quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A SANTIDADE é ser fiel ao estado de vida





Salve Maria Imaculada, nossa Co-Redentora e Mãe!

O que é ser santo? Para muitos a santidade é passar a vida em longas orações. Para outros, no entanto, trata-se de labutar em demasiados trabalhos apostólicos. Mas o que de fato é ser santo?

Todos nós somos chamados a ser santos. Foi o próprio Deus que nos disse: "Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo" (Lev. 19,2). Ora, se é um pedido de Deus devemos ter em muita conta. Olhando os mandamentos que Nosso Senhor nos dá, podemos resumir a santidade em amar a Deus sobre todas as coisas e o nosso próximo como a nós mesmos. Porém, existe uma outra definição de santidade; e esta que quero trabalhar aqui.

Santidade é ser fiel ao meu estado de vida. Sim, muito simples, e muito complexo ao mesmo tempo. A prática do amar a Deus sobre todas as coisas e o nosso próximo como a nós mesmos passará por essa fidelidade ao meu estado de vida. A santidade não consiste em longas orações, simplesmente, nem em demasiados trabalhos apostólicos, mas em fazer a vontade de Deus. E a vontade de Deus para mim, no meu estado, é diferente para ti. Cada um deve corresponder ao seu chamado.

Há pessoas que acham que por rezarem mil Ave Marias diárias, por exemplo, são santas. Mas um leigo que até chegue a rezar tudo isso, mas não é fiel no seu estado de vida, pode ser chamado santo? Digamos que um jovem tenha feito o propósito de rezar um rosário completo (4 Terços) por dia; porém naquele dia sua mãe pede-lhe que lave a louça porque está muito cansada. Porém esse jovem que acha que ser santo é rezar muito, já rezou 3 terços, mas não vai lavar a louça porque se não não poderá cumprir seu propósito de rezar um rosário completo. Um jovem que é fiel na sua vida de oração sadia e na suas tarefas, esse é santo; não aquele que esconde a preguiça sob o véu da piedade.

Da mesma forma este que reza mil Ave Marias agora se preocupa porque ao fazer faculdade não poderá mais fazer suas devoções. Ora, se foi Deus que te fez o chamado a fazer tal e tal curso, pois quer usá-lo como instrumento, estudar não irá te afastar dEle. Muito pelo contrário. "Ah, mas não poderei fazer minhas longas orações". Jovem, anta piedosa, Deus não está te pedindo que reze Mil Ave Marias diárias, mas que tenha uma vida de oração saudável e frutuosa que te leve a fidelidade no teu estado de vida. Ora, não reze Mil, reze um Terço diário, faça visitas - mesmo que rápidas - ao Santíssimo, medite, enfim, e estude/trabalhe. 

Não podemos agir de maneira auto piedosa "ai, eu adorava por 10 horas quando mais jovem... hoje, dou conta mais não". Se antigamente se rezava por longas horas é porque é o contexto daquela realidade. Porém se você, por exemplo, é casado, você é tão santo ou mais, rezando apenas um terço diário - de preferência em família - porém sendo fiel no trabalho, sustento e educação cristã dos filhos. Se um homem ou uma mulher, casados, rezassem 10 horas por dia, mas em contrapartida fossem infiéis no sustento da casa, ou largassem a educação cristã, enfim, tivessem o lar em desordem, estaria sendo santo?

Santos como Santa Teresa de Ávila, por exemplo, foram místicos. S. Teresa, aliás, é doutora da Igreja, mestra de oração, mas a oração não a afastou das suas obrigações ordinárias do convento. Ela, na função de fundadora de convento, nunca disse "ah, hoje eu não vou viajar pra fundar mais um convento não, porque se não vai me atrapalhar na minha vida de oração". Sabe por que? Porque aí a oração tornar-se-ia uma vaidade.

A oração nos dá força para superar os problemas da vida. Mas ela não pode ser uma desculpa para eu me esconder. Se o mundo é mal, é na vida de oração e na minha ação que as coisas mudarão. Rezar não me tira a responsabilidade que Deus me deu. Entenda isso.

Uma explicação: falo para aqueles que tem vida ativa. Se ao trabalhar, estudar, só queres rezar, não vê sentido no trabalho secular, então vos recomendo que procure um vocacional, pois pode ser que sua vocação seja a vida religiosa. Talvez seja chamado a ser monge. Mas já aviso que mesmo na vida religiosa se terá trabalhos manuais. No convento vos espera, homens, uma enxada pra capinar a horta. Mas tudo se faz com espírito de oração. ISso que devemos ter. Como diria o monge S. Bento: Ora et labora - orai e trabalhai!

Da mesma forma, ser santo não é empenhar grandes trabalhos apostólicos. Vou dar um exemplo de santidade que pude contemplar num irmão pregador. É um pregador bastante famoso, prega no Brasil todo, é casado, tem 4 filhos, se não me engano. Ora, um dia ao ser chamado pra uma missão, liguei para ele chamando-o para ir também, já que pediram outro pregador junto. Ele disse-me, no entanto, que não poderia porque como se tratava de Semana Santa, ele não pegava missão para poder ficar com sua esposa e ajudá-la a levar as crianças para a Missa, já que são muitas celebrações. ISSO É SANTIDADE! Noutra vez chamei-o novamente para uma missão aqui, ele disse-me que também não poderia, pois sua esposa estava grávida já prestes a dar a luz, e ele não estava pegando missões naqueles dias para poder ficar com ela e ajudá-la quando a criança nascesse. ISSO É SANTIDADE! Por que citei este belíssimo exemplo? Porque embora seja bom e importante a missão dos leigos como pregadores do Evangelho, não adianta nada pregar mas não ser fiel ao seu estado de vida. A santidade para nós, leigos, não está em pegar missões por cima de missões, mas muitas vezes ser santo é dizer NÃO para alguns convites. Aqueles que são casados, como pregarão sobre a família se não ficam quase nada com a esposa e os filhos por causa da gana de pregar? Repito: vocês tem que pregar! Porém, precisam do dom do discernimento para saber quando Deus está chamando para pregar, e quando chama a ficar com a família. Leve-os nas suas missões, quando possível.

Por isso, irmãos e irmãs leigos, casados, pregadores do Evangelho, cuidado com os que vos  chamam para pregar e, diante de uma recusa sua para ficar com a família, dizem "quem amar pai, mãe, mulher, mais do que a mim - disse Jesus - não é digno do Reino". Afinal, isso está fora do contexto. Isso é voltado mais para quem é chamado a vida religiosa. Você é religioso? Não, é casado. ENTÃO SEJA FIEL AO TEU ESTADO DE VIDA, NÃO VIVA UMA CARICATURA DE OUTRO ESTADO QUE NÃO É O TEU. Olhe pra anta que vos disse isso e fale: o matrimônio é um sacramento, por isso o esposo, para a mulher, é JESUS; e a esposa, para o homem, é JESUS. Deus está presente. Se eu abandonar minha esposa (marido) e meus filhos, estarei abandonando o próprio Cristo.

Porque tá cheio de gente que prega pra multidões, mas não ensina uma bem aventurança para os próprios filhos. Repito: PREGUE O EVANGELHO, mas tenha discernimento.

Você não vai ser santo por pregar 10 vezes em todos os fins de semana.Você vai ser santo pregando todas as vezes que DEUS te chamar sendo fiel na viva pregação do testemunho da tua vida. Afinal, já dizia Santo Agostinho "Eloquente aquele cuja vida é uma pregação".

Salve Maria Imaculada, nossa Co-Redentora e Mãe!

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