terça-feira, 20 de setembro de 2016

A deficiência dos bebês como desculpa para legalizar o aborto

Não permita que esta seja a bandeira do Brasil. Defenda a vida
onde quer que você esteja. Vida sim; aborto, nunca!
Salve Maria Imaculada, nossa Corredentora e Mãe!
Quem acompanha o blog sabe que sou estudante de Pedagogia; estudo na modalidade a distância. Na minha faculdade há vários fóruns para discutir alguns temas propostos pelo responsável pela disciplina. Na disciplina Ciências Sociais foi postado um texto de 2011, do período onde se discutia a legalização do aborto de anencéfalos. O texto era apelativo e induzia a aceitar a prática do aborto naqueles casos. 
Reproduzo a resposta que dei ao texto aqui, uma vez que também outras estudantes, na modalidade presencial ou a distância, são questionados a respeito do tema. Aprovaram o aborto de anencéfalos; hoje já querem o de microcefalia. Bom, o que vem depois? Em todo caso, não podemos compactuar com a ideia de que uma mãe pode matar seu próprio filho. Já dizia Santa Teresa de Calcutá "Se aceitarmos que uma mãe mate seu filho dentro do próprio ventre, como poderemos impedir que aspessoas matem umas as outras?"

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Segue a resposta dada no Forum:

“Desde então, vivemos em um país que não tortura mulheres por gerar um feto sem cérebro.” Bom, isso na perspectiva de quem milita pelo aborto, não na da criança e tampouco da mãe; uma vez que, segundo o texto, as mulheres são torturadas por gerarem filhos anencéfalos, mas não serão livres da tortura de além de terem filhos com tal deficiência, ainda carregam a culpa de terem o executado.
            O texto apresentado fala de liberdade de escolha, mas a verdade é que há uma forte propaganda pelo aborto, colocando-o como única alternativa. Janaína da Silva César, por exemplo, gestou um filho anencéfalo, e afirma: “o tempo todo fui compelida a realizar o aborto” (http://blog.cancaonova.com/tiba/2009/10/29/mae-revela-o-tempo-todo-fui-compelida-a-realizar-o-aborto/. Acessado em 18/08/2016). Nós sabemos que boa parte dos psicólogos e médicos impelem as mães a realizarem o aborto; após o procedimento, largam-nas aos seus remorsos. É assim com as mulheres que optam pelo aborto neste caso específico, e assim também é nos casos em que a mãe aborta um filho saudável, mesmo sendo ilegal, por ser “levada na conversa”, em um momento delicado de suas vidas, por mensagens pró aborto. Assim aconteceu com a conhecida militante Sara Winter, que quando mostrava os seios e protestava com beijo gay em frente a Igrejas era heroína do movimento feminista, mas após ter se arrependido do que fez e falar a verdade, causa horror. Sara conta que acometeu aborto por indução de suas então amigas feministas que lhe deram um medicamento abortivo, mas após realizar tal ato, sofreu com o abandono de tais amigas, largada na solidão, com remorso, pensando no filho que matou. (Quem quiser saber mais, ela conta sua história em uma audiência pública no Senado Federal: https://www.youtube.com/watch?v=LrbbybaZFsI)
            O caso da despenalização do aborto em caso de anencefalia, foi semelhante a grande porta de entrada para o aborto nos EUA com o famoso caso Roe versus Wade. Após clamar pelo aborto por um caso de gravidez em decorrência de estupro, a corte liberou o aborto. Tudo não passou de uma grande farsa. Anos depois Norma McCorvey (Roe) admitiu ter cometido o maior erro de sua vida. O fato é que, por uma farsa na Suprema Corte Americana – inclusive tendo tido financiamento de empresas no julgamento, como a Playboy, como admite Hugh Hefner, fundador da mesma – o aborto hoje, nos EUA, pode ser feito até o nono mês de gestação.
            No Brasil, para quem não sabe o aborto continua sendo crime, conforme o Código Penal, em todos os casos. Porém, com a decisão do STF, mesmo sendo crime o aborto não será penalizado por quem o cometer ou colaborar também nos casos de anencefalia, assim como nos de risco para a mãe ou estupro. Porém a verdade é que esta decisão foi uma porta para a legalização do aborto, que só não veio as vias de fato por encontrar grande barreira no Congresso.
            Embora o texto apresente questões religiosas para se opor ao aborto de anencéfalos, a grande verdade é que este julgamento do STF foi uma farsa por questões jurídicas, e não religiosas. O grande problema começa quando o STF se põe a julgar tal matéria quando o mesmo não é competente para tal. Tais julgamentos do STF devem ser feitos quando a legislação deixa alguma brecha, dúvida, ou mesmo traz texto ambíguo. Além disso, o STF também deve julgar matérias quando há omissão do poder Legislativo. Portanto, caríssimos colegas, o STF não poderia julgar tal fato concreto porque a Lei diz claramente que o aborto é crime, e não previa o aborto de anencéfalos; como eles não são eleitos pelo povo para cargo de legislador, não tem poder de legislar. Embora pudessem falar de omissão, não era o caso, afinal, tanto os pró-vida como os pró-morte, sabem muito bem que há diversos PL’s (Projeto de Lei) no Congresso Nacional, tanto para legalizar o aborto, como para proteger o nascituro. Portanto, a matéria estava (e está) sendo discutida no Congresso, mostrando que o mesmo não é omissão em relação a este tema, e se o aborto não foi aprovado é porque, de fato, a população não o quer.
