domingo, 10 de abril de 2016

Admire os meios, mas não inveje os fins!


Você tem sonhos? Quais são as metas que você traçou para sua vida? Quais são seus objetivos profissionais? Não, este não é um texto motivacional, necessariamente, mas devo fazer essas perguntas para fazer outra: o que você tem feito para alcança-los?
           Gostaria de expor algumas reflexões que tenho feito sobre a vida, sobre como temos educados as crianças e jovens sobre o sentido da vida, da busca dos seus objetivos. Nós vivemos numa era digital, num mundo em que reina a tecnologia; porém, ao invés de esta nos impulsionar, parece que ficamos estagnados. A minha geração (tenho 23 anos) tem muitas facilidades que as passadas não tiveram. Mas ao invés de isso servir para que nós pudéssemos dar mais de nós, dar o sangue, dar a vida naquilo que dá sentido a nossa vida, não, nós, muitas vezes, apenas sonhando. Eu vejo que, infelizmente, não só a minha geração, mas os sobreviventes da passada, foram contaminados pelo vírus do comodismo, do jeitinho brasileiro, ou do “eu quero ter, mas não quero lutar para ter licitamente”. Por isso, se a preguiça vos consome em ler este texto por inteiro, aprenda pelo menos o seguinte: admire os meios (lícitos), mas não inveje os fins!
         Se você continuou a leitura, seja porque não está com preguiça, ou porque não entendeu a última frase grifada, eis a explicação: você não pode apenas olhar pessoas bem-sucedidas, que tenham bons salários, e ficar sonhando em ganhar toda dinheirama e como gastá-la; não deve invejar aquele antigo colega de escola que estudou com você e agora está numa Universidade Federal ou numa Particular trabalhando duro para pagá-la, ou o colega que já concluiu o curso e está com o diploma; nem ficar invejando aquele empresário bem sucedido, reclamando da vida porquê aquele tem e eu, diz o invejoso, não. Não. Não deves, tão pouco, ficar invejando os colegas que passaram num Concurso. Não deves entregar-te à inveja! Olhe para tal pessoa e ADMIRE os meios. Ora, teu colega passou num concurso? Estude, se ele foi capaz, você também é! Teu colega passou numa Universidade Federal? Ora, pois, estude, se ele conseguiu, você também consegue. Fulano conseguiu se tornar um empresário de sucesso? Faça como ele: trabalhe duro! Ora, ou você acha que todos os empresários bem-sucedidos acharam uma árvore de dinheiro?
            Para exemplificar: não seja tolo de olhar o Silvio Santos e ficar invejando-o por ter se tornado um dos maiores empresários do Brasil. Admire, no entanto, os meios que ele empreendeu: trabalhou duro! Para quem não sabe, Silvio era Camelô.
            Porém, no mundo globalizado, onde a informação chega rápido; vemos chegar junto com as notícias, as músicas ostentação e coisas do tipo. E os jovens não mais dão o sangue para empreender naquilo que tem potencialidade, mas, pelo contrário, ficam apenas murmurando. Querem ser ricos, mas nem a Carteira de Trabalho tiraram, pois papai e mamãe cuidam de tudo. Aliás, a própria educação para o dinheiro tem destruído os nossos jovens. Ou melhor, é mais compreensível chama-la de “educação rumo à ostentação”. Esse é o problema. Eu quero ostentar, mas eu não quero trabalhar para que, muito ou pouco, tenha o valor do suor do meu trabalho, da minha dedicação, da devoção do meu coração dado aquilo que dá sentido a minha vida. O ter, o poder, o prazer, enfim, a ostentação não é o sentido da vida do homem. A maioria dos artistas plásticos, por exemplo, só foram reconhecidos após morrerem; isso mostra que eles pintavam, por exemplo, não pela ostentação, pela fama, mas porque aquele era o dom que Deus lhes deu.
