quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Conduzindo a família pela porta estreita

Alguém lhe perguntou: “Senhor, são poucos os homens que se salvam?”
Ele respondeu: “Procurai entrar pela porta estreita; porque, digo-vos, muitos procurarão entrar e não o conseguirão. Quando o pai de família tiver entrado e fechado a porta, e vós, de fora, começardes a bater à porta, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos, ele responderá: Digo-vos que não sei donde sois. Direis então: Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste em nossas praças. Ele, porém, vos dirá: Não sei donde sois; apartai-vos de mim todos vós que sois malfeitores. Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac, Jacó e todos os profetas no Reino de Deus, e vós serdes lançados para fora. Virão do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e se sentarão à mesa no Reino de Deus.”
(Lucas 13,23-29)

Salve Maria Imaculada, nossa Corredentora e Mãe!
Neste trecho do Evangelho narrado segundo São Lucas, podemos ver a importância de termos uma verdadeira e sincera conversão. Nosso Senhor vem nos chamar a passar pela porta estreita. Em Mateus 7,13-14, Cristo também nos exorta: “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e numerosos são os que por aí entram. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram.”
            Na exortação da porta estreita, segundo São Lucas, há um ponto muito interessante. Jesus se compara a um pai de família que ao entrar e fechar a porta, não deixará entrar aqueles que tiveram oportunidade e não quiseram. Santa Catarina de Sena diz “enquanto é tempo de Misericórdia, recorrei à Cristo Crucificado”. Ou seja, enquanto estivermos nesta vida temos a oportunidade de mudarmos de vida, de nos convertermos, de fazermos penitência por nossos pecados. Enfim, o problema é justamente que não sabemos quando será o dia em que Cristo fechará a porta, ou seja, o dia em que Ele voltará ou o dia em que nós morreremos.
            No nosso encontro com Deus passaremos por uma porta: os que passaram pela porta estreita, vão para a glória; os que permaneceram até o último instante na porta larga, recusando-se se converter, renunciando a misericórdia de Deus, irão para a perdição eterna.
            Mas o fato de Jesus se comparar a um pai de família deve nos chamar bastante a atenção. A Igreja é a família de Deus. Jesus, nosso Pastor supremo, a cabeça da Igreja (cf. Efésios 1,18). Ora, se nós somos o corpo de Cristo, devemos compreender o que dizia S. Luís Maria Grignion de Montfort quando indagava: Se a cabeça (da Igreja; Jesus) é coroada de espinho, será que os membros quereriam coroar-se de rosas? – Se Cristo é nosso Pastor, devemos estar nos campos onde Ele nos conduz, mesmo que seja mais dificultoso. E, portanto, se Ele é nosso pai de família – Pai de todas as famílias cristãs – devemos entrar na porta que Ele nos conduz para nos salvar: a porta estreita.
            Tendo o próprio Cristo como modelo supremo, os pais de família devem esforçar-se para guiar suas famílias pela porta estreita. Quando falo “pais” me refiro também as mães que tem papel fundamental na educação dos filhos. Mas friso que tem um peso muito maior nestas palavras para os homens, afinal, temos poucos homens pais, para muitos moleques e demais que não se importam com a educação dos filhos. Antes de prosseguir o texto, pergunte-se: como tenho cuidado da minha família? Tenho sido um bom pai? Tenho conduzido minha família para a porta estreita?
            É de suma importância que os cristãos do século XXI assumam aquilo que a Igreja declarou no Concílio Vaticano II, onde se afirmou que a família é a Igreja doméstica. O lar deve ser este ponto de encontro onde uns ajudam os outros a passar pela porta estreita, sem deixar com que se desanimem. Enfim, sendo Igreja doméstica, Jesus Cristo deve ser o centro da família, deve ser adorado pela família. A Mãe de Jesus, a Virgem Santíssima, deve ser venerada como Rainha das famílias. Enfim, a família deve ser o Céu na Terra – na medida do possível. Mas sempre, o caminho para o Céu de fato.
            O grande problema está justamente no fato de que nossas famílias, em suma, querem viver anestesiadas na porta larga, que conduz a perdição. Os cristãos do século XXI querem somente as facilidades, nada de cruzes, de desconfortos, de pequenas contrariedades. Falar de cruz, porta estreita, santidade, num mundo secularizado/paganizado como o nosso é clamar a ira de tais pessoas, que dizem que não tem nada a ver, que não precisa ser tão radical, que Deus conhece os corações e isso basta, etc. Bom, mas vimos que foi Jesus, nosso Deus e Salvador, que disse que devemos entrar pela porta estreita. A porta do “tudo pode” é a larga. E esta conduz aos quintos dos infernos.
