quinta-feira, 16 de junho de 2016

Se Deus existe, de onde veio Deus?

Salve Maria Imaculada, nossa Corredentora e Mãe!
É inegável que a ciência fez uma grande evolução nos últimos anos. Todavia, também é inegável que apesar do cientificismo e do ateísmo (por consequência ou por ignorância?), o homem não encontra a felicidade em si mesmo. Por mais que se transforme o mundo deixando-o Deus, este mundo permanece vazio de sentido. O conhecimento científico não tem trazido a felicidade ao homem.
         Por outro lado, o avanço científico tem seu lado positivo. Avanços daqui e dali, e sempre há o questionamento sobre a existência ou não de Deus. Questionamentos estes que obtém a resposta: Deus está vivo! Pelo próprio conhecimento científico o homem é capaz de chegar ao conhecimento da existência de Deus. As cinco vias de Santo Tomás de Aquino para se chegar ao conhecimento da existência de Deus são irrefutáveis. Resumidamente, segundo o Doutor Angélico, podemos provar a existência de Deus pelas vias:
a)   Do movimento: o movimento existe e é uma evidência para nossos sentidos. Tudo aquilo que se move é movido por outro motor; e esse motor, por sua vez, é movido, vai necessitar de um motor que o mova, e assim por diante de forma infinita, o que é impossível, se não houver um primeiro motor imóvel, que move sem ser movido, que é Deus.
b)   Da Concatenação das Causas: tudo está sujeito à lei de causa e efeito. Existe uma série de causas e efeitos ao mesmo tempo. Portanto, no início, tem que ter tido uma causa primeira, não causada, que é Deus.
c)   Da Contingência: todos os seres conhecidos são finitos, pois não possuem em si próprios a razão de sua existência. São e deixam de ser. Se são todos mortais, em um prazo de tempo deixariam de ser e nada mais existiria, o que é absurdo. Portanto, os seres contingentes implicam o ser necessário, ou seja, Deus.
d)   Dos Graus de Perfeição: todas as perfeições possuem graus, que se aproximam mais ou menos da perfeição absoluta. Deve, pois, haver um ser supremo perfeito, que é Deus.
e)   A da Ordem Universal: todos os seres tendem para uma ordem, não de forma aleatória, mas por uma inteligência que os guia. Isso significa que há um ser inteligente que ordena a natureza e a impulsiona para seu fim. Esse ente é Deus.

Se tivermos o mínimo de honestidade intelectual e comprometimento para uma real reflexão, investigação, poderemos constatar que S. Tomás está certo. Deus é invisível, porém, deixou seus rastros, ou seja, sinais na própria natureza que faz com que o ser humano, pelo uso da razão, possa encontra-lo. Pela corrupção, pelo pecado, ou até mesmo pela má vontade, muitos não acham ou não querem admitir, mas a razão – até mesmo com o reforço da iluminação divina – nos faz conhecer a Deus, nosso criador.
     Embora as cinco vias seja um assunto interessante para abordarmos, citei-a a título de conhecimento caso algum leitor a desconhecesse. O problema que quero abordar é o seguinte: o sujeito, conhecendo as vias de S. Tomás ou não, admite em certo grau a existência de Deus, porém, logo revoga esta admissão ao questionar: nós viemos de Deus, mas de onde veio Deus? Ou mesmo: o que Deus fazia antes de criar o mundo? O problema, portanto, não está em o homem ser capaz ou não de conhecer a Deus, mas sim em admitir esta verdade. Manifesta-se verdadeira, portanto, a afirmação de Pio XII:
A inteligência humana, na aquisição destas verdades, encontra dificuldades tanto por parte dos sentidos e da imaginação como por parte das más inclinações, provenientes do pecado original. Donde vemos que os homens, em tais questões, facilmente procuram persuadir-se de que seja falso ou ao menos duvidoso aquilo que não desejam que seja verdadeiro. (Pio XII Encíclica Humani generis: DS 3878)
            Negar a existência de Deus, somente porque não se pode dizer do que Deus fazia ou deixava de fazer antes da criação, é, no mínimo, orgulho. Os ateus acreditam que nós, o planeta Terra, o universo, veio do nada; porém, vimos que podemos ver os sinais de Deus na própria criação, deixando claro que esta não pode existir sem sua causa inicial que é Deus. Mas este mesmo ateu, não aceita a existência de Deus porque este não pode vim do nada. Aliás, é verdade, Ele não veio de lugar algum, pois Ele é por Ele mesmo; Deus é Criador, não criatura.
