sábado, 25 de junho de 2016

Que idosos são estes!?

Imagem de comercial americano que pretendia
atingir o público da terceira idade.
Salve Maria Imaculada, nossa Corredentora e Mãe!
Não é de hoje que tenho percebido uma tentativa da mídia em mostrar um novo tipo de idoso, um novo modelo a ser seguido, uma nova maneira de viver a terceira idade, indo para um caminho oposto do trilhado por idosos de outros tempos.
            Essa nova forma de viver a terceira idade, segundo a mídia, vem acompanhada de uma condenação da forma “antiga”, ou seja, do que era comum vermos em um idoso. Aquele casal unido há décadas; religiosos, de terço na mão, Missa dominical, piedosos; família grande; conselheiros dos filhos e dos netos; tem sido taxado de arcaicos, ultrapassados, pois a grande moda do momento é o “jovem com experiência”, é o vovô safadão e a vovó piriguete.
À nossa volta está cheio desses exemplos, influenciados pela mídia ou não, de idosos que querem praticar a mesma insanidade que os jovens. Antigamente os pais, e principalmente os avós, eram as referências dos jovens moralmente falando. Eles davam conselhos para os filhos e netos; eram, claro, chamados de caretas, velhos, mas quando estes quebravam a cara após ver que o prazer pelo prazer, a fortuna pela fortuna, a balada, enfim, nada disso trazia a felicidade, lembravam dos conselhos dos sábios de cabeça branca e decidiam dar uma chance para o que eles falavam. Mesmo após a morte dos avós, muitos jovens passam a se aproximar mais de Deus por se lembrar da vida piedosa destes. Lembra do avô, e logo vem à mente o terço que rezava em casa, a Missa que acompanhava pela tv devotamente após não ter mais forças para ir à Igreja, da novena acompanhada também pela tv, enfim, e dos conselhos. Ah, sim... E após ver que a vida dos seus avós, vivendo devotamente e não entregues ao mundo, logo veem que eles viveram a verdadeira felicidade porque viveram em Deus. Mas, hoje, o problema é o seguinte: vovô é que é maconheiro e vovó a saidinha. Nossos pais e avós viveram nas épocas de revolução sexual, estudantil, e demais movimentos pós década de 60. Muitos viveram a libertinagem mascarada de liberdade que se pregava naquele período. Muitos, claro, viram que erraram muito, e aconselham seus filhos e netos a fazerem o mesmo. O problema é que boa parte faz é incentivar sem demonstrar arrependimento algum por terem vivido na imoralidade, influenciando as novas gerações, e, desgraçadamente, criam a nova casta de idosos baladeiros.
É por isso que a mídia sempre diz algo assim “cadeira de balanço, terço, descansar? Esqueça esta visão de quem está na melhor idade...”; logo após, vem as imagens dos idosos no forró, nas festas. No passado, o maior “escândalo” seria um velhinho de 80 anos casar-se com uma jovem de 20. Hoje em dia os avôs gostam mesmo que a família faça festa, pois quer ser amiguinho das amigas dos netos. Em um mundo de “direitos iguais”, as senhoras também não ficam atrás, e também estão saidinhas atrás de um boy magia ou de um coroão. Uma vez estava no ônibus quando de repente entra um monte de idoso; não estavam voltando de uma peregrinação, mas do forró da terceira idade. E falavam, e falavam do forró. Certa vez, ao visitar familiares no interior do RN, decidi ir com minha mãe até a lagoa da cidade. Chegando lá me deparo com um monte de idosos fazendo ginástica ao som de “Ai se eu te pego” de Michel Teló. Pareciam animados. Parece não ter nada demais uma música imoral. A nova geração de idosos – ou pelo menos a que a mídia quer fazer que se sustente – é aquela que não só diga que é normal os jovens irem para a balada e adentrarem na perversão sexual, mas é aquela que faz é ir para a balada junto com eles e/ou vão para suas próprias baladas. Antigamente víamos idosos que após ficarem viúvos, queriam descansar, se emocionavam ao falar do(a) companheiro(a) que faleceu; hoje, no entanto, fazem em rir e dizem estar atrás de um companheiro, afinal, não estão mortos. O oitentão espera, pelo menos uma cinquentona. E nada de casar, afinal, já ficou anos casado, nada de compromisso na “melhor idade”.
Particularmente eu fico demasiadamente triste com isso. Afinal, os idosos são nossa referência. Estão estragando com a imagem dos idosos. A Sagrada Escritura diz em várias partes do respeito que devemos ter pelos anciãos, escutar seus conselhos, estar sempre próximos deles. É claro que, como vai dizer em Atos 5,29 “importa antes obedecer a Deus do que aos homens”. Se os idosos não seguem a lei de Deus, se dão conselhos contrários a expressa vontade de Deus, não devemos seguir tais conselhos. Mas o problema é que para uma geração que cresceu sem Deus e sem referenciais que apontam para Deus, após experimentar o que o mundo pode dar e constatar que nada disso pode a fazer feliz, tal pessoa irá olhar para quem para ser sua luz? Vivemos em um arranjo familiar em que o jovem tem dificuldade de sair da droga e do sexo desregrado, mesmo querendo, porque, afinal, os pais bebem todo final de semana fazendo um frevo em casa, ninguém é casado com ninguém, só junto, já tendo trocado de cônjuge várias vezes e este, muitas vezes, sabendo das infidelidades. Fora, é claro, os absurdos das relações abertas onde se tem um pseudo compromisso mas também pode-se relacionar sexualmente com outras pessoas sem problema algum. Ora, num antro de podridão dessas, quem será o referencial dos nossos jovens? Tristemente, até aqueles mais piedosos, por causa da pressão da mídia, da chatice dos aborrecestes que querem arrumar um parceiro sexual pro avô ou para a avó – como se tudo girasse em torno de sexo – acabam fazendo com que estes, algumas vezes, para ficar no senso comum, ache que essa vida “pacata” seja coisa do passado, e que tem que aderir aos novos modismos.
