segunda-feira, 20 de julho de 2015

Maria, a Mulher despojada



Salve Maria Imaculada, nossa Co-Redentora e Mãe!

A Santíssima Virgem Maria tem muitas virtudes da qual nós podemos e devemos nos espelhar e imitar. Mas tem uma característica da Santíssima Virgem da se faz necessário a nossa imitação. Está ligado a sua humildade e caridade para com Deus e para com o próximo. Trata-se do seu total despojamento para viver a vontade de Deus. Muitos conhecem a Deus, poucos se despojam de suas vontades para fazer a vontade de Deus.

Nossa Senhora foi totalmente despojada, sem apego, livre nas asas do Senhor. E podemos ver isso quando lemos a narrativa evangélica do anúncio do Anjo à Maria, e constamos o seguinte: O Anjo Gabriel lhe aparece e lhe anuncia que ela era cheia de graça (cf. Lc 1,28); que Ela encontrou graça diante de Deus (cf. Lc 1,30); que seria Mãe do próprio Deus que se encarnaria de forma virginal (cf. Lc 1,31-33); que o Espírito Santo desceria sobre Ela e a sobra do Altíssimo a envolveria (cf. Lc. 1,35); eis que a Virgem, mesmo com tantos privilégios extraordinários, não se exalta e declara “Eis aqui a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). E essas Palavras demonstram a humildade e o total despojamento da Imaculada. Ela não se apega a sua condição de Mãe de Deus, não se apega a alguma provável regalia (que não existiu), mas se declara escrava. Ao se declarar escrava - é escrava mesmo! -, ela se despoja de todas as suas vontades (se é que antes tinha vontade própria, já que escritos de santos místicos mostram a profunda união de Nossa Senhora com Deus desde sua infância), para fazer unicamente a vontade de Deus.

Nas visões de Santa Brígida podemos ler que Nossa Senhora sempre rezava pedindo a graça de poder ser uma serva da Mãe de Deus. Isso mesmo. Ela era tão humilde, que ao saber que as escrituras diziam que Deus se faria carne e habitaria em nosso meio, Ela não rezou pedindo – como talvez muitos fizeram – a graça de ser a Mãe de Deus, mas pedindo a graça – e para ela já seria muita coisa – de poder servir a Mãe de Jesus. E Deus que resiste aos soberbos, mas dá sua graça aos humildes (cf. Provérbios 3,34), se agrada da humildade de sua dileta filha, humilde, pura, imaculada, escolhida desde toda a eternidade para ser a Mãe do Emanuel (O Deus conosco = Jesus, o Filho de Deus). E o verdadeiro humilde faz sempre a vontade de seu senhor. E a Virgem, como declarou-se escrava do Senhor, conforme já o era, com toda certeza, faz a vontade do Pai. Ela queria ser a serva da Mãe, mas a vontade do seu Senhor é que Ela fosse essa Mãe de Jesus que tornar-se-ia, por méritos de seu Filho, Rainha do Céu e da Terra. Então Ela se despoja de sua vontade, pra fazer a vontade do Pai.

E nós, pobres coitados, quantas vezes não temos este despojamento de sermos dóceis às santas inspirações do Espírito Santo e do nosso anjo da guarda, e insistimos em fazer sempre a nossa vontade, do nosso jeito... somos orgulhosos e apegados. Sejamos como a Virgem Maria: dóceis, humildes, despojados.

Nesses escritos místicos também vemos que a Santíssima Virgem desde sua infância havia feito voto de virgindade. E é belo ver que ela havia ficado perturbada quando lhe prometeram em casamento à São José. Mas Ela sabendo que conforme a cultura da época devia obedecer, se despoja de sua vontade, sabendo que ali havia um desígnio de Deus. Ela com certeza já tinha formulado em seu Imaculado Coração o que só posteriormente São Paulo viria a escrever: “Todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios” (Romanos 8,28). Sim, Nossa Senhora sabia que ali tinha um desígnio de Deus, da qual Ela não compreendia; e mantinha firme outra sua virtude: sua fé. Sim, Ela manteve a fé, sabendo de que ofertou-se inteiramente a Deus de corpo e alma, ofereceu a Deus a sua virgindade consagrada, e sabe que apesar da visão turva, tudo concorreria para o bem dela que amava a Deus. Tudo concorreria para a melhor realização desse seu voto. Tudo concorreria para o bem, para a salvação, dela e de José, e, pode ver depois, da salvação da humanidade. Ela manteve a fé e o despojamento, ou seja, o abandono total à divina providência.

E nós, como somos? Por mais que tenhamos alguns propósitos que julgamos santos, logo murmuramos, perdemos a fé, desanimamos; muitos chegam a abandonar a Igreja, perdem o relacionamento com Deus. Donde vem isso? Isso vem do apego a própria vontade. Não percebe que muitas vezes as barreiras que encontramos são provas que Deus nos manda, para ver se realmente queremos aquele bem por causa dEle (Deus), ou se queremos só por nossa vaidade. Muitos trocam o Deus dos dons, pelos dons de Deus. Seja persistente em Deus. Como Jacó foi persistente e disse que não soltaria o Senhor até ser abençoado. E a partir dali ele foi chamado Israel. Nossa Senhora permaneceu firme em seu propósito de virgindade, santidade, de ser fiel a vontade do Senhor; mesmo quando humanamente parecia tudo errado. Mas se nós buscamos sempre a vontade do Senhor, nós vemos que aquilo que está errado hoje, é o instrumento que será certo amanhã. As pedras que me aparecem na estrada hoje, Deus as permite aparecer para que nós a usemos para construir uma casa de glória amanhã. Mas só terá essa compreensão espiritual quem for despojado como a Santíssima Virgem. São José poderia ser, humanamente falando, uma pedra de tropeço que A impediria de ser virgem por amor do Reino de Deus, como havia feito o voto. Mas nos desígnios de Deus, este não só não interferiu na sua virgindade, mas, como vai dizer um santo, este (São José) também permaneceu virgem (puro) por causa de Nossa Senhora. Aquele que poderia ser um impedimento, segundo o desígnio de Deus, tornou-se a proteção dEla e de Jesus, o Filho de Deus da qual Ela, a humilde escrava do Senhor, tornara-se Mãe.

