quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Como me consagrar à Nossa Senhora? (Santa Escravidão)



Salve Maria Imaculada, nossa Co-Redentora e Mãe!

Muitas pessoas manifestam o desejo de se entregar totalmente à Santíssima Virgem Maria, querem se consagrar à Ela, mas não sabem como. Não importa como surgiu o desejo. Talvez tenha visto alguém usando uma corrente com ou sem medalha, perguntou do que se tratava. Quiça até se assustou quando alguém disse que era “escravo de Maria”. Mas logo depois, ao compreender a entrega total a Jesus por Maria, o coração se inflamou de desejo de se consagrar à esta Augusta Senhora. Talvez tenha ouvido uma pregação em que se falou sobre esta consagração, leu algum artigo, uma frase, enfim, de alguma maneira se ouviu falar da Santa Escravidão de Amor, e eis que agora quer se consagrar, porém, não sabe o que tem que fazer.

Se este for o seu caso, eis a solução:
O que fazer para me consagrar à Nossa Senhora e ser também um escravo de Amor? Você deverá seguir os seguintes passos:

1 – Ler o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, escrito por São Luís Maria Grignion de Montfort. Lembro aqui que a Igreja, por meio do Papa Pio IX, declarou este livro isento de qualquer erro doutrinal que pudesse impedir a canonização de S. Luis. Foi livro de cabeceira de santos, como S. João Paulo II; ajudou na devoção mariana do mesmo santo, assim como também na de S. Pio X, S. João Bosco, S. Teresinha, etc.

O livro é vendido na maior parte das livrarias católicas. Mas, caso não for um problema para você, pode baixar o livro e ler em pdf pelo computador. Basta clicar aqui.

2 – Fazer os exercícios preparatórios durante 1 mês. Após ler o Tratado, ficar ciente do que se trata a verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria, e estar disposto a vivê-la (sabendo que está mais no interior do que no exterior – ou seja, não apenas dizer que é escravo ou querer usar uma corrente, mas querer amar e imitar à Santíssima Virgem em todas as coisas, de acordo com seu estado de vida.), você deverá fazer os exercícios espirituais preparando-se para a consagração.

Você escolherá o dia que irá se consagrar e contará 30 dias antes dessa consagração, onde iniciará as orações que S. Luís propõe para nos preparar. Exemplo: quem for se consagrar dia 13 de maio (dia de Nossa Senhora de Fátima), inicia a preparação dia 13 de abril.

Segundo S. Luís explica no Tratado (nº 227-233), a pessoa que vai se consagrar deve seguir este roteiro de preparação:
12 dias preliminares, pedindo a Deus a graça do desapego do mundo: rezará o Ave Maris Stella e o Veni Creator
1ª semana (6 dias) pedindo a graça do conhecimento si: rezará a Ladainha do Espírito Santo, Ladainha de Nossa Senhora,
1ª semana (6 dias) pedindo a graça do conhecimento da Virgem Maria: rezará a Ladainha do Espírito Santo, Ave Maris Stella, um rosário ou um Terço.
3ª semana (6 dias) pedindo a graça do conhecimento de Jesus Cristo: rezará a Ladainha do Espírito Santo, Ave Maris Stella, Oração de Santo Agostinho, Ladainha do Santíssimo nome de Jesus.
(todas as orações estão no Tratado)
(quem quiser pode fazer as meditações contidas nesse livro, da Arca de Maria, com meditações para cada dia. Clique aqui e leia em pdf.)

3 – Confissão. Após essa preparação, S. Luís pede que se faça uma boa confissão. Afinal, se estaremos renunciando o pecado, a satanás e suas pompas, o mundo, para tomamarmos posse do senhorio de Jesus Cristo por Maria Santíssima em nossa vida, devemos confessar que, até aqui, fomos infiéis a este Senhor bondoso. E assim o escravo de Nossa Senhora deve fazer sempre, até o fim da vida: sempre que se ver caído, no pecado, não parar no seu pecado, mas correr para um padre para confessar e ser lavado no Sangue do Cordeiro. Afinal, um dos frutos da nossa consagração é o conhecimento de si, ou seja, iremos ver a nossa miséria, nossa pequenez, mas, não podemos para na nossa miséria, devemos adentrar na misericórdia de Deus que, por pura Misericórdia, através de Sua Mãe Maria Santíssima, quer nos fazer santos. A Misericórdia de Jesus, nosso Deus, é capaz de fazer dos maiores pecadores da face da terra, grandiosos santos.

Enfim, recomendamos que se faça uma confissão geral, ou seja, da vida toda. Não é S. Luís que escreve isso, é apenas uma recomendação. Se achar necessário, se a realidade de onde você mora permitir que faça uma confissão geral, faça, será de grande valia.

4 – Render um tributo a Jesus e a Maria. O que seria isso? Seria fazer uma penitência, um jejum, uma esmola, enfim, algum sacrifício em honra a Nosso Senhor e a Nossa Senhora. Também em expiação pelos nossos pecados. S. Luís escreve isso no nº 232 do Tratado, e citei-o aqui apenas para não omitir. O santo não diz ser algo obrigatório, apenas diz que “será bom”, ou seja, é louvável que se faça isso, mas, se suas condições não permitem, não há problema. Embora recomenda-se vivamente a fazer.

5 – Consagração solene. Após toda essa preparação enfim é chegada a hora de se consagrar. Muita gente acabou criando mitos sobre consagrar-se e montou-se uma barreira que muitos não conseguem derrubar. A consagração é algo pessoal. Portanto, segundo o que está escrito no Tratado, a pessoa que vai se consagrar deve ordinariamente fazer o seguinte:
- assistir a Santa Missa
- Comungar
- Após a comunhão recitar a fórmula de consagração que S. Luís, por inspiração divina, compôs.
- Assinar no final da fórmula (você pode tanto escrever a fórmula a mão ou imprimi-la).

Pronto, é isso. Simples. Seguiu os pontos acima? Escravo de Nossa Senhora! O que passa disso é invenção.

Depois de consagrar-se, você, caso for usar a corrente, procura o padre para que ele abençoe.

