peças legais, conta piada sem duplo sentido e demais impurezas? Pelo amor de Deus, divulga essa galera. E se não existe esta galera, seja você. Se tens talento, coloque-o em prática. Enfim, muitos dos que tem algum talento artístico ficam receosos de produzir justamente pela falta de apoio – não só financeiro, mas moral mesmo. Os astros do sertanojo têm as melhores gravadores para gravar músicas, que faz tua namorada lembrar do ex dela; aí alguém do teu facebook grava uma música em casa, pura, boa, falando das coisas belas da vida, aí você não compartilha e ainda fala mal porque tem um ruído. Os artistas satanistas como Paulo Coelho tem as maiores editoras do mundo, mas os livros de autores mais simples são desprezados porque você quer ver a última moda. As peças de teatro mundanas tem salas lotadas, mas quando um amigo teu simplesmente diz a hipótese de criar uma peça, você é o primeiro a querer fazer com que desista da ideia. Aí depois você reclama que só escuto e vejo coisas católicas, ora, você não ajuda para que eu tenha outras opções. Repito, apoie quem tenta mudar a cultura.
Lembro ainda que falo de coisas “seculares” e “católicas” simplesmente por uma espécie de “convenção”, para não gerar confusão. Quem é artista, ou seja, quem tem um talento artístico, ao produzir seu trabalho transmite aquilo que acredita. Portanto, os músicos, por exemplo, não precisam gravar um CD com músicas de adoração, pois se são verdadeiramente católicos, vão cantar as coisas da vida que tem coerência com a fé que dizem professar. Quem é católico e escreve histórias, é de se esperar que nestas não se encontrem exaltações daquilo que é abominável aos olhos de Deus. Enfim, o católico deve se colocar na cultura como católico. Seja usando dos diversos meios para pregar o evangelho explicitamente, seja para usar da arte para pregar sua própria vida.
Por fim, faço um alerta: a cultura lixo faz com que até mesmo as TV’s católicas sejam rejeitadas. Hoje mesmo entrei em casa e a TV estava ligado na Rede Vida. Havia um padre com uma camisa clerical xadrez, todo no estilo sertanejo. Estava falando até umas coisas legais, afirmando que as pessoas comemoram o dia que nascem, mas o que morrem, pois outros é que comemoram; ou seja, alertava sobre a brevidade da vida, necessidade de conversão. Aí ele chama uma dupla sertaneja para cantar. Pensei que seria mais uma das questionáveis tentativas de inculturar a fé. Mas, não, pior ainda. A dupla sertaneja, num programa de uma TV católica, apresentado por um padre, cantava uma música que dizia coisas assim: mulher tem que gostar de pinga, assim como eu; tem que beber, etc. Enfim, que diabo de casamento é este? Imagine os lares de milhares (quiçá milhões) de pessoas que sofrem com o alcoolismo dentro de casa, vendo um programa que está cantando que mulher boa é a que bebe tanto quanto o marido. Aí eu vou e prego, por exemplo, que o Católico não deve ver essas novelas mundanas, que é melhor ver as TV’s católicas; aí o a senhorinha coloca na Rede Vida, domingão, e vê uma carniça dessa. Aí o marido dela ouvindo isso, se anima todo, quer ir para a igreja biritar, compra umas cervejas e ainda manda a mulher parar de rezar o terço porque mulher boa é a que bebe que nem o marido.

É, a cultura lixo está querendo invadir o sinal das tvs católicas. Bom, se for o caso, vivo sem TV – mesmo que católica, mas não vivo sem o ensinamento de Cristo. E sei que, embora você esteja esperneando, a verdade é que tudo me é permitido, mas nem tudo me convém. E este lixo que chamam cultura, não convém para um cristão. Eu quero é o Céu! Acaso não sabeis? Eu sou da Imaculada!

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terça-feira, 1 de novembro de 2016

Visões e revelações: Perigos e lucros para a alma

Salve Maria Imaculada, nossa Corredentora e Mãe!
