sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

4 lições sobre o martírio de S. João Batista

Salve Maria Imaculada, nossa Co-Redentora e Mãe!

Da narração evangélica do martírio de São João Batista podemos meditar em três pontos importantes para a nossa vida de conversão. Muitas vezes focamos apenas no fato de que João denunciou o pecado de Herodes e, em consequência de falar a a verdade, foi decapitado. Mas o texto é muito profundo. E talvez, sem sabermos, estamos no mesmo pecado de Herodes e Herodíades. E não estou me referindo ao adultério.

[...]Pois o próprio Herodes mandara prender João e acorrentá-lo no cárcere, por causa de Herodíades, mulher de seu irmão Filipe, com a qual ele se tinha casado. João tinha dito a Herodes: 'Não te é permitido ter a mulher de teu irmão'. Por isso, Herodíades o odiava e queria matá-lo, não conseguindo, porém. Pois Herodes respeitava João, sabendo que era um homem justo e santo; protegia-o e, quando o ouvia, sentia-se embaraçado. Mas, mesmo assim, de boa mente o ouvia.
Chegou, porém, um dia favorável em que Herodes, por ocasião do seu natalício, deu um banquete aos grandes de sua corte, aos seus oficiais e aos principais da Galiléia. A filha de Herodíades apresentou-se e pôs-se a dançar, com grande satisfação de Herodes e dos seus convivas. Disse o rei à moça: 'Pede-me o que quiseres, e eu te darei'. E jurou-lhe: 'Tudo o que me pedires te darei, ainda que seja a metade do meu reino'. Ela saiu e perguntou à sua mãe: 'Que hei de pedir?'. E a mãe respondeu: 'A cabeça de João Batista'. Tornando logo a entrar apressadamente à presença do rei, exprimiu-lhe seu desejo: 'Quero que em demora me dês a cabeça de João Batista'. O rei entristeceu-se; todavia, por causa da sua promessa e dos convivas, não quis recusar. Sem tardar, enviou um carrasco com a ordem de trazer a cabeça de João. Ele foi, decapitou João no cárcere, trouxe a sua cabeça num prato e a deu à moça, e esta a entregou a sua mãe. Ouvindo isso, os seus discípulos foram tomar o seu corpo e o depositaram num sepulcro.” (Marcos 6,17-29)

O primeiro ensinamento que podemos tirar deste trecho é: não nos basta saber a verdade, devemos tomar posse dela; devemos renunciar o pecado. Herodes sabia da verdade proclamada por São João Batista, porém, não renunciou a vida de pecado. João afirmou a Herodes que ele (Herodes) não podia ter a mulher de seu irmão. A Palavra que lemos diz claramente que Herodes ficava embaraçado quando João Batista pregava. Todos quando estamos no erro e vem um profeta e nos apresenta a luz da verdade, ficamos embaraçado.

Mas Herodes não teve aquele primeiro momento de embaraço e depois bateu no peito pedindo perdão ao Senhor. Não. Ele – aparentemente - continuou mantendo relações com Herodíades que alimentou um ódio mortal por João Batista por este ter dito a verdade. E mesmo Herodes respeitando João, sabendo que ele era um homem santo e justo, mandou prender João instigado por Herodíades (isso é uma evidência que mesmo após João Batista falar do adultério, mantiveram a relação pecaminosa).