            Em segundo lugar, devemos lembrar que se nos EUA houve Roe versus Wade, por aqui foi “jogo de um time só”, afinal, o ministro Marco Aurélio sequer admitiu a presença de entidades pró-vida no julgamento. Ou seja, não houve defesa oral dos nascituros anencéfalos. Tivemos a presença de um advogado a favor do aborto, e ninguém que fizesse a defesa destas crianças. Não houve um julgamento legal, houve - isso sim! – uma decisão arbitrária. A Constituição Federal diz:
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (Constituição Federal de 1988, Art. 5º. Grifo meu)
Portanto, não deveríamos fazer distinção da natureza (doente, sadio), e tampouco violar o direito à vida. Muitos dizem que o anencéfalo não é nada, fadado a morte, etc. Porém há um pequeno detalhe que aponta para mais um equívoco do STF. O Código Civil Brasileiro diz:
              Art. 1o Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil.
Art. 2o A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. (Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm)
Sendo assim, caríssimos, fica evidente os erros no processo que despenalizou o aborto de anencéfalos: o Código Civil diz que a personalidade civil é adquirida com o nascimento com vida e que, antes desta, a lei põe a salvo os direitos do nascituro. Isso fazia com que eles (nascituros com deficiência) no mínimo tivessem direito a alguém que advogasse a sua causa na Suprema Corte. Embora a maioria dos ministros tenham dito que deveriam despenalizar o aborto em tais circunstâncias porque tais crianças estariam fadadas a morte após o nascimento, o fato é que a LEI diz que a criança passa a ter personalidade civil após nascer, não estipulando, todavia, tempo mínimo de vida. Com os dizeres “a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro”, o legislador protege a criança garantindo-lhe o poder adquirir personalidade, que se dá após o nascimento. Ora, o que o STF fez foi dizer quem está apto ou não a ter personalidade civil. Embora muitos digam: “mas a criança vai morrer após o nascimento”, o fato é que mesmo que sobreviva trinta segundos, adquiriu personalidade civil. Se admitidos que o STF diga que anencéfalos podem ou não adquirir personalidade civil, estamos dando uma carta branca para que eles (não STF necessariamente, mas os militantes pró-aborto) digam se outros deficientes devem ou não ser abortados. Querendo ou não, isso é eugenia.
            Embora vejamos muitas críticas ao “senso comum”, a verdade é que a militância pró-aborto vive dela. Professores defendem o aborto nas escolas, universidades; a novela, as séries, as entrevistas na tv fazem a mesma coisa. Enfim, a mídia, os formadores de opinião, fazem tal lavagem cerebral que no “senso comum” acadêmico chega-se a acreditar que de fato o aborto (em qualquer caso) deva ser legalizado. A incoerência de quem berra militando pelo aborto é tão grande, que nem percebem que vivem dizendo que se deve abortar as crianças com anencefalia porque morrerão pouco depois, mas apoiam o aborto de crianças concebidas por estupro, mesmo sendo perfeitas fisicamente. Ora, uma potencialmente morrerá nos primeiros minutos, mas a outra é uma potência de vida, quem a defenderá?
            O fato é que nós, pobres seres humanos, não podemos dizer que criança viverá pouco, ou muito. Afinal, se você defende que a mulher deve abortá-lo por achar que ele morrerá nos minutos seguintes ao parto, o que dizer de casos em que as crianças vivem meses, e até anos? Há crianças com tal doença que - sim! – vivem mais de trinta segundos. É o caso de Ángela Morales, o “bebê milagre”, filha de Sonia e Rony Morales, residentes em Rhode Island, EUA (Saiba mais acessando http://www.acidigital.com/noticias/bebe-milagre-sentenciada-a-morte-por-anencefalia-esta-pequena-desafia-a-ciencia-e-completa-15-meses-de-vida-26900/). Para citar um caso brasileiro, a menina Marcela de Jesus Galante Ferreira viveu 1 ano e 8 meses; e para espanto de muita gente, morreu por um motivo que não tinha ligação com sua deficiência: engasgou-se com leite materno. (Fonte: http://extra.globo.com/noticias/brasil/bebe-sem-cerebro-morre-ao-se-engasgar-com-leite-com-1-ano-8-meses-552336.html) No Brasil de hoje, temo que apareça alguém querendo abortar uma criança porque corre o risco de se engasgar. O que quero falar é: toda criança corre o risco de morrer após o parto, a potencialidade disto ocorrer não deve ser usada para legalizar ou não o aborto. Até porque, se fosse este o objeto de defesa de movimentos feministas, as mesmas iriam promover a vida nos casos de estupro. Isso também vale para o próprio caso de risco para a mãe, uma vez que há vários e vários casos em que o médico fala que se a mulher não abortar morrerá, e, no entanto, ambos (mãe e filhos) estão vivos. Mas o aborto será sempre a opção (e a pressão).