***
Esclarecimentos:
E onde não há Missa?
Obviamente o roteiro acima é o ordinário que devemos seguir. Sabemos de vários lugares em que a realidade é cruel espiritualmente. Há lugares, aqui no Brasil mesmo, que passa meses sem Missa. Até Missa de ano em ano. Não somos legalistas. E a consagração à Nossa Senhora é um ato de entrega de si mesmo. Não havendo Missa no dia, faça a preparação normal, se não há como se confessar, faça uma contrição mais profunda que puder, peça perdão dos pecados, enfim, e diante de uma imagem de Nossa Senhora, a mais simples que tiver, se tiver, recite a fórmula de consagração. Pronto, será escravo tanto quanto quem fizesse no Vaticano numa Missa com o Papa.

Meu pároco não aceitou me consagrar, o que faço?
Como afirmado acima, a consagração é pessoal. Ou seja, é você que está se consagrando inteiramente à Jesus por Maria. Não é um sacramento, que alguém lhe ministra. Não, é você que está se entregando. Como S. Luis ensina, você vai pra Missa normal, a Missa da sua paróquia mesmo, talvez sem tanto zelo litúrgico - mas é a Missa! - e comungue. E após Comunhão recite a fórmula.

É bom e louvável que se faça a consagração em grupo e em público, ou seja, assim como acontece em muitas paróquias: o padre chama as pessoas que se prepararam para ir à frente e, diante da assembleia, todos, a uma só voz, recitam a fórmula. Mas isso é uma graça extraordinária. Se Deus permitir, bendito seja. Se Deus não permitir, bendito seja. Se o padre não autorizar isso, não vá chorar e reclamar com o padre. A consagração é você, Jesus e Maria sozinhos.

-O padre tem que assinar a fórmula?
Não. Isso é facultativo. Quando me consagrei, em 2011, pedi para o sacerdote assinar. Mas não é obrigado. Quem tem que assinar é você.

-Falhei nos exercícios espirituais, posso seguir a preparação e me consagrar ou adio?
Pode seguir normalmente. Afinal, não podemos ser legalistas. Se houve uma falha, um esquecimento, ou os trabalhos do dia te dispersaram, continue de onde parou. O demônio sempre inspira falso zelo naqueles a quem ele quer afastar dessa entrega total à Santíssima Virgem, afinal, ele sabe o quanto está perdendo. Se o mundo todo se consagrar por este método, ele estará perdido, será o triunfo do Imaculado Coração de Maria.

Exemplos: conheço uma jovem, por exemplo, que ia se consagrar em tal festa de Nossa Senhora. Eis que ela acabou se esquecendo do dia que começava a preparação, quando se deu conta estava 1 dia atrasado. E por causa de um dia apenas de atraso, ela adiou e, até quando a via, não tinha se consagrado. Outros que julgavam-se não ter se preparado direito não se consagraram para se preparar melhor depois, resultado: até quando via esse jovem, também não tinha feito. Na realidade é um falso zelo que o demônio inspira.

-Depois de consagrado, quais minhas obrigações?
- Conforme S. Luís ensina no Cap. VIII, as devoções exteriores que nós não podemos negligenciar, são: rezar todos os dias a Coroinha de Nossa Senhora (composta por 4 Pai-nossos e 12 Ave Marias em honra os 12 privilégios da Santíssima Virgem), 1 Terço, e recitar o Magnificat.

Claro que não devemos fazer com espírito de obrigação, mas por amor. Mas devemos nos esforçar para amar e recitá-los. Não podemos negligenciar. Devemos tentar ser fieis.

- Sou obrigado a participar de um grupo para me consagrar?
Não. A consagração é pessoal. São João Paulo II, São João Bosco, enfim, os santos consagrados à Santíssima Virgem, não participaram de grupos de consagração. Embora, para melhor compreensão, recomendamos vivamente que se participe de grupos que verdadeiramente ensinem o que S. Luis aborda no Tratado.

Disse que não é obrigado participar de grupos porque uma jovem veio me perguntar sobre isso, afirmando que uma pessoa da sua cidade disse que ela não poderia se consagrar pois ela devia participar das formações do grupo. Só que a jovem tinha compromissos que a impediam de ir para a formação. Isso é invenção. O grupo é apenas para ajudar as pessoas a compreenderem o Tratado naquilo que elas tem dúvidas, não é para prendê-las. A pessoa le o tratado, se prepara, reza, mas não pode se consagrar porque não foi pras formações do grupinho? Teve consagra-te no Carmelo pra S. Teresinha se consagrar? Então em vez de nós nos tornarmos apoios para essas pessoas, impedimos que elas adentrem na graça. Façamos grupos, consagra-tes, enfim, divulguemos o tratado, mas se encontrar alguém que não possa ir nas formações, seja pastor, e não lobo, diga: irmão, irmã, leia o tratado, se tiver qualquer dúvida, nos procure. Tentaremos gravar o áudio das formações (se for possível) e se quiser te passamos. Mas qualquer dúvida pode falar conosco.

Embora os grupos, bem formados, são necessários para que as pessoas não façam besteiras relativizando a consagração sem vivê-la de fato. Mas não é por isso que devo impedir que uma pessoa se consagre, mesmo tendo lido o tratado, rezado, e com disposição para vivê-la. Aliás, a consagração é pessoal, faz-se sozinho após a comunhão. Os que se fazem “donos” da consagração nem vão ficar sabendo.

***

Mas reconheço que a falta de formação pesa contra a Santa Escravidão em alguns lugares. Seja por consagrados que causam escândalo por exageros que não condizem com o Tratado em si, ou por pessoas que se consagram sem nem mesmo ler o Tratado, continuando na vida de pecado, sem pelo menos o desejo mínimo de mudança de vida. Portanto, aqui no blog estou postando os links dos videos da formação Online para consagração à Nossa Senhora. São 14 videos abordando os 8 Capítulos do Tratado. Depois será postado alguns bônus de temas correlacionados. Clique aqui e comece assistir agora mesmo. Ajude a divulgar, principalmente para aqueles que moram em regiões onde não há turmas de formação, ou para pessoas que não podem ir a essas turmas.


