domingo, 28 de agosto de 2016

O dia em que Deus falou comigo através de uma criança

Salve Maria Imaculada, nossa Corredentora e Mãe!
            Caríssimos leitores, gostaria de iniciar este post fazendo uma confissão: tenho uma forte tendência a desistir das coisas. A minha trajetória de vida, até aqui, é marcada por uma grande luta contra meu maior inimigo: eu mesmo. E nesta luta travada contra mim mesmo eu tenho marcado no meu passado várias desistências, a saber: curso iniciado, não concluído; karatê, dois meses e desisti após passar mal; no segundo ano do Ensino Médio reprovei por falta de ânimo, no ano seguinte parei no meio do ano alegando querer trabalhar – que também desisti no fim do mesmo ano, e no terceiro ano de 2º ano, desisti e fiz um supletivo para terminar logo. Tinha sonhos, logo deixados de lado. Consegui um emprego em um Hospital, realmente por uma graça, não cheguei, porém, aos três meses e desisti para novamente tentar ser vendedor para ganhar mais. Desisti das vendas de novo (coisa que foi e voltou na minha vida). Iniciei a Faculdade de Direito, trancada (neste caso por não ser minha vocação, embora na época nem se quer disposição eu tinha, senão uma ganância pelo status que tal curso me traria). O fato é que eu sempre desisti das coisas. Não tinha muita persistência.
            Mas aí, como você deve saber caso seja leitor deste blog, Jesus Cristo por intercessão de Sua Mãe Maria Santíssima agiu poderosamente na minha vida. Porém, ao contrário do que muitos pensam, a vida cristã é um duro combate; e não importa os pecados que você cometeu no passado ou se você sempre foi um santo, sempre teu maior inimigo será você mesmo. A Misericórdia de Deus perdoa todos os teus pecados, lava o teu passado no Sangue de Jesus Cristo; mas o passado continua existindo, com suas marcas e glórias, faz parte da tua vida. Ou nós olhamos para o passado como um sinal de gratidão a Deus por ter nos amado quando menos merecíamos, ou iremos ficar enegrecidos à sua sombra, desesperando por achar que não poderá mudar.
            Foi a uma situação parecida que cheguei a ser tentado a entrar. Cinco anos após trancar a faculdade de Direito, o Senhor me iluminou e descobri meu chamado: Pedagogia. Vocês não têm ideia da alegria que sinto na alma, e não no ego. Sim, não confunda as coisas. Antes o fazer Direito, para mim, tinha a ver com status, poder, prováveis altos salários; ser Pedagogo, ser Professor, porém, é uma vocação, algo que dá sentido à minha vida, é aquilo da qual move o meu ser para servir a Deus, para servir a Verdade. Porém, como disse certa vez o Papa Francisco: “não há santo sem passado, e não há pecador sem futuro”. E embora eu enxergue o estudar pedagogia, o ser pedagogo, o ser professor, como o meio de santificação que Deus me deu, o meu passado batia a porta para me atormentar. As tentações que me vinham (e por vezes vem) são as do tipo: já desistiu tantas vezes, vai desistir de novo; não vai aguentar ir até o fim; está atrás de dinheiro novamente; é orgulho; vai se perder na faculdade; você não dá conta de estudar, é preguiçoso, distraído, não faz nada que preste.
Pela minha própria história de vida, pelas desistências e maus hábitos, estudar parecia um peso. Eu sou extremamente distraído! Redes sociais, conversas, coisas que não tem nada a ver me roubam a atenção rapidamente. É uma fraqueza. Mas havia alguns agravantes: moro em uma região extremamente barulhenta, e como estudo EAD, minhas limitações podem me levar a nocaute facilmente. Muitas vezes não conseguia estudar por causa do meio, mas quase sempre por causa das minhas próprias fraquezas. Foi aí que um dia, rezando diante do altar com a imagem de Nossa Senhora e Jesus Misericordioso, comecei a ficar irritado (não com Deus, mas com as situações que me impediam de estudar); comecei a querer soar pelos olhos (sim, soar pelos olhos, porque homem não chora!) e repetidas vezes dizia que não dava conta. De fato, sem a graça de Deus não dou conta. Mas, como sempre desisti das coisas, e de certa maneira até de mim mesmo pela entrega a apatia que sempre tive, o temor de não dar conta me invadia.
Já que não conseguia estudar mesmo, permiti que o garotinho de quatro anos que minha mãe olha pudesse brincar aqui na minha sala de estudos. Enquanto me distraía no PC, ele brincava. De repente aquele garoto começa a falar:
-Seu nome não é mais pequi! (sim, ele havia me apelidado de pequi)
-É mesmo?
-É. Seu nome agora é Jorge.
-Jorge?