            Vale ressaltar ainda que os movimentos que militam pelo aborto no Brasil são financiados por Fundações internacionais, tais como a Ford, MacArthur, Rockefeller, dentre outras; e a estratégia a ser seguida nos países que não legalizaram o aborto totalmente, como é o caso do Brasil, é ampliar o acesso nos casos já despenalizados, fomentando uma discussão e subsequente pressão. Por isso, estrategicamente, o aborto sai do âmbito do Congresso Nacional que é quem tem o dever constitucional de fazer as leis, e passa para o judiciário, de maneira arbitrária. É uma trapaça. O próprio Luís Roberto Barroso, então advogado da causa pró-aborto de anencéfalos, hoje Ministro do STF, concedeu entrevista afirmando:
[...]no caso de anencefalia, se você ouvir a minha sustentação final (como advogado) e os memoriais finais que apresentei em nome da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde, a tese que eu defendia era a da liberdade reprodutiva da mulher. Portanto, a mulher tem o direito fundamental a escolher se ela quer ou não ter um filho. E esta tese vale para a anencefalia, como vale para qualquer outra gestação. (http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-incrivel-entrevista-de-um-ministro-do-supremo-barroso-confessa-que-anencefalos-eram-mero-pretexto-ele-quer-e-a-liberacao-de-qualquer-aborto-ou-ainda-quando-a-causa-e-progressis/)
Barroso confessa que o caso do aborto de anencefálicos foi uma mera desculpa para se aprovar o aborto em todos os casos. Foge-se do campo do Congresso, adentra-se no STF. É o que defende o sr Daniel Sarmento, Procurador Regional da República:
[...]levar esse debate (sobre a legalização do aborto) para o Congresso Nacional é a pior estratégia. Qual é o campo de luta em que pode haver algum tipo de avanço em termos de direitos sexuais reprodutivos hoje? O Campo de luta é o Supremo Tribunal Federal. (https://www.youtube.com/watch?v=FRRJoJpuZP4 visto em 19/08/2016)
Indico ainda, caríssimos colegas, que assistam o Documentário Blody Money – aborto legalizado, e saibam mais sobre os reais interesses da legalização do aborto. (Filme pode ser assistido em https://www.youtube.com/watch?v=6i5m6j6ffrM)
Neste caso específico, o aborto pode tirar da mulher a sensação de estar com um filho que potencialmente morrerá nas primeiras horas fora do útero; mas não tirará as consequências deste ato, quando o remorso bater a porta dizendo que mesmo vivendo pouco, ela lhe tirou o pouco que viveria. O acompanhamento pós aborto – ironicamente, ou não – é feito por instituições pró-vida, normalmente religiosas, que acolhem tais mulheres que cometeram tal ato. Afinal, normalmente quem grita “meu corpo, minhas regras” para propagar o aborto, raramente dá o mínimo apoio após o assassinato. (Sobre anencefalia ainda podem ler: http://vivopelavida.com.br/2012/04/10/11-pontos-sobre-anencefalia/185/)
Como futuro pedagogo, caríssimos, jamais defenderei o aborto; afinal, que futura geração educaria se defendesse que matassem os pequeninos dentro do útero de suas mamães?

***
Gostaria ainda, caríssimos, de fazer o seguinte questionamento: qual a necessidade de colocar este texto sobre aborto de anencéfalos, sobre um julgamento do STF feito em 2012? Afinal, qual o sentido de se colocar este tema para ser discutido, uma vez que já há uma decisão judicial a respeito? Vejo duas possibilidades:
  1. O curso à distância da Unip é desatualizado, muito provavelmente repetindo o mesmo tema para ser discutido desde 2012. De lá para cá, todos os que estudaram a disciplina Ciências Sociais, devem ter discutido o mesmo texto.
  2. É intencional, mesmo o aborto tendo sido aprovado pelo STF. Tal discussão – partindo de um caso aprovado, logo levaria a discutir o porquê se proibir o aborto em outros pontos.
Embora o ponto dois possa ser bem plausível, afinal, faz parte da tática dos abortistas; e, levando em consideração a “legalidade” de um, se discutiria o aborto de crianças com outras deficiências, até chegar a grande chacina que é nos EUA o aborto até o nono mês. Porém, acredito que o texto está aí simplesmente por descaso, ou seja, falta de atualização. Isso mostra o nível do Ensino Superior no Brasil. Eu acredito piamente que o Ensino a distância é vantajoso – tanto que estou cursando esta faculdade a distância -, porém, vemos que as instituições não levam a sério.