Salve Maria Imaculada, nossa Co-Redentora e Mãe!


terça-feira, 24 de novembro de 2015

A Misericórdia supera a nossa miséria

S
alve Maria Imaculada, nossa Co-Redentora e Mãe!
Uma partilha feita em uma vigília. Lembremos que a Misericórdia de Deus supera a nossa miséria. Deus pode pegar a miséria do nosso pecado e transformar em misericórdia. Ele pode pegar o maior pecador do mundo - como tu, e eu - e fazer um grande santo pra Igreja.
Claro, ninguém dá conta de ser santo. Ninguém. Mas é aí que entra a Misericórdia: é Ele que dá conta em nós. É a Misericórdia de Jesus que se manifesta na nossa miséria.

Levítico 19,2 diz: Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo.
Mas, Deus sabendo que não somos capazes por nós mesmos, diz: Eu sou o Senhor que vos santifico (Levítico 20,8). 
Ou seja, é tudo graça dEle. É a Misericórdia. Se caiu uma vez, levante duas. Lute até o fim da vida contra o pecado. Deus é contigo. Como diz o Papa Francisco, não é Deus que se cansa de perdoar, somos nós que nos cansamos de pedir perdão.
Lute até o último suspiro. Lute, se cai, peça perdão. Mas não desista. Não pare na sua miséria! Seja corajoso. Se somos pecadores, sejamos pecadores corajosos que são viris o suficiente para reconhecer o pecado, pedir perdão e lutar para não mais cair; caiu de novo, mas arrepende-se, luta, reage... Até o fim da vida será luta.
Por isso nos ensina São João Paulo II: santo não é aquele que não cai, mas aquele que se levanta após cair.
És pecador? Miserável? Ótimo! Já se conhece. Agora conheça a Misericórdia de Deus que é maior do que todos os teus pecados e os da humanidade juntas.

Ps: você que é consagrado à Nossa Senhora e luta contra teu pecado, se acha miserável, está triste com isso... Lembre-se que uma das graças da Santa Escravidão de amor à Nossa Senhora é o conhecimento e o desprezo de si mesmo. Parabéns, Nossa Senhora está mostrando o que és por ti mesmo. Agora abandone-se nas entranhas da misericórdia de Cristo e, à exemplo de uma criança recém nascida que suga o leite do seio de sua mãe, estejamos com a boca no lado aberto de Cristo sugando o Sangue e a Água que jorrou do Seu Coração para nos dar a vida.

Pensamentos de S. Josemaria Escrivá sobre o Terço


No famoso livro "Sulco", escrito por São Josemaria Escrivá, o santo traz alguns pensamentos edificantes a respeito da oração do Santo Terço. Josemaria trouxe Nossa Senhora além de seu nome, foi um grande devoto da Virgem Mãe de Deus. Eis aqui algumas frases contidas no seu livro que nos ajudará a trilhar o caminho de santidade com o auxílio da Virgem Maria. Se o Terço foi oração fundamental na santificação de S. Josemaria, seremos nós a omitirmos? Não. Avante. Rezemos!

***

474 Para que os empregam como arma a inteligência e o estudo, o terço é eficacíssimo. Porque, ao implorarem assim a Nossa Senhora, essa aparente monotonia de crianças com sua Mãe vai destruindo neles todo o germe de vanglória e de orgulho.

475 “Virgem Imaculada, bem sei que sou um pobre miserável, que não faço mais do que aumentar todos os dias o número dos meus pecados...” Disseste-me o outro dia que falavas assim com a Nossa Mãe. E aconselhei-te, com plena segurança, que rezasses o terço: bendita monotonia de ave-marias, que purifica a monotonia dos teus pecados!

476 Uma triste forma de não rezar o terço: deixá-lo para o fim do dia. Quando se deixa para o momento de deitar-se, recita-se pelo menos de má maneira e sem meditar os mistérios. Assim, dificilmente se evita a rotina, que afoga a verdadeira piedade, a única piedade.

477 Não se pronuncia o terço somente com os lábios, mastigando uma após outra as ave-marias. Assim mussitam as beatas e os beatos. - Para um cristão, a oração vocal há de enraizar-se no coração de modo que, durante a recitação do terço, a mente possa adentrar-se na contemplação de cada um dos mistérios.

478 Sempre adias o terço para depois, e acabas por omiti-lo por causa do sono. - Se não dispõe de outros momentos, reza-o pela rua e sem que ninguém o note. Isso te ajudará também a ter presença de Deus.

domingo, 22 de novembro de 2015

SENTIMENTO X FÉ


Quem não sofre, sofrerá com a aridez espiritual. Essa é uma forma que Deus se utiliza para purificar a nossa alma. No período de deserto, onde não sentimos Deus (como normalmente se fala) é o tempo de procurarmos. Ou, no ensinamento de S. Teresa, o tempo em que nós passamos a procurar a água no poço. Uma hora chegará a água.
Mas é preciso ter consciência que o sentimento, o gozo, enfim, isso passará. Deus faz-nos apegarmos ao essencial da fé. Não aos sentimentos. Muitas pessoas ficam perdidas na sua vida espiritual por conta dos sentimentos. Não importa tua vocação, tua espiritualidade, o rito da Missa que você assiste, os livros que lê, nada disso importa! Todos nós, cristãos, passaremos pelo deserto da alma.
Um dia você chegará no grupo de oração e não sentirá mais o que você sentia? Arrepios? Repouso? Não, vontade de ir embora! Vai fazer adoração, oração pessoal... Um peso só. Faz tudo arrastado. Não tem gosto mais. Um dia você ouvirá o Canto Gregoriano e não sentirá mais aquele gozo, aquela paz imediata que sentia outrora; chegará na Missa Tridentina e sentirá inquietações... Vixe, até mesmo o entrar na Igreja causará incômodo, e não mais o gozo, alegria suave que sentia antes. Todas as obrigações do exercício da fé se tornarão um peso. Mas por quê? Simples, Deus está purificando. Não podemos servir aos nossos sentimentos, mas ao Deus que, por vezes sim, inspira tais sentimentos de gozo e alegria. Os maiores míticos da Igreja passaram por desertos terríveis. Se só formos pra Igreja quando sentirmos algo, quando repouso, quando sinto paz ao ouvir um canto gregoriano, quando escuto tal ou tal cantor, enfim... Estaremos amando e servindo não a Deus, mas aos nossos sentimentos. Amar a Deus, e não somente o que recebo de Deus apenas.
Ou nós compreendemos que TODOS passaremos pela purificação da alma, por meio da aridez, ou teremos um monte de gente pulando pra fora da Igreja. Carismáticos, anticarismáticos, enfim, vemos gente de espiritualidades diferentes que, de repente, perdem a fé. "Ah, deixou de sentir Deus". E tudo que já sentiu? Precisa de mais para crer e prosseguir até a glória? Claro, Santa Catarina de Sena ensina que se na oração Deus visita (no caso uma graça, um gozo, algo mais elevado), a pessoa não deve resistir. Mas só porque não senti o que queria vamos abandonar a fé? As vezes passamos 6 meses sem sentir consolações; a pobre S. Teresa passou 20 anos. E a Virgem dolorosa no Calvário? E a dor da Virgem durante anos da ascensão de Cristo à Sua Assunção? Quanta saudade do Seu Jesus! Ah, quanto somos birrentos e mimados! Que a Virgem nos comunique Sua fé e nos ensine a sermos santos. Fica conosco Virgem Maria, para sermos vitoriosos na cruz da nossa purificação.
‪#‎VivaCristoRei‬