-É. Jorge Guerreiro!
Bastou ele falar isso e senti o impacto de um oráculo da parte de Deus vindo da boca de uma criança. Quando ele disse “Jorge Guerreiro” percebi claramente Deus falando comigo, que devo ser guerreiro e não desistir. Aquele garotinho de quatro anos não vive em um lar católico; embora fique aqui em casa boa parte do tempo, não somos devotos de São Jorge. Onde ele ouviu falar de “Jorge Guerreiro”? E mesmo que em algum lugar ele tenha ouvido falar este nome, eu sei que foi o Espírito Santo que o inspirou a brincar do meu lado e pronunciar tais palavras para me animar antes que o demônio da depressão me pegasse querendo novamente que eu desistisse.
Após ele dizer que eu ia me chamar “Jorge Guerreiro”, resolvi pesquisar na internet a história de São Jorge, afinal, nunca entendi o porquê ele está vencendo um dragão. Após ler a história, vi como de fato aquele garoto foi usado por Deus para falar comigo. Fiquei impactado com a história de São Jorge e o Dragão, embora seja uma lenda, pois traz a minha missão e a dos novos educadores católicos. A lenda conta que as margens de um lago escondia-se um tenebroso dragão que aterrorizava os moradores da cidade próxima dali. Ofereciam, então, duas ovelhas por dia ao dragão; porém, quando veio a faltar ovelhas, começaram a oferecer rapazes e moças. Começaram a sortear quem seria sacrificado ao dragão, e a “sorte” caíra sobre a filha do rei. Avistando a jovem princesa chorando às margens do lago, São Jorge que passara por ali perguntou o que se sucedera. Ao avistar, porém, o dragão vindo ao encontro da princesa para devorá-la, São Jorge monta no cavalo, fez o sinal da cruz, recomendou-se a Deus, e atingiu a cabeça do dragão fazendo-o cair no chão. Depois mandou a princesa pegar seu cinto e amarrar no pescoço do dragão, que seguiu-os para a cidade qual cachorrinho manso. A cidade ficou espantada, São Jorge pregou Jesus Cristo, e milhares de pessoas foram batizadas.
Como Jorge Guerreiro, eu – e também você que quer pedagogo/professor(a), deve lutar contra o dragão que está devorando a pureza e a inocência das crianças. Muitas vezes os próprios pais é que sacrificam seus filhos aos dragões que pervertem a infância e juventude. Deus falou comigo naquele dia através de uma criança, afirmando que devo ser como São Jorgue, guerreiro, e assim como na lenda diz que ele, fazendo o sinal da cruz e recomendando-se a Deus, venceu o dragão e salvou aquela moça, também devo, pelo poder da Santa Cruz e pela graça do Espírito Santo, vencer todos os obstáculos que aparecerem na minha frente para alcançar o bem maior da salvação das crianças e jovens. Se nós, caríssimos, não salvarmos as crianças, o Estado (dragão) com  essas escolas impregnada de uma falsa pedagogia irá perde-las com a ideologia de gênero, com a promiscuidade sexual, com a destruição da família, e com a própria ignorância, afinal nem uma educação de qualidade se dá nas escolas. Precisamos trabalhar pelas crianças e jovens, tanto para a formação religiosa, mas também para a formação humana. Se tu e eu não formos Jorges Guerreiros, o dragão irá devorar nossos jovens. Quantos jovens vão precisar desgraçar suas vidas no crime, na drogadição, na prostituição, para que nós acordemos para a vida e assumamos a nossa responsabilidade de educa-los? Afinal, muitos por aí querem doutrina-los, mas onde estão aqueles que querem educa-los?