            Caríssimos colegas, tanto pró como contra o aborto, sejamos racionais: estamos cursando a disciplina Ciências Sociais dentro da Faculdade de Pedagogia. Qual a real necessidade de debatermos sobre aborto de anencéfalos? Afinal, se fosse dentro de uma aula de Filosofia, algo que discutíssemos a questão da “vontade”, por exemplo, valeria voltar a este julgamento. Agora dentro da Sociologia não tem como eu discutir isso. Somos tratados como um gado que é “tocado” para onde os boiadeiros (professor/universidade/sistema globalista) mandam. Ora, o que deveríamos estar debatendo dentro em Ciências Sociais dentro do curso de Pedagogia é: desemprego no Brasil (principalmente entre os jovens), políticas aplicadas a educação, consumo de drogas na adolescência, suicídio, etc. Afinal, no Japão, por exemplo, há pesquisas que mostram que o desemprego tem levado pessoas a cometerem o suicídio. Deveríamos discutir tais fatos sociais e seus impactos para a vida das pessoas, e não voltar uma discussão deste tipo, onde o centro dela – pelo menos para quem defende o aborto – está na “vontade”, que não é para as Ciências Sociais, mas para a Filosofia. Aliás, dentro de um curso de Pedagogia, levantar tal caso só seria coerente se fosse no sentido de como educar, ou seja, como ajudar os que sobrevivem vários meses a responder aos estímulos, conforme podem ver acessando os links acima onde mostram casos de crianças que viveram vários meses.
            Enquanto isso a gente é marionete. Fingem que nos ensinam – quando muito, doutrinam – e a gente vai levando para receber o diploma. Bom, a universidade - presencial ou Ead - não deve ser assim. Vamos estudar. Vamos levar uma vida intelectual mais séria.

sábado, 10 de setembro de 2016

Não temas o “espírito crítico”

Salve Maria Imaculada, nossa Corredentora e Mãe!
Sabemos que um dos graves problemas da educação brasileira é o fato de que estão deixando os saberes (conhecimento) de lado, e transmitindo, em contrapartida, um “espírito crítico” nos estudantes. Funciona mais ou menos assim: um professor marxista - que quer a igualdade social, o “paraíso terrestre”, precisa, todavia, destruir esta sociedade capitalista-conservadora-autoritária-patriarcal-familiar-cristã para alcançar seus objetivos – começa, então, a usar da sua prática de ensino para contestar a cultura da sociedade. E como fazem isso? Ora, instruem os alunos a terem “espírito crítico”. Isso faz com que milhões de jovens, nas escolas ou universidades, ao invés de produzirem conhecimento, produzem apenas críticas à sociedade que vivem sob perspectiva ideológico-partidária. Escrevi sobre isso ao comentar um trecho de Paulo Freire (leia aqui).
            Portanto, dada a devida introdução ao assunto, vamos as vias de fato que nos interessam neste texto. Embora este “espírito crítico” venha a ser a desgraça (ou uma das) da educação brasileira, devo admitir, no entanto, que a mesma pode sair do campo da desgraça para o da graça. Em outras palavras, para o aluno sábio o espírito crítico pode passar de veneno de cobra, para eficaz antídoto para a mordida desta se souber manipulá-lo. Ora, se os professores marxistas são víboras e o espírito crítico verdadeiro veneno, use o aluno deste veneno para fazer seu antídoto para assim se livrar da ação mortífera do bicho peçonhento. Deixando as coisas mais claras: se o professor diz que você tem que ter espírito crítico, comece por criticar, ou melhor, desmascarar o professor e sua ideologia!
            Imagine um professor marxista que começa a questionar, por exemplo, a instituição familiar e a religião, dizendo que “temos que ser mais críticos, e não sermos influenciados pela família tradicional, antiga, arcaica, pois os tempos são outros; tampouco ser marionete do Papa, afinal, em pleno século XXI é o cúmulo pessoas acreditarem em Deus e serem guiadas por religiões”, dizendo que ambas nos influenciam e não somos verdadeiramente livres. Esse dito professor quer destruir a fé dos alunos e fazer com que concebem valores totalmente anticristãos. Com certeza deturpará a história para tentar mostrar a pseudo maldade do cristianismo. Muito provavelmente ele acha que gênero é uma construção social, e todos deviam ser aquilo que bem quisessem, conforme sua identificação do dia. Enfim, para este professor a concepção de família tradicional (homem + mulher + filhos) e a fé cristã são meras influências que a nossa família e a Igreja fazem conosco. Porém, o aluno sábio usará o espírito crítico a seu favor: Ora, professor, dirá o aluno, por que devo acreditar em você e não na minha família? Você diz que minha família e a Igreja estão me influenciando, mas você ao ensinar valores contrários apresentando-os como verdade, também não está querendo me influenciar? Só porque você não acredita em Deus, também não devo acreditar?
            A verdade é que poucos alunos tomam esta atitude. Alguns por falta de coragem, outros, porém, por serem muito jovens. Embora não seja o assunto central que queria tratar aqui, fica o alerta para a doutrinação ideológica nas escolas. Afinal, embora tenha citado o “aluno sábio” como aquele que usará do espírito crítico contra a serpente, a grande verdade é que a maioria dos estudantes do ensino fundamental e médio são presas fáceis para a ação das víboras.