Muitas pessoas relatam que tem visões espirituais e/ou revelações privadas. Deus é poderoso, misericordioso, e manifesta-se a quem quer, como quer, onde quer, da maneira que quiser. Porém, ao contrário do que muita gente possa achar, tais graças extraordinárias tem um sentido dentro do plano salvífico de Cristo. Mas, em contrapartida, também esconde-se um grande perigo, afinal, quem põe sua segurança em visões pode estar colocando em uma ilusão, colocando-se assim a alma em risco de perdição.
Antes de mais nada, eis o ensinamento da Igreja sobre tais graças:
No decurso dos séculos tem havido revelações ditas «privadas», algumas das quais foram reconhecidas pela autoridade da Igreja. Todavia, não pertencem ao depósito da fé. O seu papel não é «aperfeiçoar» ou «completar» a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a vivê-la mais plenamente, numa determinada época da história. Guiado pelo Magistério da Igreja, o sentir dos fiéis sabe discernir e guardar o que nestas revelações constitui um apelo autêntico de Cristo ou dos seus santos à Igreja. A fé cristã não pode aceitar «revelações» que pretendam ultrapassar ou corrigir a Revelação de que Cristo é a plenitude. É o caso de certas religiões não-cristãs, e também de certas seitas recentes. fundadas sobre tais «revelações». (CIC, 67)

Portanto, fica claríssimo que, para nós católicos, a revelação está na Sagrada Escritura, na Tradição e no Magistério. A Igreja reconhece, porém, que pode sim haver revelações privadas, mas, em contrapartida, estas NUNCA podem ser aceitas como revelações de Deus sobretudo quando contradizem a revelação de fato, ou seja, a Tradição, Sagrada Escritura e Magistério.
Eis, portanto, o motivo que começo a citar os perigos das visões antes de falar dos benefícios. Certa vez S. Catarina de Sena teve uma visão que se apresentou como Nossa Senhora dizendo que não era Imaculada. Pode ter sido ilusão do demônio, ou mesmo coisa da cabeça da santa, afinal, ela era ligada a ordem dos dominicanos, que não criam na Imaculada Conceição da Santíssima Virgem. Porém, a nossa fé ensina que a Virgem Maria é Imaculada sim. Todo católico tem que crer nisto, afinal, faz parte da REVELAÇÃO DIVINA, proclamado dogma pelo Papa Pio IX.
Ora, se S. Catarina de Sena, doutora da Igreja, não ficou livre das ilusões das falsas visões, quanto mais nós! Eis, portanto, o primeiro alerta: nunca coloque uma pseudo revelação privada, dada a você ou a outra pessoa, acima do magistério da Igreja. Quem tem tais graças espirituais deve colocar-se diante de Deus com muita humildade, e submeter-se rigorosa obediência à Igreja e Seu Magistério, e não do que eu acho ou do que eu vi em espírito. Por isso Santa Faustina dizia que “o demônio pode esconder-se sobre o manto da humildade, mas não sob o da obediência”. E nós podemos ver isso em muitos falsos videntes, onde fazem cara de humildes, dizem ser perseguidos, mas não são obedientes a Igreja, propagam o cisma, a ruptura com a Igreja, blasfemam contra padres e Bispos que não apoiam suas visões e/ou não vivem como eles queriam.
Falando de aparição, por exemplo, quem tem que dar o veredito sobre a veracidade ou não do fenômeno é o Bispo da diocese onde a mesma ocorreu. Se o Bispo disse que é falsa, é falsa. Se o Bispo diz que é verdadeira, está aprovada (mas lembrando que como revelação privada, podendo um católico se salvar sem ter necessidade de crer em tais aparições). Se o Bispo diz que não pode determinar se houve algo sobrenatural, fica-se em aberto até segunda ordem. Porém, há várias falsas aparições em que os videntes por orgulho ou sei lá pelo quê, mesmo com os Bispos declarando falsas por ter nas mensagens conteúdos contrários a doutrina da Igreja, os mesmos blasfemam contra os pastores e arrastam pobres coitados para suas heresias.