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Quando os heróis brigam entre si...


Ainda não terminei a leitura do livro O Hobbit, escrito pelo grande Tolkien; mas há algumas coisas na história que me chamam a atenção e faz meu coração arder para meditá-las desde já.

Os anões, auxiliados pelo mago Gandalf, escolhem Bilbo Bolseiro para ajudá-los na missão de vencer o grande dragão. Bilbo, que era um Hobbit, não era um homem com grandes qualidades para as aventuras que estariam por vir. Era um ser acomodado, chego a dizer até vivendo na mediocridade, sem muitas emoções. Seria aqueles casos, como dizem por aí, racionalmente seria o último a escolher para ir lutar contra fortes inimigos. Uma pessoa aparentemente incapaz.

Talvez você se pergunte o porque estou fazendo uma introdução do enredo da história do Hobbit – e de fato tem que se perguntar mesmo! Tolkien, em sua genialidade, deixa claro que Bilbo não era a melhor pessoa (olhando do ponto de vista das grandes lutas a travar somado a falta de preparo de Bilbo); mas num diálogo entre um anão (Thorin) e Gandalf, fica evidente o do porquê Bilbo foi escolhido e não alguém mais “preparado”. Após o anão dizer um plano muito difícil de se passar pela montanha, Gandalf lhe diz:

Isso não adiantaria nada - disse o mago -, não sem um Guerreiro valente, até um Herói. Eu tentei achar um, mas os guerreiros estão ocupados lutando uns contra os outros em terras distantes, e por estes lados os heróis são raros ou simplesmente impossíveis de encontrar.”

Meus queridos leitores, esse trecho arde em meu coração, me traz confusão, embaraço, vergonha, pois é a triste realidade dos ditos cristãos. O Papa Bento XVI dizia que a Igreja existe para conter o avanço do inferno na terra. Ora, é uma grande missão a da Igreja, não? Precisa-se, portanto, de heróis, valentes guerreiros. Mas, tristemente, como diz Tolkien na história do Hobbit, os heróis estão ocupados lutando uns contra os outros.

Os heróis viram a Europa ser secularizada, mas nada fizeram porque se auto-gladiavam; vimos (vemos) a mesma Europa – quase todo ocidente, para falar a verdade – ser islamizado, mas nada fazemos. Por quê? Porque depositamos todas as nossas energias em lutar uns contra os outros. A nossa Comandante, a Soberana Rainha do Céu e da Terra, a Imaculada Virgem Maria, vem nos dar ordens expressas para lutarmos, não uns contra os outros, mas contra o inimigo, usando suas armas: Terço ou Rosário, Comunhão, Oração, jejum, penitência, Confissão... Mas, até isso servia apenas para lutarmos uns contra os outros. O amado Jesus, o Rei Soberano do Universo, da qual devemos adorar, e da qual nos dá a vitória em todas as batalhas se formos lutar sob o poder do Seu Santo Espírito, nos deu a espada da vitória: a Palavra de Deus. Disse-nos que pregássemos o Evangelho a toda criatura, batizasse-as e seriam salvas. Ou seja, guerrear contra o pecado, contra o demônio, contra o mundo, contra a ignorância. Fazer Cristo conhecido, amado e adorado em todo o mundo. Este é um trabalho de heróis, de guerreiros. Porém, os guerreiros lutavam – lutam ainda, bando de antas! - uns contra os outros. E até as armas para vencer o demônio e salvar almas, fazendo a Igreja avançar, é usada para se auto-gladiarem.

Todos nós, batizados, somos ungidos por Deus para sermos heróis! Sim, seus guerreiros nesse mundo. Salvar almas. Evangelizar. Rezar! Rezai! Mas sabe-se lá o porquê, o inimigo infernal faz com que o fim das nossas ações não sejam mais levar as pessoas para Deus, mas atacarmos uns aos outros. Assim, a Igreja que tem a missão de conter o avanço do inferno na terra, vê o inferno ameaçar até os seus. A Igreja não, aliás, sejamos honestos, os que se dizem ser seus filhos.

Não é essa a realidade de uma geração tomada pelo orgulho? Conhece a salvação e guarda-a para si. Ou mesmo uma geração que vive em plenitude a parábola dos talentos, onde por medo (aqui escrúpulo) do seu Senhor, enterra-o não fazendo frutificar, e ao devolver ao seu Senhor é repreendido. Recebemos os dons, mas vivemos na superficialidade de não querer avançar a montanha, vencer o dragão, mas, mesmo com o dom, queremos apenas murmurar por aí.

Não sei bem expressar o nome do sentimento que sinto ao ver os católicos lutando entre si. Talvez tristeza, raiva, revolta. As vezes um pensamento do tipo “que merda vocês estão fazendo!?”. Ah, como é angustiante ver muitas... Muitas... Muitas pessoas que são chamadas por Deus para serem guerreiras se entregando a mediocridade de apenas ficarem lutando contra seus irmãos de mesma fé.