Mas nós, não. Nós temos educado nosso sfilhos de outra maneira. Educamos na “Educação ostentação”: você TEM que ter um diploma! Você TEM que passar num concurso! Você TEM que ser bem-sucedido financeiramente! E assim, diante da preguiça vocacional que temos visto, o jeitinho brasileiro reina. Afinal, nós nem falamos e tão pouco damos testemunho da beleza e do mérito de viver os meios, só falamos que ele tem que ter o fim. Ora, para se ter o fim licitamente, de maneira ordinária, não se tem tanto prazer. Mas nós não educamos os jovens para o trabalho, mas somente para o prazer de ter, de possuir, de desfrutar. É muito mais prazeroso para um jovem de 16 anos fumar maconha e fazer sexo, do que estudar 5 horas além das aulas assistidas na escola. Mas, sabe porque nossos jovens dificilmente se tornam bons alunos? Porque independentemente de estudarem horas ou não, conseguirão seu certificado de conclusão do ensino médio. O cara que passou a adolescência toda na droga, na pornografia, etc, vai estar bem atrás daquele que passou horas estudando. Aí ao invés da pessoa reconhecer seu erro, tentar mudar, começar a estudar (porque nunca é tarde para se começar a fazer as coisas certas); não, a pessoa simplesmente amaldiçoa os que progridem, reclama que não passa nas entrevistas de emprego, reclama que na faculdade particular as provas são difíceis, etc. Mas enquanto essa pessoa não parar de invejar o fim (faculdade, concurso, emprego etc), para passar a admirar o meio (sacrifício pessoal, estudo, dedicação), pouco ou NADA mudará positivamente em sua vida.
Conheço casos, por exemplo, de jovem que não concluiu o Ensino Médio, está há anos sem estudar, e após um período de desemprego começou a reclamar do porque não passava em entrevista de emprego. Uma das frases dita por essa pessoa: “Mas para ser vendedor precisa de Ensino Médio!?”. De fato, para ser um bom vendedor não precisa de ensino médio. Mas pegando currículo com currículo, você vai chamar quem? Nessa época de crise, pessoas com ótimas experiências profissionais tem aos montes, mas, se não tenho o básico ensino Médio completo, como concorrer? Essa pessoa conseguiu um emprego, não é satisfeita com o salário, mas continua cometendo o mesmo erro: inveja o bom emprego, mas não se esforça para facilitar os meios de se ter um bom emprego. Qualquer pessoa que pensa na vida, e não no prazer momentâneo que o dinheiro pode comprar, iria dar um jeito de estudar e concluir o Ensino Médio. Você pode ir para uma Escola Pública fazer o EJA, ou mesmo fazer particular caso tenha recursos. Mas não, além do “precisa de ensino médio”, o que ouvi foi desejo de comprar um diploma. Isso mesmo. Alguém conhece alguém, que conhece uma pessoa, que trabalha numa escola... Enfim, você entendeu! Ele não fez isso, mas raciocine comigo: a pessoa está disposta a sacrificar uma quantia em dinheiro para ter um fim (diploma) de maneira ilícita, mas não tem coragem de fazer sacrifícios pessoais para ser um bom estudante, fazer a coisa certa, evoluir, crescer na vida. Sabe o que vai acontecer? Ele até pode conseguir o certificado de maneira ilícita, mas na hora de conseguir o emprego... Afinal, comprou-se o diploma, mas conhecimento não se compra, se conquista na luta (estudo). As escolas e universidades não tem cumprido seu papel educador, mas você lucra muito mais indo a ela recebendo o que podem te dar de bom, do que comprando um diploma. Na hora de mandar um email, escrever um relatório, fazer qualquer coisa... Vocês entenderam!
Se o objetivo da vida for ter um diploma, há como se comprar. Qual o teu objetivo? Tirar a CNH? Não tem conseguido passar na(s) prova(s)? Tudo bem, há esquemas para comprar carteiras falsas ou, como temos visto, esquemas para burlar o sistema e conseguir uma carteira “quente” sem ter feito as provas. Resultado: uma pessoa inapta para dirigir colocando em risco a vida de outras pessoas. Mas o que quero levantar aqui é que o problema de falsificações de certificados, de CNH’s, de fraudes e fraudes, da corrupção, enfim, é porque a nossa cultura brasileira educa para a ostentação pura e simples, para a inveja, para querer o objeto desejado, mas sem fazer os devidos sacrifícios para se conseguir aquilo. Para que estudar, fazer provas, se o Certificado de Conclusão do Ensino Médio ou a CNH, por exemplo, pode ser comprado em alguma esquina? Somos uma geração medíocre.