É preciso, todavia evitar um erro muito comum nos dias de hoje: uma parte só quer viver de visões e revelações privadas, a outra condena tudo. Não, caríssimos, não devemos ter as visões e revelações como algo ruim. Elas são úteis e Deus tem um sentido pedagógico para tais. Quando vários santos, como S. João da Cruz, por exemplo, fala que não se deve fiar em ter revelações; que não se deve ter oração para buscar ter tais revelações; de fato, percebemos que o mal não está em ter revelação ou visão, mas em buscar tê-las ou coloca-las acima da Igreja. Por isso no trecho do Catecismo citado acima, a Igreja nos previne para os erros dos protestantes neopentecostais que baseiam toda a existência de suas seitas em visões e revelações – muitíssimo questionáveis e condenáveis, diga-se de passagem.
Quem começa a ter visões ou acha que tem revelações, não deve ficar com a alma em trevas. O problema está se você fica querendo. Afinal, se você só quer rezar porque quer ter uma visão, por exemplo, você pode ter coisa da sua cabeça e/ou, bem mais perigoso, o demônio pode aproveitar-se da situação e inspirar coisas contrárias a fé e/ou coisas boas, mas com fins maus. Deve-se, portanto, viver na humildade. Santa Catarina de Sena dizia que quando a pessoa estivesse em oração, e sentisse Deus visitando a alma, não pusesse resistência. Ou seja, se Deus dá um consolo, uma graça extraordinária, abandone-se em Deus. Mas sempre reconheça que és pecador e que tudo é graça.
Antes de falar dos benefícios das visões, quero dizer que quando falo de “visões e revelações”, não me refiro apenas a coisas super-extraordinárias; afinal, todo cristão vive de maneira mística, ou seja, em contato com o espiritual, com o sobrenatural. Portanto, o que falei de visões e revelações, serve para inspirações, bons desejos, etc. Santa Teresa de Ávila ensina-nos na obra Castelo Interior ou Moradas que logo após a pessoa entrar no castelo interior, a ter oração, a pessoa tem a inspiração de fazer penitência dos seus pecados; porém, o demônio aí se mete para inspirar penitências exageradas para fazer com que a pessoa não consiga cumprir suas obrigações de estado de vida e desanime, logo saindo do Castelo Interior. Portanto, por mais que nós não tenhamos visões como muitos a tem, as inspirações que temos também são “revelações”, que podem vir do Espírito Santo, do Anjo da Guarda, coisa do nosso pensamento (o famoso “da carne”) ou do demônio. Suponhamos que alguém tem a inspiração de rezar o Rosário e fazer jejum dia sim dia não pela conversão dos pecadores. Só que a pessoa não tem um físico bom e mal rezava um terço. Logo ela não dá conta de fazer o que fazia, já não consegue trabalhar como antes, e até para o apostolado não tem forças. Logo pensa em desistir e entra em escrúpulos por achar que é muito pecador e merece o inferno, fazendo a alma entrar em tibieza e em desespero. A inspiração de fazer jejum e rezar o rosário é bom, mas quais foram os frutos deste exemplo? Maus frutos. Quem lucrou? O demônio. Portanto esta “inspiração” veio do demônio ou da carne. Por isso é preciso ter humildade. Afinal, vindo de Deus ou não a pessoa faz com a intenção de agradar a Deus, dentro de seus limites, reconhecendo suas misérias e confiando sempre na Misericórdia de Deus.
Portanto, se alguém tem uma inspiração que julga ser de Deus porque fez/faz essa ou aquela coisa boa para a Igreja, mas que, por outro lado, traz males maiores, esta inspiração não vem de Deus. Pelo menos a fé de sempre não me obriga a crer. E me refiro, claro, aos sedevacantistas e pseudo tradicionalistas que ferem a unidade da Igreja atacando o seu magistério, negando o Papa, etc. Enfim, se tiveram uma inspiração e querem ser católicos sem o Papa, são conduzidos pelo mesmo espírito de neopentecostais malucos. Eles não sabem latim, mas também são mestres em negar o Papa.