É isso que sinto quando, por exemplo, vejo a insanidade de alguns grupos imbecilizados, criarem dois tipos de católicos (aliás, é isso que sabem fazer, apenas, dividir. E Jesus mesmo já disse que todo reino dividido contra si mesmo...). Quantas vezes chegam para mim e perguntam-me: você é católico tradicional ou carismático? A minha resposta é: eu sou Católico Apostólico Romano. Dói o coração ver que tem pessoas que passam a vida a ficar nas redes sociais batendo de frente umas com as outras. “Vocês são modernistas, hereges, protestantes, loucos, sentimentalistas” dizem um lado; o outro retruca “vocês são contra a Igreja, o Papa, quer falar o que? São velhos, ultrapassados...” E quem está com a verdade? A verdade é Jesus. E em 1Timóteo 3,15 vai dizer “A Igreja é coluna e sustentáculo da verdade”. Aí vamos a Igreja e... Opa, todos são católicos no tocante a sua espiritualidade, vocação, enfim. Em vez de gastarmos energia para evangelizar os jovens que estão se afundando no mundo das drogas, nos rocks satânicos, bêbados, na sexualidade desregrada, na prostituição; homens e mulheres no adultério, com lares sendo destruídos; pessoas perdendo a fé... Enfim, em vez de sair pelo mundo e anunciar a fé para os não crentes; os heróis (que tem a fé e o dom de transmití-la), ficam na internet querendo provar que a Missa de Paulo VI é inválida, que o CVII não presta, e que o Papa é isso ou aquilo. São, em suma, um bando de antas. Os carismáticos também são outro bando de antas. Eles tem a missão própria de ir evangelizar (mais Kerigma). E em vez de ir fazer isso ficam entrando nesses debates que não levam a lugar algum senão a inimizades. E até, por ignorância, chegam a condenar coisas da tradição, da liturgia, enfim, sem nem saber o que faz; enquanto deveria condenar a antice dos radtrad. Aí fica um com barreira com o outro. Sou carismático, vivo a minha fé católica, minha espiritualidade, e não preciso ficar dando satisfações pra seu zé-ninguém. Ficar nessas bobagens é cosia de quem não tem o que fazer. Os heróis devem anunciar o Evangelho para quem não crê. Mas o que os heróis têm feito? Tem discutido o que é melhor: Missa de Paulo VI ou de Pio V? Não seria interessante os heróis deixarem de birra e irem anunciar o Evangelho para aqueles que nunca foram a uma Missa? Ou mesmo que foram mas nem sabem do que se trata. Gente! Uma pessoa que mora perto daqui, cliente da minha mãe, foi a uma Missa na segunda feira. Até aí, normal. A pessoa que foi com ela veio comentar depois que ela estava perguntando o que era uma missa. Essa mulher, 20 anos de idade, não sabe o que é uma Missa. Mas, como saberá se os heróis não vão ensinar?

Ah se nós assumíssemos o nosso papel de heróis. O mundo seria católico! Com toda certeza! Seria! Citei o exemplo de carismáticos e pseudotradicionais (porque como disse um amigo: “Católico Tradicional” é pleonasmo. Não se pode ser católico e negar a Tradição, Magistério e a Sagrada Escritura) porque é algo corriqueiro na internet. Mas essa briga entre si vale para grupo contra grupo, movimento contra movimento, etc. Ah se os heróis fossem unidos, sob o manto de seu Senhor, como venceriam o mundo.

Por isso Bilbo foi escolhido. E é por isso que muitas vezes vemos Deus escolher para grandes missões homens e mulheres que, humanamente falando, são incapazes de fazer aquele trabalho. Homens e mulheres analfabetos ou semianalfabetos, que não sabem falar direito, sem classe, com um monte de problemas, com defeitos visíveis, ignorantes, mas com o poder do Espírito Santo. Talvez fosse um herói culto a desempenhar aquela missão, mas este preferiu brigar com outros heróis. Então Deus escolhe os fracos para confundir os fortes. Poderia citar nomes, por mais que meu interior peça, não os citarei, pois sei que você, leitor, saberá ver quantos Bilbo's você conhece que são capacitados heróis confundindo toda a lógica humana.

Uma vez um rad-trad da vida comentou, reclamando neste blog, que a RCC enchia os bancos da Igreja com gente sem qualidade. Mas não era pra isso mesmo que Jesus enviou os Apóstolos a pregar? Para que todos os sem qualidades, ou seja, os pecadores se convertessem? Depois adquirem a qualidade (virtude) e seguem. Mas, por outro lado, se demoram a adquirir essa qualidade desejada, não seria porque faltam-lhes heróis para transmiti-la? É, se esse herói gastasse energia tentando salvar essas pessoas em vez de criticar outros heróis... É, acho que entenderam o recado.

No mais, meus queridos, vemos um mundo secularizado, paganizado, onde vemos Cristo e Sua Igreja sendo achincalhada; possamos, portanto parar de lutarmos uns contra os outros, e assumir a vocação particular que Deus nos deu, colocando-nos a serviço do Reino de Deus. Assumamos a graça do Espírito Santo em nossas vidas. Assim cumpriremos o que Santa Catarina de Sena dizia: Jovens, se forem o que deveis ser, incendiareis o mundo. Ou ainda: se morro, morro de amor pela Igreja. Por um mundo com mais Catarinas de Sena, Teresas de Ávila, Franciscos de Assis, Joões Paulo II... Chega de novos Luteros dentro da Igreja! Precisamos de santos. Ficar brigando uns contra os outros não ajudará a Igreja (Roma falou causa encerrada – dizia Santo Agostinho. Obedeçamos a Igreja, não aos nossos achismos ou gostos pessoais. A briga aqui não é porque um “católico” diz ser comunista, sendo que a Igreja proíbe, aí não, ai deve-se denunciar o lobo; a briga é que um católico briga com o outro por ele ser católico: católico significa universal, portanto, aquilo faz parte da Igreja. Aí por conta da espiritualidade, da liturgia aprovada pela Igreja, pelo jeito da outra pessoa, ficam-se gladiando... Aff), o que ajudará a Igreja é a santidade. Fecha a boca e seja santo logo. “Só sendo santa serei útil a Igreja” (Santa Faustina)

Ps: nessa onda de heróis lutarem contra heróis, até o Padre Paulo Ricardo virou herege na mente dos recalcados rad-trad's, pelo fato dele pregar na Canção Nova. Normalmente os heróis malucos são assim: X está ruim, aí aparece alguém em X fazendo algo bom, aí o orgulho não deixa elogiar, X e o alguém não presta. Como diria Chesterton:  "O fanatismo consiste em um homem convencer-se de que outro deve estar errado em tudo, pelo fato de estar errado em alguma coisa." No nosso caso, a CN, a RCC, para os rad-trads, estam erradas em tudo (até quando leva o Padre Paulo), porque está errada em alguma coisa. E a lógica também vale pro contrário. Há quem se afaste dos ares da tradição, porque pseudo tradicionais estão errados em alguma coisa. Enfim, não sejamos heróis fanáticos; sejamos santos. Sejamos católicos! Ah! se nós tivermos a unidade na santidade!!!