            Voltando ao assunto central, deveríamos, ao invés de criticar a família e o cristianismo, criticar as ideias defendidas por estes professores. Questionemos algumas coisas do tipo: onde o socialismo deu certo? Se Hitler era de Direita, por que ele era membro do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães? Se a Igreja é ruim, por que veio dela o método científico e as universidades? Aliás, até a própria teoria do big bang usada por ateus veio de um Padre Católico! Se ter família é ruim, por que vens em sala de aula defender “casamento” gay? Se você defende o aborto, como depois quer que gays adotem crianças? Por que devo rejeitar a família tradicional se vemos que é justamente pela má estrutura familiar (dos novos arranjos familiares) que provém o caos social?
            Caríssimos, você pode achar que isso que citei acima são temas de debate político em programas de TV ou temas abordados por filósofos. Mas isso aí é tratado na sala de aula.
            Mas, não quero ser pessimista. Por isso disse que o “espírito crítico” pode ser útil. Embora ataquem a Igreja, a família e os bons costumes, use a crítica do professor para estudar e conhecer a verdade. Fala mal da Igreja, que tal ir nas fontes da Igreja e estudar a verdade? Falam mal da família? Ora, estude e medite sobre a importância da família. A família é a base da sociedade, por isso ela tem sido o principal alvo dos ataques dos revolucionários. Se o professor quer que você tenha um espírito crítico - pois bem! -, critique a ideologia dele mostrando seu equívoco e mostrando a verdade que está do outro lado.
            Conheço algumas pessoas que tem medo de universidades por achar que lá ela perderá a fé. Ora, isso é um equívoco. O problema existe se sua fé for vaga, ou seja, se você não tiver vida de oração; e se você não buscar a verdade. Os professores marxistas fomentam o “espírito crítico”; eu, no entanto, peço que todos tenham um espírito sedento pela verdade. Criticar a verdade só porque tenho que criticar; negá-la só porque é antiga; aderir a mentira só porque é novidade, é uma doença da qual quero estar longe do contágio. Do século XX para cá o homem passou a querer relativizar tudo, de tal maneira que até a relativização é relativa. Mas negar Deus, cuspir na Igreja, desfragmentar a família, só tem trazido consequências negativas para o mundo. E não é um espírito crítico que identificará isso, mas sim um espírito que busca a verdade. Obviamente, use o “espírito crítico” para criticar os novos ventos de doutrina, mas só a verdade pode fazer morada em nosso coração.
            Alguém que soube usar muito bem essa liberdade de expressão, este espírito sedento pela verdade e – por que não? – esse espírito crítico no sentido positivo foi Chesterton. Em seu livro O que há de errado com o mundo? ele afirma: “os homens inventam novos ideais porque não se atrevem a buscar os antigos. Olham com entusiasmo para a frente porque têm medo de olhar para trás.” Para este momento exato da história, olhar para trás não é ruim, mas salvação. Muito se fala de novos arranjos familiares, novas famílias, “poliamor”, mas se olhássemos para o passado, para nossos avós, por exemplo, em casamentos monogâmicos e com um monte de filhos, ficaríamos espantados porque eles tinham algo que não temos: realização de vida. Você tem carro, dinheiro, e o “poliamor” que te faz poder se relacionar com quem você quiser; mas junto virá a frustração após usar coisas e pessoas e nada saciar. Aí você lembra da sua avó pobre, roupas simples, comida sem tanta diversidade, talvez até analfabeta, mas um sorriso nos lábios que você nem se recorda quando foi capaz de dar. Olhemos, por exemplo, para aquelas fotos de família (sim, existiam fotos de família reunida): o casal e seus vários filhos, muitas vezes após uma primeira comunhão ou batismo. Aí você se dá conta que se fosse tirar foto com teus filhos e as mães não daria, afinal, você tem três, um de mãe, que não tem como reunir no mesmo dia (e sem as mães! Pois são inimigos ou amantes escondidos), além, é claro, dos filhos que foram abortados. Aí, te pergunto: vocês querem mesmo que eu troque a verdadeira família por essa vida de solidão em que a vida de outra pessoa é mero objeto? Você quer que eu troque a companhia de uma esposa pela companhia de qualquer pessoa que pode dar prazer ou, na ausência desta, de um baseado ou outra droga? Então, você lança: professor, prefiro ser influenciado pela minha família e ser feliz do que ser “crítico” e viver mergulhado na foça que você chama de modernidade.