Ora, não nos basta ir pra encontros, ouvir pregações, músicas, e continuar na vida de pecado. Veja, Deus vai falar por meio de várias pessoas. Muitas vezes vamos ficar embaraçados, mas, muitas vezes, após aquela pregação, aquele livro, aquele texto, simplesmente dizemos “fulano é radical demais. Deus é amor”. Porém o próprio Deus disse Desde a época de João Batista até o presente, o Reino dos Céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam” (Mateus 11,12). Como assim os violentos? Fazer violência a si mesmo pra lutar contra o pecado. Pra ser santo. Pois o próprio Deus disse em Levítico 19,2 “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo”. Não nos basta apenas chamar Jesus de Senhor, como afirma Lucas 6,46: “Porque me chamais: Senhor, Senhor... e não fazeis o que digo?”.E o que Jesus nos diz? Eis o ensinamento de Jesus: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: fazei penitência e crede no Evangelho” (Marcos 1,15); “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, irá perdê-la; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, irá recobrá-la” (Mateus 16,24-25). Herodes quis salvar a sua vida... A sua vida de pecado, de amente de Herodíades; já João, não quis salvar a sua vida e deixou ser sacrificado, mas não negou, não deixou de anunciar a verdade. E vale lembrar que aqui não há meio termo: “Dizei somente: 'Sim' se é sim; 'não' se é não. Tudo o que passa além disso vem do Maligno” (Mateus 5,37).

Hoje o convite do Senhor é para que renunciemos o nosso pecado e tomemos posse da vida da graça. O que há de pecado na sua vida? Renuncie! São diversas as passagens em que o Senhor nos chama a renúncia e a mudança de vida. Mas quero lembrar de uma frase do Apóstolo São Paulo: “Ainda não tendes resistido até o sangue, na luta contra o pecado” (Hebreus 12,4). Tentações sempre teremos, mas devemos ser fortes em Deus. Devemos resistir. Não podemos ser “cristãos gabriela” dizendo “eu nasci assim, eu cresci assim...” Chega! Conversão! Crede no Evangelho e convertei-vos! Não basta conhecer a verdade, não basta conhecer Jesus de uma maneira superficial. Jesus não vale a pena, Jesus vale a vida! Jesus e o nosso tudo. Por isso deves renunciar tudo – TUDO MESMO – aquilo que não é do agrado de Deus na nossa vida. Pois como vai dizer São João da Cruz, se estamos presos por uma corda muito grossa ou por um fino fio de cabelo, estamos presos do mesmo jeito. Que sejamos livres em Deus. Presos somente no coração de Jesus e Maria.

O segundo ensinamento que tiramos desta passagem é: devemos renunciar a gula, bebedeiras e danças mundanas. No versículo 21 em diante vemos que Herodes foi comemorar seu aniversário e, para desgraça total, deu uma grande festa mundana. Regada, com toda certeza, a muita bebida e comida. A gula é um grande mal, combate a virtude da Temperança e anda de mãos dadas com a luxúria. Quem come exageradamente mais frágil fica na sua sexualidade e pode pecar contra a castidade. Sim, pois quem está no pecado da gula come por prazer puro e simples, e, prazer por prazer, logo se vê mais mergulhado em maus lençóis.

Da mesma forma a bebedeira. Beber não é pecado, porém, a embriaguez é (Como bem podem ver neste video “Beber é pecado? [Bebida Alcoolica e Embriaguez/Alcoolismo]). E sabe-se que a bebida aumenta o libido, ou seja, desejo sexual. Como queremos viver a santidade se somos uns beberrões? Uma pessoa com o vício da bebida começa muito a ser tentado na sua sexualidade. Fica sem forças para lutar contra o pecado. Assim como especialistas dizem que uma pessoa embriagada não tem seus reflexos 100% para poder dirigir; uma pessoa neste estado não consegue ver uma mulher passar e não pecar ao menos no coração. Lembro que há anos atrás vi uma reportagem que perguntava para vários jovens nas noites o porquê bebiam antes de fazer uma contada nas mulheres. A resposta era praticamente a mesma: para ter coragem de chegar, ficar mais relaxado... A bebida dá essa sensação, e, para os mundanos, fará com que concinta e tente transformar em ato aquilo que já gerou em seu coração. Virtude atrai virtude; pecado atrai pecado. Temperança atrai santidade, castidade; Embriaguez atrai morte, impureza...