         Quando nós afirmamos a existência de Deus e apresentamos as cinco vias, ou outras provas da existência de Deus (por exemplo: fenômenos que a ciência não consegue explicar, como o milagre de Lanciano, corpos incorruptos, e a mística de S. Padre Pio examinado por diversos médicos.), nós estamos apenas mostrando que há um Deus, uma inteligência suprema que criou todas as coisas; nós não estamos dizendo, todavia, o que é Deus. Investigue com sinceridade as cinco vias, encontre a Deus; encontrando-o, vá você mesmo descobrir o que é Deus. Trocando por miúdos: após raciocinar e admitir a existência de Deus, você tem que sair do campo cientificismo e passar para a teologia. Caso contrário, você passará a vida toda enxugando gelo: a ciência aponta para uma causa primeira, mas como você quer provar a causa primeira pela ciência, nega que exista uma causa... Poderá, desgraçadamente, terminar enlouquecendo, como muitos teóricos ateus que são endeusados no mundo acadêmico, caso não rebaixe o orgulho e passe a estudar quem é Deus em sua devida área de estudo.
         Lembro-me do Dr Enéas Carneiro, homem sábio, que dedicou boa parte da vida ao estudo. Era médico, físico, matemático, e foi um profundo conhecedor das áreas de humanas. Em um programa de televisão foi questionado se era ateu. Sua resposta foi fantástica. Ele afirmou que em seus estudos, vendo a complexidade de que todas as coisas são feitas, é IMPOSSÍVEL que não existe uma inteligência superior que tenha feito tudo. Por fim, ele diz que admite que Deus existe, mas que não o perguntassem “o que era Deus”, porque ele não era teólogo. Não êxito em afirmar que Enéas Carneiro estudou mais do que a maioria dos professores universitários brasileiros de hoje. No entanto, todo seu conhecimento científico, não o fez negar a existência de Deus, mas pelo contrário, fez o conhecer a existência de um ser que pensou todas as coisas para que estas tornassem-se reais. Já alguns adolescentes, ainda no ensino médio ou fundamental, ainda bebendo leite com toddy e comendo biscoito recheado enquanto assistem sessão da tarde, refutam categoricamente a existência de Deus, embasando-se num filme passado na própria sessão da tarde, confirmado depois num livrinho mequetrefe de um autor neoateu ou em um blog de ateus. Quem estuda seriamente chega ao conhecimento de Deus. Mas, quando se fica neste estudo “médio”, ralo, sem aprofundamento em busca da verdade, nunca se chegará a uma refutação de fato. No fim a ciência – o ateu admitindo ou não – grita por Deus; e o máximo que o estudante ralo pode refutar é: nada a ver isso aí que tu falou. Vai estudar.
         Uma vez que sabemos que Deus existe, devemos trata-lo como uma realidade da qual sem ela nada mais seria real. Se toda causa tem um efeito, se existo, é porque alguém existiu antes de mim, e este alguém é Deus. E quem é Deus? Deus é o Amor universal. Deus é a bondade suprema, a inteligência maior. Deus é toda força existente da qual força alguma existiria se não viesse dele como causa primeira. Deus é o Criador de todas as coisas que existem, visíveis e invisíveis, conhecidas e desconhecidas. É a fonte de toda vida. Ao contrário do que os ateus acreditam, o mundo não veio do nada, veio de Deus; e Deus, sim, fez o mundo “do nada”, ou seja, sem o auxílio de criatura ou matéria existente, pois nada havia além dEle.