            Chesterton diz ainda algo magnífico: “os grandes ideais do passado fracassaram não porque tenhamos sobrevivido a eles, mas porque não foram vividos o bastante. A humanidade não transpôs a Idade Média: fugiu dela em debandada. O ideal cristão não foi julgado e considerado deficiente: foi considerado difícil e deixado injulgado.” Portanto, caríssimos, se temos que ter espírito crítico, ao invés de criticarmos a Idade Média, porque não criticamos seus criticadores? Sempre me disseram que a Idade Média foi o tempo das trevas, mas vejo que se ela foi trevas, as trevas, caríssimos, são luzes. Este período foi de grande progresso. E, como costumam usar a idade média para atacar a Igreja hoje, recordemos que, como disse Chesterton, o cristianismo não foi considerado deficiente, mas sim considerado difícil e deixado de lado. No livro citado, Chesterton recorda como exemplo o fato de pagãos terem apreciado a pureza, porém, só foi o cristianismo promove-lo, exaltando as virgens, que começou-se o ataque à virgindade. Alguns filósofos não se casaram pois achavam que o casamento dificultaria a produção do conhecimento, mas, bastou os sacerdotes católicos viverem o celibato que começou a guerra. E aí nos vem outra incoerência: dizem que o casamento é uma instituição falida, mas querem que os padres se casem. Enfim, o fato é que o cristianismo foi simplesmente deixado de lado, e não refutado, como acreditam alguns. Simplesmente acharam que a doutrina de Cristo não era para eles, começaram a rotular cristãos, incentivar o espírito crítico, BUM!, formou-se a milícia neo-ateia. Bom, mas o problema não é que o cristianismo seja impossível de viver, mas, pelo contrário, as pessoas não quiseram viver para aderir a outras filosofias.
            E achando o ensinamento de Jesus Cristo e Sua Igreja algo ultrapassado, querem, no entanto, que eu adira ao pensamento de Karl Marx. Dizem que uma sociedade religiosa é algo maléfico, que atrasa o progresso da sociedade. Mas o governo ateu, inspirado em Marx, matou quase 100 milhões de pessoas no século XX. Milhões de pessoas morreram de fome e na miséria por causa desta ideologia ateísta. Aí você quer me dizer que o problema é a Igreja? Bom, o problema é a Igreja ou a rejeição à mesma? Afinal, você – diga ao professor marxista – já leu a doutrina social da Igreja? Eu disse a doutrina social da Igreja e não os textos da heresia da teologia da libertação! Já? Já buscou ver como viviam e como vivem sociedades onde os cristãos vivem o Evangelho? Garanto que não tem paredon matando homossexuais, como na Socialista Cuba, de Fidel, onde Che Guevara assassinava gays. Aí você quer que eu renuncie a Cristo para defender uma merda dessa chamada socialismo?
            Portanto, já que temos que ter “espírito crítico”, que tal termos este espírito segundo a reflexão de Chesterton: “no mundo moderno confrontamo-nos principalmente com o extraordinário espetáculo das pessoas acercando-se de novos ideais porque ainda não experimentaram os velhos. Os homens não se cansaram do cristianismo; eles nunca acharam cristianismo suficiente para se cansarem dele. Os homens nunca se fartaram de justiça política; fartaram-se de esperar por ela.” Portanto, se o professor destrói a família, não será porque é justamente a família a salvação para o mundo? Embora digam que ela é um retrocesso, não será, todavia, justamente porque ela é o verdadeiro progresso? Criticam tanto a família, a Igreja, a fé e seus males para a sociedade; mas, caríssimos, não terá sido o afastamento de tudo isso o que causou estes males?
            Nós não podemos ter medo da guerra. Não tema entrar em uma universidade por causa do odor de enxofre que se mistura ao perfume das rosas; mas seja o sábio que mostrará aos loucos a diferença de uma e de outra coisa, e mostrará a todos que o perfume das rosas é muitíssimo mais agradável que o fedor de enxofre. E embora os sentidos estejam frágeis, logo voltarão a apreciar as rosas. Mas é necessário que alguém seja sábio em meio aos loucos, sendo louco de acreditar na verdade. Afinal, as pessoas tendem a cheirar o enxofre por não haver espíritos fortes que lhes apresentem as rosas. Você é chamado a ser este espírito na escola, na universidade, no meio social. O próprio professor que vive em busca do enxofre novo para aliviar seu nariz doente, passará a apreciar as rosas se alguém lhe apresentar. Mas estes espíritos não são de cachorrinhos que abanam o rabo concordando com toda mentira dita pelo professor, simplesmente para comer da migalha do diploma. Seja ousado, seja escravo da Verdade. O mundo está sendo escravo da mentira. Apresentemos a verdade ao mundo.

            

domingo, 4 de setembro de 2016

Mal comportamento infantil e a educação dos sentidos

Salve Maria Imaculada, nossa Corredentora e Mãe!
A indisciplina infantil é um tema de grande relevância ao tratarmos sobre educação. Não importa se estamos falando das crianças nas creches e escolas, ou em suas casas, sempre haverá reclamações acerca de crianças indisciplinadas, “sapecas”, que não “param quietas”, etc. Não é minha intenção abordar a moral da criança, nem tampouco dizer que ela é incorrigível, ou seja, que não devemos corrigir seus maus feitos. O que eu quero que você compreenda é o seguinte: em muitos casos a criança age de maneira      “rebelde” não porque seja ruim, mas por causa de outros fatores do seu meio.