Enfim, focando... As visões e revelações tem um sentido pedagógico. Nosso Senhor ao levar Pedro, Tiago e João para o monte Tabor para contemplarem Sua glória, para verem Elias e Moisés conversando com Ele, tinha um sentido de mostrar Sua divindade antes de acontecer a Paixão do Senhor. Quando São Paulo teve sua experiência ao ouvir a voz de Cristo dizendo “Saulo, Saulo, por que me persegues?”, ficando cego por causa do brilho, tinha o sentido de fazer Paulo reconhecer que Jesus era Deus e que perseguindo os Cristãos perseguia ao próprio Jesus. E mais ainda, a manifestação de Cristo à São Paulo tem a função de mostrar para este que Aquele estava vivo, que havia ressuscitado. Os discípulos de Emaús que ao reconhecerem Jesus na fração do pão, puderam tanto crer na ressurreição de Jesus como na Sua presença real na Eucaristia. S. Tomé que duvidando da ressurreição do Senhor, vê Cristo que lhe apresenta as chagas, provando Sua real ressureição. Porém, Cristo mesmo diz “Felizes aqueles que creem sem ter visto!”(João 20,29). Mas, quando Deus se deixa ver, ou seja, quando se manifesta, tem um sentido: a nossa salvação.
Santa Teresa de Ávila é uma grande mística da Igreja - proclamada, aliás, doutora da Igreja; é mestra de oração – e ensina-nos muitas coisas úteis à cerca da vida espiritual. É óbvio que ela vai nos narrar dos perigos das visões, se a pessoa viver no orgulho, enfim, da maneira citada acima. Mas em Santa Teresa nós podemos ver os benefícios de tais visões, não ficando temerosos por causa das visões em si.
No Livro da Vida, Santa Teresa nos conta, por exemplo, que certa vez ela teve uma visão da humanidade de Cristo. A santa narra que quando ela teve esta visão, foi justamente quando ela estava com alguns apegos as pessoas; porém, após a visão da humanidade de Cristo, contemplando Sua beleza, Seu Amor, foi cortado o apego às criaturas, afinal, ela pôde entender que diante de Deus tudo é nada.
E assim, durante boa parte do Livro da Vida ela narra visões e revelações que teve, dizendo na sequência os benefícios que trazia para sua alma.
Nós vivemos em um tempo em que muito se fala em visões, visualizações, sonhos proféticos, revelações, etc. Não devemos ser supersticiosos e colocar tais fenômenos, como citado anteriormente, acima da doutrina da Igreja. Por outro lado, devemos evitar o ceticismo. Tais fenômenos são relatados com frequência por membros da Renovação Carismática Católica ou das novas comunidades. Em suas reuniões, por exemplo, costuma-se ter pessoas que proclamam alguma moção do Espírito, narram uma visão que tiveram durante a oração. Para saber a origem, devemos buscar os frutos. Não devemos simplesmente condenar por sermos céticos. Devemos, porém, analisar os espíritos e reconhecer que Deus, tendo um fim pedagógico, pode de fato estar inspirando tais fenômenos – como particularmente acredito. Afinal, em Santa Teresa vemos que quando ela tinha visões, vinha-lhe um efeito positivo na alma, desapegava-se das criaturas, animava-se para fazer a vontade de Deus, etc. Se nós temos visto um aumento das pessoas que tem tais visões hoje, é porque é uma necessidade própria do tempo em que vivemos. Afinal, se Santa Teresa após a conversão verdadeira, precisou de uma visão da humanidade de Cristo para se desapegar das pessoas, quanto mais nós que vivemos em um tempo totalmente paganizado, onde o pecado tem corroído todos os sentidos dos jovens – não poucas vezes de maneira luxuriante. Sendo assim, se o jovem está com os sentidos totalmente corrompidos, se muitas vezes vivem distantes de Deus e/ou tem uma concepção totalmente distorcida de quem realmente seja Deus, este (Deus) sendo poderoso e querendo a salvação das almas, manifesta-se de maneira extraordinária nos sentidos das pessoas, concedendo-lhes visões, por exemplo (assim como também o repouso, embora seja muito discutido – mas Santa Teresa de Ávila no livro das Moradas cita algumas coisas do Espírito semelhantes, como o “sono espiritual”. O que quero dizer é: não julguem os outros por terem tido tais graças nem desacreditem, talvez você não precisou desta graça para se converter, mas, para outros, foi o grande toque que o fez converter-se – ou iniciar a conversão, obviamente).
Vivendo em um mundo árido, distante da oração, que se deixa seduzir por qualquer convite do mundo – em que os demônios parecem estar dominando e corrompendo com mais força os corações; Deus faz suscitar tais reuniões onde manifesta-se extraordinariamente.