A Sabedoria humana deveria se dar por satisfeita em Deus ser bom o suficiente de se deixar encontrar, de se fazer conhecer, a tal ponto de até um ateu pelo seu estudo poder encontra-lo. Toda busca de conhecimento de Deus, além da união com Ele mediante a oração e a Eucaristia (mas isso é um assunto para as práticas de vida cristã), não passa de vão orgulho, uma vez que é IMPOSSÍVEL o homem conhecer a totalidade de Deus. O homem só pode conhecer a Deus na medida em que este se revela ao homem. O homem pode pela ciência, pelo seu esforço, pela sabedoria humana, ter o conhecimento de toda a criação, mas não do Criador. O homem é capaz de conhecer as verdades contidas em outros planetas, porque são criaturas, mas não pode conhecer a plenitude da essência do que é Deus, porque este é Criador. Se a sua busca for por saber da existência de Deus, saiba, Ele existe; agora se a sua busca for para saber o que é Deus, como se Deus tivesse que mostrar uma self dEle antes de criar o mundo - no estilo facebookiano: Antes de criar o mundo x depois de criar o mundo – você está perdendo seu tempo. Primeiro porque Deus não é obrigado; segundo porque o homem pode produzir um profundo conhecimento acerca da matéria, porém, Deus não é matéria, mas sim ESPÍRITO. Deus é infinito em si mesmo. Por isso, nós que cremos em Jesus, professamos a verdade que nos traz a Sagrada Escritura: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. [...] O Verbo era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. [...] E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1,1-5;9-11;14). Deus era invisível, ou seja, inacessível ao homem; porém, Jesus Cristo é o Verbo, é Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado; consubstancial ao Pai. Se você quer, portanto, um conhecimento de Deus enquanto matéria, deve estudar a pessoa de Cristo, uma vez que Jesus é a encarnação do próprio Deus, que é Uno e Trino. Nós cremos que toda a revelação de Deus se dá na pessoa de Jesus, que é Deus. É claro que Deus continua se manifestando à humanidade, uma vez que o próprio Jesus disse que os que cressem nEle fariam milagres maiores. Mas o que quero dizer aqui é: Deus é ESPÍRITO. Sendo assim, todo meu conhecimento de Deus, por uma questão natural, está limitado. Até o conhecimento de Cristo, enquanto encarnação, só se deu porque Ele mesmo quis se encarnar para redimir a humanidade. Portanto, não é nem uma questão de ignorância, mas sim uma questão de IMPOSSIBILIDADE de eu, mera e pobre criatura, conhecer a plenitude de Deus, que é puro espírito.
O que Deus quis revelar-se, revelou-o na pessoa de Cristo. Jesus, por sua vez, deu à Igreja, Seu Corpo Místico, as chaves do Reino do Céu na pessoa de Pedro. S. Paulo afirma que a Igreja é coluna e sustentáculo da verdade (cf. 1Tim 3,15). Sendo assim, Deus manifestou-se em Jesus Cristo, que é Deus encarnado, e, pela fé da Igreja, que fala em nome de Jesus, manifesta os atributos de Deus. Nisso cremos que Deus é uno e trino. Vários estudiosos contribuíram para tais declarações da Igreja. Citei-a apenas para afirmar o seguinte: Deus era livre em si mesmo quando nos criou, e é livre em si mesmo para revelar-se a si mesmo na proporção que bem quiser. Após saber da existência de Deus, pela razão, concebemos o que é Deus, pela fé; pois, por maiores que sejam os nossos esforços, nunca conheceremos a plenitude do que é Deus, se Ele não se revelar. Com a Igreja afirmo:
Cremos firmemente e afirmamos simplesmente que há um só verdadeiro Deus eterno, imenso e imutável, incompreensível, todo-poderoso e inefável, Pai, Filho e Espírito Santo: Três Pessoas, mas uma Essência, uma Substância ou Natureza absolutamente simples. (Conc. Lateranense IV: DS)

         Como a Igreja chegou a declarar isto em matéria de fé? Bom, esta frase está contida no Catecismo da Igreja Católica; você já se deu ao trabalho de o ler, pelo menos, para conhecer o que ensina a Igreja Católica? Por não lerem o Catecismo, os católicos perdem a fé, e os não católicos não a encontram. Voltemos, porém, ao tema deste post.
         Há ainda uma razão para Deus não querer se manifestar em plenitude para nós. Sendo Deus espírito, e não matéria, infinito, como poderia nós suportarmos a manifestação plena, sendo que somos matéria e finitos (enquanto matéria orgânica. Cremos, porém, na ressurreição da carne, mas até lá, sabemos que o corpo se decompõe)? Jesus é Deus, porém, Sua morte na Cruz foi para salvar o gênero humano do pecado e abrir as portas do Céu. Quando volta para o Pai é que recebe em plenitude Sua glória. A Sagrada Escritura ao narrar a transfiguração, mostra que Pedro, Tiago e João ficaram assombrados ao contemplar a glória de Jesus. Ora, isso era apenas uma demonstração do poder de Deus. Desde o antigo testamento até a manifestação de Deus na pessoa de Jesus, quando Deus parte para o extraordinário, causa certo espanto no homem, uma vez que este não pode suportar a plenitude da glória de Deus.