            Se nós formos perspicazes, poderemos observar que o mal comportamento infantil está relacionado com a maneira com que a criança é tratada, seja pelos pais, seja pela escola e o toda a sociedade. Há 50 anos atrás as crianças tinham certas liberdades que lhe permitiam um sadio desenvolvimento físico-motor e da própria personalidade. Embora a realidade do trabalho duro desde cinco ou sete anos, em roças, principalmente no Nordeste e outras regiões de interior, fosse uma realidade, a forma de tratamento para com a infância e juventude era diferente. Podemos excluir o trabalho duro da nossa comparação, fiquemos com o resto: a criança ajudava os pais em casa, andava, corria, brincava na terra, subia na árvore, etc.
Hoje, porém, a educação da criança está voltada para imobilizá-la. Nós não nos preocupamos em formar um meio que proporcione um sadio desenvolvimento físico-motor da criança, mas simplesmente queremos técnicas para fazer a criança ficar imóvel e calada. A “Liga da Justiça” de muitos pais não é composto por Batman, Superman, Mulher Maravilha, mas sim pelo videogame, televisão, computador, tablet, etc. Se prestarmos atenção, em suma todos estes equipamentos vão deixar a criança imóvel. Para os pais, é um alívio: “pelo menos eles se distraem enquanto eu faço as coisas”. Além de ser maléfico para o desenvolvimento físico-motor da criança que se acostumará a ficar parada (podem pesquisar sobre isso, principalmente sobre obesidade infantil, déficit de atenção, crianças com falhas nos movimentos comuns tais como correr, pular, etc.), este tipo de educação que tende a prender a criança diante de uma tela ou num quarto se virando com um monte de brinquedos sem sentidos pedagógicos (mas que atraem pela beleza ou tem seu valor econômico), é que a criança não gastará suas energias naturais que ela tem. Se ela não gasta suas energias - porque afinal a “nova pedagogia” deu tudo às crianças: leis, brinquedos caros, e uma ideia esquisita de que as crianças não são capazes de fazer nada -, essa energia ficará guardada, e, logo, ela explodirá de uma maneira não muito agradável.
Nós, adultos, com as novas rotinas de nosso tempo, passando muito tempo sentado em escritórios, andando de carro, fazendo pouca ou nenhuma atividade física, conseguimos perceber a ação dos nossos maus hábitos na nossa vida. Aumenta a gordura, hipertensão, você percebe que é um morgado que não consegue caminhar 1km que está para morrer. Até o seu humor muda com essa situação, ou não? Agora imagine uma criança: ela se alimenta normalmente, tem saúde, logo, tem muita energia para ser gasta. Aí chega a nova educação e diz que o melhor é prendê-la, não pode se mexer muito. Logo, essa energia explodirá. E este é o efeito, caríssimos. Porque há uma diferença fundamental entre nós ficarmos parados e as crianças: elas estão em fase de crescimento físico e - lembrem-se disso! – educação dos movimentos. Sim, nós não temos simplesmente que dar coisas caras para nossos filhos, mas dar meios para que eles se desenvolvam fisicamente.
Agora imagine a situação da criança: passa o dia na escola sentada numa cadeira dura, chega em casa e não tem nada que ela possa fazer, afinal, não pode sair por causa da violência, não tem muitos irmãos (afinal, lembremos que estamos na cultura do filho único), não tem árvore, só tem uma voz que grita “fica quieto!”, enquanto o natural da criança pede movimento para desenvolver-se. A irritação acabará vindo.
Não estou aqui dizendo que devemos deixar a criança fazer o que quiser, quebrar a casa. Estou dizendo que se outrora as crianças subiam em árvore para pegar uma fruta, hoje, no máximo, sobem no sofá para lá sentar, imóvel, para ficar com o celular do papai ou da mamãe com joguinho legal. De tanto não fazer nada útil para o desenvolvimento físico-motor, temo que muitas crianças estão sendo diagnosticadas com hiperatividade, enquanto na verdade só tem energia acumulada não gasta por causa do meio em que vivem.