            São Paulo ensina-nos “Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santifica-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível” (Efésios 6,25-26). Ora, se os maridos devem agir em relação à mulher tal qual Cristo agiu com a Igreja, o marido cristão deve conduzir sua esposa para o Céu. É por isso que não há problema algum em uma mulher ser submissa a um homem que a ama como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela na Cruz. Mas, homens, como tens agido em relação à Mulher? Bom, como o que deve ser falado em relação ao homem, infelizmente, também cabe em muitas situações à mulher, citemos outro versículo bíblico com foco na mulher: “Vós, também, ó mulheres, sede submissas aos vossos maridos. Se alguns não obedecem à palavra, serão conquistados, mesmo sem a palavra da pregação, pelo simples procedimento de suas mulheres, ao observarem vossa vida casta e reservada.” (1Pedro 3,1-2). São Paulo e São Pedro falam de submissão, mas sempre num contexto cristão. Um exorta aos homens a conduzir suas mulheres ao Céu; o outro, exorta as mulheres à conduzirem ao Céu, pelo exemplo, os maridos que ainda não abraçaram a fé. Em ambos os casos, num contexto familiar, nós vemos que os esposos devem buscar entrar pela porta estreita, conduzir a família para o Céu, e não ficar deleitando nos prazeres temporais que poderá conduzi-los ao inferno. Maridos e mulheres, como tendes agido um com o outro em casa? Tem sido sinal de Deus, ou tem sido o primeiro a levar a tentação para casa?
            E quando o casal tem filho, então...! Os filhos são dons de Deus. A missão dos pais é de conduzir estes filhos pela porta estreita, para o caminho da salvação. Mas infelizmente temos que repetir com o apóstolo: “Pais, não exaspereis vossos filhos. Pelo contrário, criai-os na educação e doutrina do Senhor.” (Efésios 6,4). Infelizmente, muitos pais cristãos educam seus filhos na doutrina do mundo, do diabo, e deixam os filhos correrem soltos rumo a perdição eterna. Como tem educado teus filhos? Teus filhos estão aprendendo a doutrina do Senhor? Lembre-se que ensinar a doutrina do Senhor não significa manda-los nos finais de semana para a catequese da paróquia, afinal, os primeiros catequistas são os pais; e qual catequese você tem dado à eles por palavras e atos?
            Infelizmente temos visto que as famílias cristãs, que pelo sacramento são cheias do Espírito Santo, têm jogado o dom de Deus fora, e não tem se esforçado para entrar pela porta estreita. Queremos as comodidades que o mundo e o demônio podem oferecer. Nem sequer lembram-se que S. João da Cruz ensina que por prazeres temporários sofrem-se tormentos eternos. Não se lembram. Estão loucos. Estão tão loucos que revoltam-se com pregadores que ensinam a rezar o terço em família todos os dias, mas adoram os que impelem a virar a noite com farra dentro de casa. Sim, sim, falemos a verdade da família de muitos cristãos: farras regadas a bebidas com muita embriguês, músicas profanas, prostituição; adultérios; pais que deixam filhos levarem namorados(as) para dormir e ter relação em sua casa; pais que apoiam a baixaria dos seus filhos; drogas; pais querendo matar filhos; filhos querendo matar pais. A Igreja doméstica foi profanada, estão transformando-a num inferno. A família que deveria ser porta estreita, virou porta larga.
            Hoje em dia as famílias estão tão decididas a entrar pela porta larga que conduz a perdição, que basta alguém pregar a doutrina católica acerca da sexualidade, que começa o bombardeamento. Não, não somente porque a Igreja condena o sexo fora do casamento. Mas vai falar para muitos casais da Igreja que não pode usar preservativo, nem tampouco usar DIU, anticoncepcionais, pílulas do dia seguinte, etc. O povo vem com pedra, pau, e um vômito de sua loucura! Não querem filhos porque acham que terão muito trabalho. É o que disse: não querem a porta estreita, mas somente as facilidades. Não querem sofrer o mínimo desconforto. Não quer filhos, não quer rezar, não quer ir pra Missa aos domingos; mas quer embriagar-se, trair, fazer sexo sem ter filho e/ou aborta, etc. Cuidado, a passagem pro inferno já pode estar comprada. Só que uma vez atravessada, no dia da morte, não há mais volta.
            Aqueles irmãos e irmãs que desejam de fato a salvação, que querem o Céu mais que tudo, reforço-vos o convite a entrarem pela porta estreita. Conversão! Conversão é o que Deus nos pede. Não queiram as facilidades deste mundo, queira sofrer o que for, mas não perca o Céu. Não se importe com os desconfortos. No Céu teremos a recompensa. Se você chegar 20h do trabalho, por exemplo, e tiver que escolher entre rezar o Terço em família e conversar brevemente antes de jantar e dormir, ou assistir a novela para se distrair, exorto-vos em nome do Senhor Jesus: ESCOLHE REZAR COM TUA FAMÍLIA! É muito melhor estar aos pés da imagem da Virgem rezando o Santo Terço, e depois conviver com a família, conversando com a(o) esposa(o) e filhos, do que ficar sendo contaminado pelas impurezas das novelas. Aliás, não me levem a mal, mas se ao chegar em casa tarde da noite, e você tiver que escolher entre rezar junto em família e conversar com eles, ou assistir um programa de uma TV católica mesmo, escolhe a primeira opção; afinal, se você rezar em família estará fazendo o que a própria TV católica, em tese, está ensinando.
            Que não aconteça CONOSCO o que Jesus conta na parábola. Que Ele não diga que não nos conhece. Portanto, não sejamos mais malfeitores. Busquemos hoje mesmo, o mais rápido possível, uma boa confissão com um padre. Afinal, não vai adiantar dizer que fomos a Missa, que participamos de um grupo, até casamos na Igreja.... É preciso fazer tudo isso, mas passando pela porta estreita. Não adianta escrever em blog, é preciso entrar pela porta estreita. A nossa família precisa seguir O Grande Pai de Família que é Jesus, e entrar pela porta estreita. Aproveitemos o tempo de Misericórdia, pois é o tempo em que Ele se deixa alcançar.


Obs: recomendo a leitura dos livros Carta aos amigos da Cruz (S. Luís Maria Grignion de Montfort) e O Marido, o Pai e o Apóstolo (Padre de Gibergues). Este último principalmente para os homens.

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