         Há um trecho da oração de Salomão que cabe muito bem aqui. Salomão está pedindo sabedoria para Deus, e já próximo do fim da oração, ele diz à Deus: “Mal podemos compreender o que está sobre a terra, dificilmente encontramos o que temos ao alcance da mão. Quem, portanto, pode descobrir o que se passa no céu? E quem conhece vossas intenções, se vós não lhe dais a sabedoria, e se do mais alto dos céus vós não lhe enviais vosso Espírito Santo?” (Sabedoria 9,16-17). Como dizia, Deus, nosso Criador, é ESPÍRITO; o universo, criatura, MATÉRIA. Se o homem, por mais que tenha se esforçado, não conhece a verdade plena da matéria, como pode, porém, querer conhecer a verdade plena de Deus além do revelado? A ciência afirma: o universo continua em expansão após o big bang – teoria, aliás, proposta por um sacerdote da Igreja Católica, Georges-Henri Édouard Lemaître -, confirmando a via do movimento: se está em expansão, é preciso que tenha havido uma força que colocou em movimento. Se um corpo em repouso tende a permanecer em repouso, o universo se expandindo, portanto, tem que ter tido, necessariamente, uma força anterior que o colocou em movimento. Existem várias outras galáxias, planetas, etc., e o homem mal chegou a lua, portanto, não exploramos o mundo extraterrestre. Talvez você diga que eu esteja apelando. Fiquemos no Planeta Terra então: não sei se você sabe, mas apenas 1% do oceano foi explorado. Não se sabe o que existe na profundidade dos mares. Por mais que avance a tecnologia, o homem não conseguiu chegar ao conhecimento da plenitude das profundezas dos mares, ficando em míseros 1%. Por mergulho – você é louco! – é impossível, pois morreria por causa da pressão. O mergulho mais profundo registrado até hoje, foi de 318,25 mt, com cilindros de respiração; 209,6 mt, sem cilindros. Portanto, não conhecemos a grande maioria das espécies existentes no oceano; não conseguimos se quer mergulhar até o fundo do mar, pois morreríamos por causa da pressão. Embora se tenha chegado a alguns milhares de metros com equipamentos, mas a exploração em si, míseros 1%.
Como poderíamos chegar ao conhecimento total de Deus, sem nos desfazermos? Explico-me: se é impossível ao homem chegar ao fundo do oceano, criatura, sem que morra, como querer a plenitude do conhecimento de Deus sem, todavia, nos desfazermos? O homem não suporta o fundo do oceano, como não suportaria a plenitude de Deus.
         Portanto, indo para o campo da fé, saberemos que no Céu, glorificados, poderemos sim contemplar a glória de Deus, face a face, em sua plenitude, sem nos desfazermos. Porém, nesta realidade terrena, por enquanto, não podemos conhecer a plenitude de Deus. Os próprios santos da Igreja Católica que tiveram experiências místicas e viram a glória do Céu, afirmam que se não fosse Deus os sustentando, teriam morrido; e que embora Deus tenha os feito experimentar o antegozo do Céu, era ainda uma visão pálida da beatífica visão de Deus na eternidade. Era apenas uma graça que Deus concedia, manifestando algo misticamente aos Seus, na medida em que queria, da forma que queria, e do tanto que queria; para servir de testemunho a outros.
         Por isso, encerro dizendo que enquanto estivermos neste mundo, Deus sempre se manifestará a nós fazendo-nos conhecer a Ele; porém, estes questionamentos de quem é Deus, de onde veio, o que fazia, não passam de pífios questionamentos que obscura a verdade, uma vez que reduzem o Criador à status de criatura, Aquele que é à pé de igualdade conosco que nada somos sem Ele. Ou seja, não se pode querer colocar tempo em Deus, que é atemporal. Não se pode colocar em Deus características de criatura, sendo Ele Criador. Tais questionamentos, portanto, são em si frescuras de quem sabe que Deus existe, porém, não quer aceitar. Esses questionamentos serão respondidos após nossa morte, onde em outro estado suportaremos a verdade e Deus se manifestará. Guarde sua pergunta para Deus no dia do juízo. Se bem que, sinceramente, quando estivermos diante da visão beatífica de Deus, a plenitude do gozo eterno será tanta que não iremos perguntar nada, uma vez que a visão de Deus é a resposta de todas as coisas. Afinal, Deus é o fim do homem.


Nenhum comentário:

Postar um comentário