Ainda falando de ensino médio, você chega para algumas pessoas e fala: olha, os maiores de dezoito anos que passarem no ENEM recebem o Certificado de Conclusão do Ensino Médio. O que ela faz? “Legal”, é o que provavelmente responde. Mas se é alguém que quer conquistar seus objetivos licitamente, não importa o tempo que passou sem estudar, nem mesmo a idade que tem hoje, começa – ou recomeça – a estudar e luta arduamente para conseguir, pelo menos, o mínimo, sim, o mí-ni-mo para conseguir o Certificado. O “trouxa ostentação” o que faz? Fica: eu quero o certificado, mas não quero estudar; eu quero o carro, mas não quero trabalhar; eu quero uma família, mas não quero me sacrificar; eu quero, mas não quero. Entendem?
Enquanto as pessoas não entenderem que ficar dançando funk pelado(a) na rua, fumando maconha, cheirando cocaína, transando no meio da rua ou onde quer que seja, como loucos, não vai acrescentar em NADA a sua vida intelectual e que, pelo contrário, a vida dissoluta irá destruir a construção da sua personalidade e a realização dos justos projetos que preenchem a alma.
Aliás, se tem algum pai ou alguma mãe lendo este texto, permita-me ser direto: você acha mesmo que seu filho pode ser a potência que ele pode ser com você fazendo tudo por ele, sem deixa-lo fazer nada? A criatura recebe a comida na mão, não lava uma louça, te xinga, fica o dia (a semana, a vida) no videogame e no pc vendo pornografia ou conversando besteira nas redes sociais, é liberado por você pra ir pra balada, recebe seu incentivo pra fazer sexo, não tem um pingo de responsabilidade, no fim do ano para não reprovar e ver algum esforço na criatura você promete uma viagem ou um outro prêmio, etc.; e bum! Simplesmente você quer que daí surja um Eintein da vida! No máximo que você conseguirá com isso é que sua filha engravide, ou que seu filho faça um filho em alguma moça, e ainda terá a cara de pau de querer pagar aborto, porque sempre foi assim, criou o(a) filho(a) sem responsabilidades! Nunca vai assumir a responsabilidade! Por que? Porque somos da geração que quer o prazer, não quer a labuta. Quer o sexo, mas não quer o filho, resultado do sexo. Portanto, quando o filho não serve para a “ostentação” e significa limitações nas minhas vontades, no meu orçamento, etc, logo querem se desfazer de um indefeso. Por que? Porque só educamos para o prazer, não para a responsabilidade. Neste sentido, o sexo que outrora em nossa sociedade era próprio do tempo do matrimônio, hoje não, é algo que compra, que se tem de graça, que usa, abusa, troca de parceiro; casar para que, segundo a mentalidade atual, se se pode ter este ato antes do casamento?
É por essa e outras que nossa nação é repleta de - perdoe-me pela franqueza - idiotas! É talvez por isso que os idiotas úteis adiram tanto a movimentos socialistas; afinal, é muito melhor lutar pelo bem alheio, do que labutar para conquistar, com os próprios méritos, seus bens. É muito mais fácil ser do MST e invadir propriedades rurais, expulsar os justos trabalhadores, e tomar o que não lhes pertence.
Enquanto não destruirmos a “educação ostentação”, o “jeitinho brasileiro”, essa inveja maldita dos fins, o máximo que conseguiremos produzir será jovens alienados que transformarão o Brasil numa Sodoma. Sim, o máximo que se terá será o aumento de pessoas que gritam "Mexeu com Lula, mexeu comigo"; que que Che Guevara é herói; que acham que mostrar as tetas nas ruas, invadir templos e se masturbar com objetos religiosos e/ou em universidades é lutar pelos direitos da mulher (ou de igualdade de gênero); e gente que vai assaltar os outros porque ele (assaltante) quer ter um tênis, celular, etc., mas acha muito opressor acordar 5h para trabalhar. Que importa ter um bom currículo ou uma extensa ficha criminal, o fim (ter coisas) foi alcançado.
Bum! Acorda Brasil! Vamos educar certo! Se não mudarmos agora, o que será daqui 10 anos?

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