Isso se dá também para com crianças pequenas. Conheço uma mulher que tem um filho de mais ou menos dois anos. A criança tem um mal comportamento para com a mãe que é incrível. Isto começou a me intrigar porque sabemos que, em condições normais, as crianças são apegadas às mães, tem elas como o seu porto seguro. No entanto, esta criança manifesta certa repulsa para com ela. Observando bem, comecei a notar que o mal comportamento está na união dessa “imobilidade” forçada para com o mal exemplo. Ela traz esta criança aqui em casa, e praticamente não quer voltar para casa. O que nós fazemos aqui em casa para que ela queira ficar aqui? Nada. Só somos adultos e deixamos ela agir como criança. Deixamos ela andar, pegamos uma bolinha e brincamos (e posso notar a questão do desenvolvimento motor através dos gestos da criança que vai evoluindo após vários erros ao manejar a bola), rimos, pega uma revista velha e deixa-o riscar. Na última vez vimos sua alegria ao folear uma revista de cosméticos da minha mãe (folear, digo passando umas 10 páginas por vez) para procurar onde tinha aquele adesivo perfumado; ele puxava o adesivo e sentia o cheiro. Ele suspirava! E eu ria... E como estudante de pedagogia podia ver como é belo ver a criança naturalmente exercitando seus sentidos (tato, passando as folhas; visão, identificando os perfumes; olfato, sentindo os diferentes cheiros). Se ele vai enfiar o dedo na tomada, repreendemos; se ele vai fazer qualquer coisa que não pode, dizemos “não pode!” e resolve-se. O problema do mal comportamento dele na sua própria casa é que lá acontece o contrário: berros de “NÃO PODE!” e só. Uma criança dificilmente obedecerá ao ouvir um “não pode” quando a única coisa que ela ouve é isto. Ora, mas o que pode? Pode ver TV, DVD, etc. Todas as coisas que deixam a criança imóvel. Demos a esta criança o nome fictício de Tafarel. Tafarel, coitado, tem uma mãe que grita como o Galvão Bueno: SAI, SAI SAI DAÍ TAFAREL! Sim, o “sai, sai, sai” é exagero meu. Mas a realidade é que os gritos reais são: “NÃO PODE!”, “PÁRA!”, “NÃO, ME DÁ!”, “VOCÊ TÁ MUITO TEIMOSO. VOU PEGAR O CIPÓ!”, etc. A criança gosta de estranhos querendo evitar sua casa, porque ela tornou-se uma estranha dentro do lar. Repito: não é deixar a criança fazer o que quiser, é ter algo que a criança possa fazer naturalmente. E, neste caso específico, além da “imobilização” forçada, temos a questão do exemplo: a criança vê que a mãe ao ser contrariada só grita, berra, etc., que começa a imitar o mesmo comportamento. Aí fica a dúvida: se você quer silêncio na sua casa, você tem dado exemplo deste silêncio? Você quer bom comportamento, mas você tem mostrado para as crianças como que se deve comportar? Recomendo a leitura dos livros de Maria Montessori, e compreenderão como ela fazia para manter turmas com 40 crianças de 3 à 6 anos de idade no mais profundo silêncio. Sua técnica pode ser resumida em educação dos sentidos e o próprio exemplo; ela organizava um meio que permitia as crianças exercitarem seus sentidos, e educava-os no silencio fazendo silêncio.
Quando falo em criar um meio favorável para o desenvolvimento da criança, não me refiro a pegar seu soado dinheiro para comprar um monte de brinquedos sem sentidos. Até porque, caríssimos, sabemos muito bem que muitas crianças com mal comportamento tem ampla brinquedoteca em casa. As “Casa dei Bambine”, criadas por Maria Montessori, eram, no princípio, cheias de brinquedos, mas estes foram deixados de lado por falta de interesse da parte das crianças. Ora, será que as crianças de hoje só procuram games e tantas coisas caras porque são desprovidas de um ambiente que promova suas aptidões naturais? Não estou dizendo que as crianças não devam ter brinquedos e nem brincar; até porque o brincar é natural da criança. Porém, o próprio brincar tem que ter sentido pedagógico; o que não ocorre com alguns brinquedos. Outro dia vi numa loja um pequenino brincando com um troço que parecia um chaveiro com chaves gigante de plástico, não tinha função pedagógica alguma senão fazer barulho e para jogar no chão e ele pegar de novo, coisa que ele poderia fazer com qualquer outro objeto. Falando em jogar no chão e quebrar, quantos gritos nervosos de pais que brigam com os filhos quando os brinquedos quebram. Claro, é chato comprar o carro supercaro e depois vê-lo em pedaços. Só que a curiosidade é natural da criança, e, não podendo fazer mais nada além de ficar trancado naquele ambiente, você sabe... O que temos? Gritos, berros, broncas, surras. Mas o mais importante não: cadê o desenvolvimento físico-motor?

O mal comportamento, é verdade, pode ter raízes psicológicas (como ausência do pai ou da mãe, problema com a família como drogas, etc.), mas antes de levar em um psicólogo tente fazer o seguinte: leve-o para passear num parque; deixe-o brincar em uma área que seja possível; leve seu filho para jogar futebol; ande de bicicleta com ele; permita que ele suba em uma árvore (dependendo da idade dele, claro, e da árvore, e esteja amparando-o); ensine ele e outras crianças a brincarei de pique-esconde, pique-pega, jogar bete, bola de gude; etc. Sabe aquelas brincadeiras que você corria, procurava, andava, ria? Então, mostre para os seus filhos que existe um mundo fora da tela do computador. Mostre a eles que os corpos deles fazem movimentos sem precisar apertar nos botões do controle do videogame. E até nos casos das crianças pequenas, crie um ambiente em que ela possa se movimentar, tocar, movimentar seu corpo. Nós criamos um espaço rodeados de “nãos” para as crianças, precisamos criar algo de “sim”, de próprio, não somente para distraí-las, mas para educar seus sentidos e gastar suas energias. Tente isso, talvez dê certo. Há cinquenta anos atrás, mesmo trabalhando na roça, as crianças tinham um desenvolvimento motor extraordinário. Hoje, porém, tiraram a enxada das mãos infantis, mas colocaram algemas e mordaças. Será que não tem como evitar os extremos?