E aqui no contexto de Herodes vale muito, pois este pecou porque provavelmente já devia estar cheio da “marvada” e foi olhar um espetáculo de dança indecente. Uma mulher formosa, porém, insensata, destroi com reinos inteiros. Uma mulher instigada pelo demônio mostrando sua sensualidade tem destruído tantas e tantas famílias. “Um anel de ouro no focinho de um porco: tal é a mulher formosa e insensata” (Provérbios 11,22). E a Palavra de Deus vai dizer ainda: “Toda mulher que se entrega à devassidão é como o esterco que se pisa na estrada.”(Eclesiástico 9,10)

Herodes não deveria ter cometido o vício da Intemperança. Foi guloso. E depois, mesmo que não tivesse bebido, jamais deveria estar assistindo tal espetáculo: uma mulher dançando sensualmente. A própria Palavra diz que a filha de Herodíades dançou com grande satisfação de Herodes e dos convidados, portanto, essa dança foi inspirada pelos mais podres espíritos infernais. Pois se satisfez Herodes que teve coragem de ter a mulher de seu próprio irmão; se contentou os convidados que em geral deviam ser todos romanos, imagine o tipo de gente: só pessoas que cometiam os mais luciferinos pecados da carne, pois moral sexual era algo que não existia para este povo.

Assim devemos renunciar a essas danças indecentes. São Francisco de Sales dizia: "As danças e os bailes são coisas de si inofensivas; mas os costumes de nossos dias tão afeitos estão ao mal, por diversas circunstâncias, que a alma corre grandes perigos nestes divertimentos. Dança-se à noite e nas trevas, que as melhores iluminações não conseguem dissipar de todo, e quão fácil que debaixo do manto da escuridão se façam tantas coisas perigosas num divertimento como este, que é tão propício ao mal. Fica-se aí alta hora da noite, perdendo-se a manha seguinte e conseguintemente o serviço de Deus. Numa palavra, é uma loucura fazer da noite dia e do dia noite, e trocar os exercícios de piedade por vãos prazeres. Todo baile está cheio de vaidade e emulação e a vaidade é uma disposição muito favorável às paixões desregradas e aos amores perigosos e desonestos, que são as conseqüências ordinárias dessas reuniões. Referindo-me aos bailes, Filotéia, digo-te o mesmo que os médicos dizem dos cogumelos, afirmando que os melhores não prestam para nada" (OS BAILES E OUTROS DIVERTIMENTOS PERMITIDOS, MAS PERIGOSOS - CAPÍTULO XXXIII São Francisco de Sales [1567-1622], do livro Filotéia.) (Grifos meu). No Diário de Santa Faustina encontramos um episódio de sua vida pouco falado, mas que, no entanto, nos mostra com profundidade o mal dos bailes e danças mundanas: “[...]Quando todos se divertiam a valer, a minha alma sentia [tormentos] interiores. No momento em que comecei a dançar, de repente, vi Jesus a meu lado, Jesus sofredor, despojado de suas vestes, todo coberto de chagas e que me disse estas palavras: “Até quando hei de ter paciência contigo e até quando tu Me desiludirás?” (Diário nº9) Vejam, muitos que até frequentam isso sentem o mesmo que Santa Faustina: tormentos interiores; pois o Espírito Santo mesmo suscita em nossos corações que estes não são lugares que um Cristão deva frequentar. Mas a santa (vale lembrar que este foi o fato que lhe fez se converter verdadeiramente e ir pro convento) ao invés de sair do local inapropriado – talvez por respeito humano pelas amigas que estavam na festa – começou a dançar. E logo que começa a dançar aparece Jesus Cristo flagelado e nú. A nudez de Jesus em Sua Paixão sempre nos recorda que ele sofreu esta humilhação em reparação as imodéstias da carne (pessoas que ficam pouco ou nada vestidas). Basta Faustina começar a dançar. A dança – como se vê nos bailes – ofendem a Jesus. Comete-se e/ou leva outros a pecar pelo olhar, a desejar, etc. Assim como aconteceu a Herodes que, embrigado pela luxúria exitada por uma dança, prometeu dar a “pombagira” (demônio ligado aos pecados da carne) o que ela lhe pedisse. Jesus mostrou como os bailes e as danças indecentes ferem o Seu Coração. Portanto, renunciemos a esta prática.