Muitos podem se questionar como saber se é ou não de Deus. São Paulo Fala em 1Tim 3,15 que “a Igreja é coluna e sustentáculo da verdade”. Portanto, a Igreja aprovou o movimento Renovação Carismática Católica, além de várias novas comunidades, etc. Reconhecendo que elas trazem bons frutos para a Igreja. Em relação as reuniões ou as manifestações realizadas em privado mesmo, como saber se vem de Deus? Quais os frutos deixados na alma? Bons ou maus? Veio algo contrário a fé? Por exemplo: se imprimir-se algo na mente dizendo que Jesus não é Deus, obviamente isto não vem de Deus.
Por isso, caríssimos, repito mais uma vez as palavras OBEDIÊNCIA e HUMILDADE. Estes são os caminhos para que as visões, quer vindas de Deus, quer do demônio, não nos levem para o caminho da perdição. Se tivermos humildade e obediência, mesmo que as visões não sejam de Deus, elas não nos trarão mal. Afinal, reconhecendo não ser digno de tais graças, não se coloca acima dos outros, mas sabe que Deus está sendo bom com um pecador. E, caso lhe venha algo contrário a doutrina da Igreja, saberá rejeitar. Se a própria imaginação ou o demônio lhe inspira uma visão, não se fie disso, não queira viver de visões, mas sempre busque auxílio na solidez da Igreja. Se a cada visão que você tiver, mesmo que seja do demônio, você se humilhar diante de Deus e se animar para se converter, rezar, confessar, e buscar ser obediente a Igreja e Seu magistério, o demônio logo parará, afinal, ele (demônio) estaria tendo prejuízo.
Portanto, caríssimos, acredito piamente que nos movimentos carismáticos quem age é o Espírito Santo. Afinal, vemos isso pelos frutos. Você pode não gostar dos jeitos, mas, se observarmos bem, quando se tem uma experiência genuína com a chamada “Cultura de Pentecostes”, tais pessoas começam a se arrepender verdadeiramente dos pecados, se confessam com frequência, buscam assistir à Santa Missa e comungar com mais frequência, faz adorações ao Santíssimo Sacramento, rezam o Terço, tem amor pela Palavra de Deus, etc. O demônio não vai fazer o cara sair do prostíbulo para entrar neste itinerário espiritual. Como diria o Padre Paulo Ricardo no curso de Dons Carismáticos em seu site, se o demônio faz isso, precisamos de mais demônios para as pastorais. Claro que ele usou da ironia para dizer que isto não é obra do demônio. Não quero com isto dizer que dentro do meio carismático não haja falsas revelações, falsas visões, pessoas que de fato são histéricas, etc. Afinal, se nem S. Catarina de Sena foi livre de ter uma falsa visão, quanto mais nós. O importante é sempre após a oração, seja comunitária ou pessoal, renovar a profissão de fé na Igreja. Afinal, se algo me inspira a me separar do Corpo Místico de Cristo, não é inspiração do Espírito. Portanto, aos carismáticos que porventura estão lendo este texto, não quero que se fechem às moções do Espírito. De maneira alguma. Exorto, porém, a unidade com a verdadeira fé. Que de tudo que foi proclamado, que foi impresso na alma, possa levar à Cristo pela Igreja. Caso contrário, de fato estaremos com problemas.
É mister recordarmos o que o Catecismo diz no trecho já citado: “Guiado pelo Magistério da Igreja, o sentir dos fiéis sabe discernir e guardar o que nestas revelações constitui um apelo autêntico de Cristo ou dos seus santos à Igreja.” Portanto, “senti no coração”, “Deus me concede a visualização”, “Eis o que diz o Senhor”, etc, tudo deve estar sendo guiado pelo Magistério da Igreja. Tais visões e revelações privadas devem levar os fiéis viver a vida cristã de maneira coerente. Diante de tudo que o Espírito nos revela em oração, seguindo a orientação do Catecismo, guardemos tudo aquilo que é útil, aquilo que constitui um apelo autêntico de Cristo, aquilo que nos leva a sermos santos. Enfim, com visão ou sem visão, humildade e obediência à Igreja SEMPRE!