Eu não sou nada. Se sou, sou apenas um pecador miserável. Mas Deus quis e quer me usar. Deus quer te usar. A minha desistência não é uma desistência de mim mesmo, mas é desistir do futuro do Brasil. Eu só escrevi isso aqui e postei para que todos pudessem ler, não para me exaltar, nem tampouco para me fazer de coitado ao citar a minha fraqueza. Mas unicamente com o intuito de dizer: você não pode desistir do sonho de Deus para você! Você não tem o direito. Jesus Cristo morreu na Cruz por você! Ele podia ter desistido, mas Ele prosseguiu para salvar você e eu, salvar a toda a humanidade. Por que desistiríamos do que Ele quer para nós? Seja guerreiro! Não importa se você tem o chamado a ser pedagogo, médico, filósofo, padre, freira, psicólogo, jornalista, jogador de futebol, escritor, músico, ou qualquer outra profissão. Se foi Deus quem inspirou, busque fazer com perfeição. Eu disse: busque fazer com perfeição. Se não conseguir, paciência. O perfeito para Deus não é a exatidão, mas a tentativa de fazer exato. As vezes, admito, nada sairá exato, mas sim errado. Mas Deus se alegra nas quedas de seus filhos quando veem nos seus corações o desejo de se levantar. Não importa se você, como eu, já desistiu das coisas a vida toda. Não importa se antes de ler este texto você já havia até desistido de viver. Não desista, Deus não desistiu de você. Ele só quer que você tente outra vez. Olhe o passado com olhar de Misericórdia. Se iniciei falando que sempre desisti, olha que interessante, um lado bom: passei a vida tentado. Não importa se a vida é cheia de quedas; o triste é se nela não tiver soerguimentos. Você não dá conta. Eu não dou conta. Mas Ele disse “sem mim nada podeis fazer” (João 15,5). Ele também disse que não seríamos tentados mais que nossa força (cf. 1Cor 10,13). Ele, ao dar os talentos, deu a cada um segundo a sua capacidade (cf. Mt 25,15). Deus chamou? Somos capazes! Somos guerreiros! Somos santos, não de calça jeans, mas de joelhos ralados, olhos inchados de chorar por nos vermos incapazes de fazer algo bom, mas que não desistem de fazer o que Deus pede, que não desistem de si, pois Aquele que tinha todas as razões do mundo para desistir não o fez. Sabe por que? Porque o Amor vence toda realidade. O Amor sara qualquer passado. O Amor abrilhanta todo futuro. O Amor dá sentido ao presente. O Amor.. O Amor me explicou tudo. O Amor disse que tu e eu temos que ser guerreiros.
No meu caso, caríssimos, olho as crianças e pergunto-me: não vale a pena o sacrifício? Não vale a pena tentar outra vez? Estou no segundo semestre. Mais um de hipocrisia nesta luta contra mim mesmo. Mas, não vale a pena, pelas crianças e por Deus, lutar contra mim mesmo? Eu sempre achei que eu era um fracote, um zé mané. A verdade é que eu sou forte. Sou um homem de aço. Há muito tempo tento me vencer e não consigo. Mas, mesmo apanhando muito de mim mesmo, cada roud saio vencedor se lutar com as forças do Amor de Jesus. A carne pode ser fraca – ou nesta analogia, forte – mas a força do Senhor supera tudo. Quando estou cansado de mim mesmo, tenho diante de mim a Cruz, a Virgem Maria, o meu próprio passado, o meu presente, e o futuro (crianças e jovens) que o Senhor me pede. Por que desistir?
Por isso, repito, não desista dos planos de Deus para você. Desista, sim, se a vida que você leva não for vontade de Deus. Então, procure saber onde Deus te quer, o que Deus quer que você faça. Todos nós temos uma missão nessa vida. Qual é a sua? A minha é educar. E embora reconheça que sou meu maior inimigo e que sou cheio de defeitos, como é doce me irritar comigo mesmo mas ser feliz. É estranho, mas todo sofrimento que sinto, toda incompreensão, má palavra, enfim, tudo é doce porque ser educador é a vocação que Deus me deu. Na época do Direito, não tinha sentido, a vida era pc, play station, dormir. Tudo era um saco! Hoje é glória! É cruz? É. Mas eita cruz gloriosa. Não, não é fácil. Não estou querendo poetizar. Mas é que quando Deus chama, quando é o sentido da vida, as cruzes tem sentido. Afinal, se eu não tivesse que lutar para me educar, como poderei entender o outro para educa-lo?
No mais, caríssimos, se teu chamado também é a educação, persista. Prossiga. Muitas pessoas não entendem, houve quem dissesse que não adiantaria de nada porque o sistema educacional está tomado pelos marxistas. Mas se nós, pelo sinal da cruz e sob o manto da Virgem Maria, não lutarmos pelas crianças, veremos o futuro ser devorado pelo demônio e nós mesmos seremos digeridos no quinto dos infernos. Mas se fizermos o que Deus nos pede, veremos as crianças que hoje o Estado quer doutrinar, conduzindo este dragão qual cãozinho; afinal, uma nova nação surgirá dos nossos pequeninos. O Brasil será aquilo que fizermos dos pequenos brasileiros. O demônio quer lhes dar impureza, mas se nós educarmos nossos pequenos, veremos o futuro do Brasil com o Rosário na mão derrotando satanás.
Finalizo pedindo vossas orações, porque as palavras podem ser legais, mas a batalha é grande. Que Deus não me permita desistir. Afinal, aqui é Jorge Guerreiro sob o comando da Imaculada Conceição!
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Após concluir o texto lembrei-me de outro fato: dias depois, averiguei que na casa que está em reforma, no meu antigo quarto tem um adesivo de São Jorge na porta - que usava como quadro para brincar de professor quando criança.

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