Portanto, não só devemos renunciar frequentar tais lugares, e não dançar danças indecentes que incitem o pecado no outro; mas guardar nosos olhar. Santo Antão dizia “basta um olhar impuro para se abrir as portas do inferno”. E conhço gente que não se conforma que em tratados de teologia moral, certo autor escrever que ficar olhando para uma pessoa que se tem atração sexual é pecado. Ora, aqui não é olhar pra uma pessoa da qual eu esteja “gostando”, mas olhar pra quem gera em mim atração sexual forte. Se eu me sinto impelido a cometer pecado ao ver tal pessoa, eu mortifico o olhar evitando olhar pra tal pessoa, ou fico olhando? Bom, Herodes olhou e... deu pecado. Sempre há pecado nesses olhares maliciosos. Repito “Ainda não tendes resistido até o sangue na luta contra o pecado” (Hebreus 12,4). Jesus disse “Se teu olho te é causa de queda, arranca-o e lança fora; pois te é melhor entrar no Reino de Deus só com um olho, do que com dois ir para o inferno”. Ora, aqui não é arrancar o olho físico, mas buscar não olhar aquilo (ou aquele/aquela) que me leva a pecar no coração. Antes de Herodes cometer adultério com Herodíades, com certeza ele olhou e a desejou (e vice-versa). Antes dele prometer dar o que fosse para a filha de Herodíades, ele olhou e desejou a criatura na dança. Portanto, olhos no chão ou no Céu, nunca nas pessoas de forma impura. Não to dizendo que não devemos olhar mais para as pessoas, mas se olhar para tal pessoa gera em mim sentimentos desordenados, melhor é evitar olhar do que abrasar-se (ou consentir no coração, que já pecado). Pois como a própria Palavra de Deus diz: “Não lances os olhos para uma mulher leviana, para que não caias em suas ciladas. [...] Não detenhas o olhar sobre uma jovem, para que a sua beleza não venha a causar tua ruína. Nunca te entregues às prostitutas, para que não te percas com os teus haveres. Não lances os olhos daqui e dali pelas ruas da cidade, não vagueies pelos caminhos. Desvia os olhos da mulher elegante, não fites com insistência uma beleza desconhecida. Muitos perecem por causa da beleza feminina, e por causa dela inflama-se o fogo do desejo.” (Eclesiástico 9,2-8)

A terceira lição que tiramos do martírio de João Batista é: devemos guiar nossos filhos para o Céu, não para o inferno. Jesus Cristo disse que o demônio veio para matar, roubar e destruir (João 10,10). Portanto, Herodíades instigando a própria filha a conseguir o assassínio de João Batista, por causa de seus interesses, está ensinando a filha a fazer a vontade do diabo que é matar – como aconteceu –, roubar e destruir.

Antes de falar da mãe que ensina o errado aos filhos; quero falar de como esta filha de Herodíades se parece com nossa juventude atual. Já vai dizer o ditado popular que mente vazia é oficina do diabo. Aquela jovem era tão vazia, tão vazia, que além de conseguir algo pela dança (como vimos algo imoral), após receber de Herodes a promessa de dar a ela o que quisesse, nem que fosse metade de seu reino, o que a jovem fez? Ela poderia assegurar seu futuro (e não digo no sentido de pegar mesmo metade do reino de Herodes e ser poderosa, mas pedir meios de sobrevivência, talvez que paracem de colocar galha no pai dela); mas não, a jovem era tão vazia que nem sabia o que pedir, foi perguntar pra anta e adúltera da mãe.

Assim, caros jovens, quero alertá-los que devem ter objetivos na vida. Mas objetivos lícitos e santos. Muitos jovens hoje sofrem e não veem sentido algum na vida porque se matam pra estudar pra passar num concurso público. Seu sonho? Não, sonho do pai, da mãe, do namorado (marido). Há jovens, homens e mulheres, que são completamente infelizes porque nada tem sentido. Fazem uma faculdade que não desejava, mas ante a possibilidade de cursar uma faculdade, veio a pressão dos pais que queriam que fizesse curso A ou B que dará mais dinheiro do que curso C que a pobre criatura queria. E logo se está em trevas.