Tudo isso tem resultado em um fenômeno na Igreja: não são os pais e avós que rezam pela conversão dos seus filhos e netos, mas os jovens que tem rezado incessantemente pela conversão dos pais, avós, irmãos, parentes, amigos. Se você que está lendo é um jovem nessa situação, quero te dizer: a Misericórdia de Jesus supera todas as coisas. Ela supera o teu pecado, o pecado dos teus pais, dos teus avós, de toda a tua família, do mundo inteiro. O pecado da humanidade inteira comparada com a Misericórdia de Jesus, é menor que uma gota comparado com o oceano. Por isso, não desista de rezar pelos seus familiares. Jesus está a bater na porta do coração deles até o momento da morte; até no último suspiro Jesus pode salvá-los. O que cabe a nós é confiarmos em Sua Misericórdia e rezarmos sem parar. Se você, por outro lado, quer mudar de vida, mas olha a vida da sua família – que até se diz católica, mas não pratica nada – e vê um empecilho  para mudar de vida, eu vos recomendo a buscar o Reino de Deus em primeiro lugar. Converta-se você, e então tu serás sal e luz para tua casa. Se precisas de exemplo, você tem os santos da Igreja, procure ler Confissões de Santo Agostinho, a história de S. Gabriel das Dores, S. Francisco de Assis, etc. Mas não deixe de seguir Jesus por causa da tua família; mas, pelo contrário, leve a tua família para Jesus – com teu exemplo e com tuas orações e comunhões por eles.
Voltando aos idosos. Fico pensando como deve ser o coração destes novos netos. Eu fico assim porque eu, por uma graça de Deus, tive bons referenciais. Há pouco tempo faleceu minha avó materna, e ela muito me influenciou. Ela influenciou um jovem, como eu, e não era forrozeira, embora fosse nordestina; nem mesmo conselheira moderninha dizendo que tudo pode, que deveria aproveitar a vida. Não, a Dona Maria não era essa caricatura de terceira idade que as pessoas querem criar. Uma das recordações mais claras e antigas que tenho da minha avó é dela, coberta de cabeça aos pés, sentada na cama, fazendo suas primeiras orações do dia. Eu era uma criança e a via rezando, rezando o terço, com seu oratório. Minha avó nunca me viu, era cega há muito mais de 20 anos. Mas eu a vi. Eu a vi, como disse, rezando, com a vida pregando o evangelho. Desde criança eu desejava algo dela, que me prometeu me dar quando partisse: um oratório de madeira, centenário, que era dos pais do meu avô. Hoje muitos pais e avôs querem ganhar rios de dinheiro, compram prédios, carros, e chegamos ao ponto de filhos matarem pais para ganha a herança. Meu desejo, porém, era um sinal da fé, um oratório de madeira, velho. Vi seu sofrimento alguns meses antes de falecer. Sofria muito. Mas nenhuma murmuração que alguns adolescentes fazem por não ter conseguido namorar com o boyzinho. Minha avó sofria de verdade. Sabe o que é ser cega e chegar num ponto em que precisa de ajuda para ir ao banheiro fazer as necessidades, tomar banho. Ela vivia boa parte dos últimos tempos deitada, pois nem andar dava mais conta. Mas eu lembro da sua devoção ao ouvir a santa Missa. Fazia o sinal da cruz – nos últimos tempos com certa dificuldade; respondia, rezava junto. Rezava antes das refeições. Uma vez tive a graça de presenciar a Ministra Extraordinária da Sagrada Comunhão levando a Comunhão para ela. Que alegria! Que devoção ao receber Jesus Eucarístico. Eu enxergo, caminho, posso ir e vir, e não sei se amo Jesus como ela. Com certeza minha avó amou Jesus de maneira abundante. Quando tocava no nome de Frei Damião então. Eita! Recordava do passado, lembrava das santas missões. Falava do meu avô, falecido em 93. Que alegria a devoção de uma família verdadeiramente católica. Meu avô permaneceu até o fim da vida com minha avó, minha avó até o fim da vida dele com meu avô; ambos com os 12 filhos. E os anos de viuvez? Passou com Cristo na Cruz.
Ah, meus irmãos, você pode mostrar quantas matérias de idosos que querem ser jovens, mas eu não troco o meu exemplo de ser humano, da minha avó na Cruz – a minha guerreira do monte da oração – por nada. E se esses exemplos são poucos, peçamos ao Senhor que nós – tu e eu – possamos ser velhinhos devotos, e não marmotas ambulantes.
Finalizo dizendo como finalizou a vida terrena da minha avó: Ano da Misericórdia; em um sábado confessou; no domingo levaram a comunhão no hospital; na segunda, véspera de Nossa Senhora da Luz, já em casa, faleceu entre 11h e 12h; na terça, dia de Nossa Senhora da Luz, as 15h, hora da Misericórdia, teve a celebração da Missa de Corpo presente.

Isso é loucura e bobagem para os pagãos, para os que creem, porém, é a verdadeira sabedoria. É entrar para a verdadeira vida. O Céu nos espera! 

Um comentário:

  1. Salve Maria! Lindo testemunho de fé e de vida, caro Anderson. Realmente é uma bênção ter nos idosos da família modelos de uma vida cristã, profundamente católica. Deus te abençoe sempre e à sua família. Paz e Bem!

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