Salve Maria Imaculada, Mãe da Igreja!

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

ABORTO POR CAUSA DA POBREZA?







Salve Maria Imaculada, nossa Co-Redentora e Mãe!

Graças a Deus o povo brasileiro é pró-vida. Porém, vemos pequenos grupos fazer defesa explícita do “direito” de matar seres indefesos. Embora nenhum argumento pró-aborto seja plausível o suficiente para se justificar a matança de crianças, há alguns que me causa horror ao ver a demência a que o ser humano chegou. O aborto em si, aliás, já é um sinal claro da bestialidade em que a sociedade chegou. Afinal, como ensinava Madre Teresa de Calcutá "Eu sinto que o grande destruidor da paz hoje é o aborto, porque é uma guerra contra a criança, uma matança direta de crianças inocentes, assassinadas pela própria mãe. E se nós aceitamos que uma mãe pode matar até mesmo seu próprio filho, como é que nós podemos dizer às outras pessoas para não se matarem?”

Mas o pseudoargumento que me causa horror é a falácia de que se deve aprovar o aborto para evitar que a criança seja mais uma pessoa sofrida, pobre, na miséria, na sarjeta; ou mesmo matemos a criança no ventre – defendem alguns – para evitar que venha a ser mais um bandido (ligando pobreza à bandidagem, como se uma coisa fosse consequência da outra). Que bom saber que, na verdade, o feminismo assassino não quer o mal da criança, mas o seu bem! Puxa vida! Que felicidade! Fiquei muito mais tranquilo agora. Afinal, eis a solução para os nossos problemas: pra evitar a pobreza, matem! Problema resolvido com sucesso. É pensando no “bem” da criança que matam-na no ventre materno. De fato, quando chamam feministas radicais de “feminazis”, é uma grande injustiça, elas só querem o bem infantil. (entendam a minha ironia, por favor).

Essa lógica só podia mesmo vim de setores esquerdistas que, à exemplo do Governo do PT, resolve o problema da pobreza abaixando a linha que se considerava Classe Média. Todos continuam pobres, mas na lista do Governo é classe média. Na mesma linha de “redução de danos”, para evitar que tenha um pobre, mate-o. Nossa, que genial. Não foi um humano que teve essa ideia, é algo sobrenatural. Como Deus é um Deus da vida, essa ideia deve ter sido inspirada pelo diabo.

Em todo caso se as pessoas defendem que uma mulher pobre aborte simplesmente por conta de sua pobreza, para que a criança não corra o risco de ser mais um pobre, vemos claramente uma aceitação da desgraçada ideologia eugênica. A eugenia desgraçou com a Alemanha incentivando a matança de judeus. Aqui também, o ódio velado à pobreza (ou ao pobre?) faz com que se faça uma carnificina de crianças que para alguns não são pessoas, para outros não devem nascer para não sofrer. E aqui nós podemos ver a tamanha cegueira dos defensores dessa teoria: esta PESSOA no ventre de sua mãe (que deveria ser o local mais seguro para ela) além de estar fadada a privação de bens materiais – pelo menos de maneira momentânea -, também perderá o seu direito inalienável à vida? Já não basta estar num lar pobre, ou mesmo não ter um lar; essa pessoa não tem nada materialmente, talvez até lhe falte os pais (adoção), além do sofrimento (que todos estamos sujeitos) querem lhe furtar o seu direito maior: direito de viver! Pior do que não ter dinheiro, não ter pai, não ter bens, é não ter história. Pais? Poderá ser adotada, Deus suprirá a falta de alguma maneira. Dinheiro? Com o tempo ela poderá trabalhar e conquistar dinheiro, bens. Dor? Tu e eu não sentimos também? E deveríamos morrer por isso? Agora o aborto rouba a história. Quantos homens e mulheres não tem história, pois foram triturados no ventre maternos, expelidos, jogados numa lata de lixo, simplesmente porque alguns acharam que ele não deveria sofrer... Como deve ser feliz alguém que não pode ter história porque foi furtado irremediavelmente antes de ver a luz do sol. Por isso é mister lembrar o que Mario Quintana dizia sobre o aborto: “O aborto não é, como dizem, um assassinato. É um roubo. Nem pode haver roubo maior. Porque, ao malogrado nascituro, rouba-se-lhe este mundo, o céu, as estrelas, o universo, tudo! O aborto é o roubo infinito.”

Você consegue imaginar, por exemplo, alguma dessas pessoas até bem intecionadas, mas que defendem o aborto, chegando num morador de rua, dá uma marmita pra ele, olha caridosamente pra ele e fala: Poxa, você deve sofrer muito, neh? Já deve ter passado por tanta coisa. Fome, frio... VOCÊ DEVERIA TER SIDO ABORTADO! Aí eu não teria que cruzar com você na rua. Neh, amado do meu core?

Defender o aborto por motivos de pobreza é isso. Não basta o cara ter chegado a morar na rua, independentemente do motivo, agora querem lhe roubar a dignidade de ser humano, aliás, querem lhe roubar o direito que ele tem: o direito a vida. Bom, claro, ainda não estão defendendo a morte dos moradores de rua. Mas na lógica abortista, se se soubesse que ele seria pobretão, aborto seria a solução.