Quantas pessoas acabam perdendo vocações, por exemplo, porque em tal comunidade, instituto, ordem, enfim, pediram pra fazer mais um ano de vocacional. Se pedirem muitos anos de discernimento, faça-os, ora, pois. Queres ser religioso(a), padre, consagrado, enfim, por amor de Deus ou por vaidade? Se for por vontade própria, de fato, vai sair. Se for vontade de Deus, persista, nem que tenha que esperar trinta anos para receber discernimento (como S. Beatriz da Silva que viveu trita anos como serviçal num convento até receber autorização pra fundar a ordem da Imaculada Conceição, conforme Nossa Senhora lhe pediu numa aparição). Seja despojado. Se despoje das suas vaidades. Se despoje da sua vontade própria. Tudo concorre para o bem, ou seja, para a salvação, para o cumprimento da vontade de Deus... daqueles que amam a Deus. Mas você ama a Deus ou os dons, carismas, vocações, ordens, etc., que Deus suscita? Nossa Senhora não amava mais a virtude do que a Deus. Deus deve ser o centro do nosso amor. Deus é o nosso fim. Deus é a essência, o sentido da nossa vida.

E o interessante é que Nossa Senhora fala para o Anjo São Gabriel quando este lhe anuncia que ela seria Mãe de Deus: “Como se fará isso, pois não conheço homem?” (Lucas 1,35). É belo ver que Nossa Senhora não duvidou do poder de Deus, como alguns podem achar. Afinal, alguns versículos antes, a Sangrada Escritura nos mostra que Zacarias fez pergunta semelhante em relação a Isabel estar grávida (cf. Lc 1,18), e a consequência da dúvida de Zacarias foi este receber o castigo de ficar mudo até São João Batista nascer (cf. Lc 1,19ss). Ora, sabemos que Deus não faz distinção de pessoas (cf. Atos dos Apóstolos 10,34). Então se a incredulidade de um resultou em ficar mudo, Nossa Senhora não levou uma bronca, nem sofreu um castigo, mas continuou falando e pode proclamar o Magnificat (cf. Lc 1,46ss); portanto, conclui-se que a Santíssima Virgem não duvidou.

Mas, por que, então, Maria perguntou como se realizariam todas aquelas coisas? A resposta é exatamente isso que citei acima: ela pergunta não por duvidar do poder de Deus, mas por querer continuar Virgem. Deus sonda os corações, e este Deus comunica ao Anjo que Ela não duvidou, mas queria permanecer pura. E Deus se agrada dos santos desejos. E Nossa Senhora declara-se a escrava do Senhor, porque a razão da vida dela era ser um nada, ser despojada. Ela quis perder-se totalmente em Deus. Ela quis diminuir para Deus aparecer. E foi tão humilde e tão unida ao Espírito Santo como jamais ninguém poderá igualar, que Deus não só fez morada em seu coração, mas encarnou-se em seu ventre puríssimo. O Espírito Santo vinha falar pelos profetas e voltava; mas ao respousar na Santíssima Virgem, não só permanece poderosamente, mas como gera a carne de Deus da sua carne imaculada. De fato, Nossa Senhora tem toda razão quando proclama: “realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso” (Lc 1,49).

Deus também quer realizar maravilhas na nossa vida, mas para isso é preciso renúncia, coragem e disposição da nossa parte. Só a Virgem Maria teve o privilégio de ser mãe de Deus. Só Ela. E Ela que se declarou escrava do Senhor, aparece em Apocalipse 12 com uma coroa de 12 estrelas. Eis que a humilde foi exaltada por Deus e, mesmo com o inferno tremendo, TODAS AS GERAÇÕES TEM QUE PROCLAMAR MARIA SANTÍSSIMA BENDITA! (Cf. Lc 1,48). Mas as virtudes humanas nós podemos imitar. E essas maravilhas Deus quer realizar em nós. Ou seja, podemos imitar sua humildade, pureza, amor, paciência, etc. A vontade de Deus para nós é que sejamos santos: “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Levítico 19,2). Mas não se preocupe por saber que tu, assim como eu, és miserável; pois o mesmo livro vai nos alentar: “Eu sou o Senhor que vos santifica” (Levítico 22,32). Deus exaltou a humilde Virgem Maria, que queria ser uma serviçal da mãe de Deus, e exaltou-A, fazendo-A a própria Mãe do Verbo encarnado (Mãe de Deus), e Rainha do Céu e da Terra. Nós, somos miseráveis, pecadores, nada virtuosos comparados com a Santíssima Virgem, porém, Deus quer que sejamos santos, e é Ele quem nos santifica. E Ele nos santificará se nós imitarmos a Santíssima Virgem Maria: sejamos humildes e despojados de nossas vontades, vaidades. Renunciemos todo pecado e nos apeguemos à santa vontade de Deus.

Amém?

Possamos então todos os dias declarar: Eis aqui o(a) escravo da Escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua vontade.


Salve Maria Imaculada, nossa Co-Redentora e Mãe!

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