Conhecemos vários casos de celebridades, por exemplo, que eram pobres e as mães até queriam abortar por isso, porém, desistiram do aborto. A vida seguiu seu rumo e estes que seriam assassinados, tornaram-se pessoas bem-sucedidas. É o caso, por exemplo, do jogador de futebol Cristiano Ronaldo. Há quem diga que não se pode mostrar esses casos de pessoas que se deram bem na vida enquanto há tantos que não deram. Amados, dinheiro não é tudo. Citamos o caso de C. Ronaldo e tantos outros para sensibilizar; afinal, se o aborto tivesse sido usado contra eles, você não teria seu artista. Mesmo nos casos dos que não são bem-sucedidos (no sentido de não serem ricos), podemos ver que apesar das dores, dos traumas, das privações, o simples fato de respirar já é um louvor a Deus. Conheço pessoas do meu convívio social que as mães pensaram em abortá-las. Uma pessoa a mãe desistiu; outra, por exemplo, nasceu por causa de uma tentativa de aborto já pro 7º mês que, graças a Deus, bendito seja Deus, deu errado. Enfim, essas pessoas não teriam história se tivessem sido assassinadas. A minha história teria uma lacuna se elas tivessem morrido. Eram pobres, sim, com todos os pré-requisitos para se abortar segundo essa tese eugênica; continuam pobres, não se tornaram um C. Ronaldo, um Justien Bieber, um Roberto Gómez Bolãnos, mas na sua vida fazem história. Quem disse que bem-sucedido é aquele que é rico ou famoso? Bem sucedido é aquele que vive e tem motivos pra viver mesmo com as contrariedades do dia a dia.

Mas como há até mesmos cristãos católicos que defendam essa bobagem, e sabendo que algumas tem bom coração mas sabe-se lá o porque acreditam numa tolice como essas, quero citar a Palavra de Deus. Primeiramente lembremos do horror que é matar um ser inocente: “Tínheis horror deles por causa de suas obras detestáveis, sua magia e seus ritos ímpios, seus cruéis morticínios de crianças, seus festins de entranhas, carne humana e sangue, suas iniciações nos mistérios orgíacos, e os crimes de pais contra seres indefesos...” (Sabedoria 12,4-6) Se quiser saber mais sobre o porquê o aborto é um crime que clama ao Céu por justiça, clique aqui. Lembremos também que se a justificativa for o sofrimento, a pobreza, a indigência, a Palavra nos exorta: “Nunca faltarão pobres na terra, e por isso dou-te esta ordem: abre tua mão ao teu irmão necessitado ou pobre que vive em tua terra” (Deuteronômio 15,11) O próprio Cristo, aliás, falou o seguinte: “Pois sempre tereis convosco os pobres, mas a mim nem sempre me tereis” (João 12,8). Ele disse isso quando Judas reclamava da mulher que derramou bálsamo nos pés de Jesus dizendo que deveria ter vendido o bálsamo para dar o dinheiro aos pobres; da mesma maneira, diga “matemos para que não seja pobre” e ouvirá do Senhor “pobres sempre tereis convosco”, e, pelo pecado que é incentivar o aborto “a Mim nem sempre me tereis” perdendo a graça. CUIDADO! Além do mais, argumentar assim o aborto é querer ser Deus. Além de querer ser aquele que dá ou tira a vida, quem faz apologia ao aborto por causa de uma provável pobreza da criança e da família (quando existe), é querer brincar de ser Deus. Como vimos, pobres sempre teremos. E Jesus Cristo também nos ensina: “Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? E por que vos inquietais com as vestes?[...] Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.” (Mateus 6,28;31-34). Pra que se preocupar com o futuro do nascituro querendo adivinhar se será pobre ou rico, querendo matá-lo pela dúvida. De fato, estamos paganizados se defendemos o aborto nisso. Um Cristão não pode nunca apoiar tamanha covardia com um bebê, e ainda mais justificando pela pobreza material. Que Ele comerá? Só os vivos irão comer, deixe-o nascer e Deus providenciará.

Tu, assim como eu, já sofreu na vida, teve decepções, chorou, de raiva, de ódio talvez, nós já passamos por tribulações. Tu, não sei, mas eu sou pobre, já fui mais no passado passando por grandes perrengues; mas, mesmo com tudo de traumático que já vivi, graças a Deus eu vivi isso, eu não deveria ter sido assassinado no ventre de sua mãe. E acredito que você também, mesmo sofrendo o que sofreu, acha que é bom viver, gosta de viver e tem uma força interior para pegar a dor e transformar em algo bom. Você só precisa orientar isso na questão do aborto.

As pessoas que defendem o aborto por conta de pobreza, principalmente se dizem ser cristãos, sofrem na verdade de uma doença espiritual chamada acídia. A acídia é uma tristeza espiritual, uma preguiça de fazer o bem. Digamos que diante da vontade de Deus a pessoa fica triste com aquilo que ela tem que fazer que é vontade de Deus, e entra numa preguiça. Eis o problema: diante da situação da pobreza no mundo, eu me sinto na obrigação de fazer alguma coisa, Deus me chama a fazer alguma coisa; porém, no meu egoísmo, começo a entrar num estado de acídia, tristeza/preguiça espiritual/vocacional, e me volto para o que me dará prazer, ou menos trabalho. Então, ao invés de eu trabalhar para mudar a realidade dos pobres, eu vou pelo caminho mais fácil: matem quem tem mais chance de ser pobre. Deus deu para cada um de nós responsabilidades também no campo social. Então em vez de eu criar mecanismos para ajudar as mães, ajudar essas crianças que nascerão na pobreza (doando alimentos, leite, fraudas, fazendo algo), o que eu faço? Por preguiça – porque isso me custará muito! - simplesmente acho que deveriam matar tal criança. Essa é a lógica. Jesus disse que nos julgaria dizendo “Tive fome e me destes de comer, sede e me destes de beber, nu e me vestistes, preso e me visitastes”. No entanto, para os abortistas, Jesus dirá: quis nascer mas vós me matastes! Afinal, Ele mesmo disse: “Em verdade vos declaro: todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes” (Mateus 25,40) Deixe nascer. Se vai ser pobre, ajude a suprir suas necessidades. É a Cristo mesmo que estará fazendo. Se a mãe quer abortar, ao invés de ficar com sentimentalismo da morte, não digas “deixa, ela que sabe”, mas tente convencê-la mostrando o dom da vida, mostrando que ela não está só. Ajude-a! Mas não fique sem fazer nada deixando matar bebezinhos inocentes. Conheço quem trabalha diretamente no auxílio a gestantes que queriam abortar, e relata situações de mães que queriam abortar porque não tinham enxoval e não queriam enxoval. Aí a anta abortista mata a criança por causa de... Quanto custa um enxoval? Quanto vale a vida? Outros bastou o grupo pró-vida dar uma cesta básica a pessoa desistiu. Se há quem pense em fazer aborto por causa da situação transitória de pobreza, é porque nós não fazemos nada. Deus nos colocou nessa terra para amarmos uns aos outros, para ajudarmos uns aos outros. Ajudar a viver na graça, ajudar a ter vida. Não ajudar a ter morte. Se há um problema social, a solução pode e tem que ser tu e eu. O assassinato de inocentes nunca é solução.

Quem observa os preceitos não experimentará mal algum; o coração do sábio conhece o tempo e o julgamento. Porque para tudo há um tempo e um julgamento, e a desgraça pesa muito forte sobre o homem. Ele não conhece o futuro; quem lhe poderia dizer como as coisas se passarão?
O homem não é senhor de seu sopro de vida, nem é capaz de retê-lo. Ninguém tem poder sobre o dia da morte, nem a faculdade de afastar esse combate. O crime não pode salvar o criminoso.” (Eclesiastes 7,5-8)

A pobreza é culpa nossa, do Governo... Lutemos contra nós mesmos nos esforçando para ajuar as pessoas; lutemos por um governo melhor que faça as pessoas subirem na vida, que defenda a vida. Enfim, a culpa nunca é da criança, esta, aliás, pode ser a solução. Madre Teresa ao ser questionada sobre o porquê Deus não enviava a cura da Aids, ela respondeu que Ele enviou, mas vocês abortaram.

Salve Maria Imaculada, Santuário da Vida!
Viva Cristo Rei do Universo!




quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Sala de aula não é espaço para uso político e ideológico



Dr. Miguel Nagib, Coordenador do Movimento Escola Sem Partido, durante audiência pública sobre ideologia de gênero, na Comissão de Educação, na Câmara dos Deputados, em 10 de novembro de 2015.

Católicos: Ide evangelizar!


Falando de evangelização, acredito que precisamos parar de criticar os protestantes; e passarmos a fazer melhor que eles. Não falo de uma guerra de religiões. Não mesmo. Falo em resgate de identidade. Nós, católicos, devemos resgatar o que é nosso.
Não devemos olhar um protestante pregar em praça pública e apenas dizer "eis mais um herege!". Não. Cadê os católicos pra pregar? Se alguns protestantes só saem nas ruas para berrar teologia da prosperidade e "pregar contra imagens"; nós, católicos, deveríamos estar nas ruas pregando o Evangelho autêntico e verdadeiro e conduzindo os fiéis para a verdadeira Igreja. Alguns diriam, no entanto, que isso é imitar os protestantes. Não devemos imitar protestantes - dizem os católicos acomodados que até acusam quem tenta evangelizar de modernista. Só que pregar na rua não é coisa de protestante, é coisa de católico. Se hoje os católicos não pregam, aí é outra conversa. Onde é que vocês acham que pregadores como Santo Antonio de Pádua pregavam? PREGAVAM NA RUA! Ou vocês acham que saiam tocando uma corneta pela cidade de Assis e alguem gritando "Atenção cristandade! Anunciamos um grande acampamento de cura e libertação com o grande pregador Antonio, vindo direto de Pádua. Não percam este momento de graça. Será na igrejinha de São Damião" Vocês acham mesmo que era assim que os grandes pregadores como ele, São Francisco Xavier, enfim, era assim que pregavam? Eles pregavam na rua. Não imitem os protestantes - se esse for o problema; imitem Santo Antonio e os demais santos!
Se só tem testemunhas de jeová e demais seitas te incomodando, é porque os católicos que fazem trabalho de evangelização porta a porta também são poucos. Agora sim, dirá uma anta murmuradora que não evangeliza ninguém, agora está querendo imitar os protestantes. Só que tem um problema: hoje vemos protestantes fazendo esse trabalho em massa, disseminando as heresias e até tirando católicos da Igreja; além de, é claro, atrair aqueles indecisos e confusos na fé. Levam portas na cara, mas sempre acabam conseguindo atingir seus objetivos. Nós, porém, que temos a Verdade da Fé Católica, nós não temos a coragem de levar o nome de Jesus Eucarístico e da Mãe de Deus de porta em porta, levando uma esperança para os que precisam. Se o povo não sai de casa para ir até a Igreja, a Igreja deve ir até a casa do povo. Aliás, se prestar atenção, o povo está saturado com as batidas no portão porque são pessoas que, embora tenham boa fé, sua fé não é boa, ou seja, é vazia; só a fé católica preenche por completo. Se os católicos saíssem de porta em porta veriam a diferença na recepção, principalmente porque a maioria das pessoas diz ser católicas. Bom, mas aparecerá, como disse, a anta que dirá que bater de porta em porta é coisa de protestante e não devemos imitar. Mas, como católicos que somos, olhamos para a vida dos santos e... BUM! São Paulo da Cruz, por exemplo, se põe a carregar uma cruz pela rua e batendo de porta em porta convidando o povo para um sermão - se não me engano, durante o carnaval. Mas para aqueles que preferem mofar sentado diante da tela de um computador se entregando a vãos debates entre católicos x protestantes em grupos do face, isso não passa de coisa de protestante; enquanto é, na verdade, coisa dos santos da Igreja.
Da mesma forma serve para outros meios de evangelização dominados por protestantes, tal como a evangelização nos presídios. Tantos santos, tantos padres que cuidavam de presídios. Santa Edwirges, por exemplo, no século XIII visitava os presídios e, vendo que muitos estavam ali por conta de dívidas, começou a pagar suas dívidas para ajudá-los. Hoje, no entanto, cadê os católicos? Apenas criticam. Esquecem-se que visitar os presos é obra de caridade. Resultado? O resultado é este: certa vez fui numa evangelização de um grupo católico em uma casa de recuperação para menores infratores; ao entrar no corredor de onde ficavam umas celas, ao me ver portando uma bíblia, um jovem grita "Ae pastor! Lê uma Palavra pra mim!". Por que aquele jovem me confundiu com um pastor? Porque o que ele mais via ali são protestantes. E os católicos? Ah, os católicos estão "salvando" almas discutindo na internet o que é melhor A.CVII ou D.CVII.
Eu? Eu prefiro o Paraíso - como diria São Filipe Neri.