Devemos obedecer os nossos pais, seguir seus conselhos; mas não quando estes são contrários a vontade manifesta de Deus. Muitos jovens são chamados a vida religiosa, e não vão porque os pais se opuseram. Há quem prefira prostituir o filho ou a filha, do que ter um filho padre e/ou uma filha freira. Já ouvi um caso que um garotinho disse que queria ser padre, a mãe ficou maluca, proibiu o garoto de ir a Igreja (Se fosse era pra ficar calado, pra não chamar atenção e dizer que queria ser padre), de ver DVDs de padres, e ainda comprou DVD de banda de forró pro garoto. Uma mãe dessa é ou não uma anta? Se Deus te chama, vai. Importa obedecer antes a Deus do que aos homens” (Atos 5,29). Não queira cursar uma faculdade, fazer um concurso público, só porque fulano quer que você faça; procure fazer a vontade de Deus. Deus quer? Se quer, vai em frente. Não seja como a pobre coitada da filha de Herodíades, que já cresceu num ambiente completamente estragado, e tendo uma oportunidade foi fazer a vontade da mãe, que era só dela mesmo, e nunca vontade de Deus.

O que nós temos ensinado aos nossos filhos? Herodíades ensinou sua filha a arte de seduzir os machos pela dança. Ensinou-a a matar (conseguindo que matassem João Batista), mas não só pela espada, mas pelo olhar. A dança dela matou os convidados com a morte que o pecado mortal traz. E infelizmente muitas mães nos dias de hoje tem feito o memo.

Conheço uma jovem que é catequista em uma comunidade pobre, e acabou observando que algumas de suas pequenas catequizandas (acho que menos de 10 anos) só se vestiam com roupas muito curtas. Mas como falar sobre modéstia com uma pequenina? Difícil, não? Mas ela resolveu conversar com uma, e, para grande tristeza, após perguntar o porquê ela usava aquelas roupas, a pequenina disse mais ou menos assim: “porque minha mãe disse que se eu não me vestir assim, os rapazes não vão me achar bonita e não vão querer olhar pra mim.” Isso é um absurdo! Que confusão no coração dessa garotinha! Por isso devemos tomar cuidado ao falar sobre modéstia em alguns casos, pois o que vemos do lado de fora é um reflexo do seu interior: está tudo bagunçado. Muitas moças têm o coração bom, porém ferido e destruído pelo pecado. Se vestem de forma indecente porque o coração é uma bagunça. A vida é uma bagunça; a família é um sofrimento só. E muitas são ensinadas desde pequenas a se vestirem para que os outros olhem e achem bonita (ou desejem).

Meu irmão, minha irmã, não ensine essas coisas para os seus filhos. Ensinem-os a temer a Deus, a serem santos. Que terrível é saber que há pais que levam seus filhos aos prostíbulos. Pais que ensinam os filhos a serem beberrões, a fumarem, a xingarem, a fazer o que não presta. E a virtude, que pais tem-a ensinado aos filhos?

Quando da antiga Lei que o Senhor prescreveu ao povo Hebreu, a Palavra de Deus disse: “Ensinai-as aos vossos filhos, falando-lhes delas sea em vossa casa, seja em viagem, quando vos deitardes ou levantardes.” (Deuteronônio 11,19). E nós, temos ensinado para as crianças que Jesus Cristo é o Senhor? Temos ensinado as leis de Deus? Temos ensinando os 10 mandamentos? Temos ensinado as criancinhas a rezarem o Santo Terço e honrarem Nossa Senhora? Temos guiado elas ao Céu? Ou, à exemplo de Herodíades, temos programado nosso filhos a seguirem o caminho dos quintos dos infernos? Ó meus irmãos, sei que falo duro, mas os exemplos são inumeráveis de pais e mães que ensinam só pecado para as crianças. Esses dias mesmo quando voltava da Missa um pai ensinava aos dois pequeninos filhos a xingarem. E o xingamento são as coisas leves. Infelizmente há casos piores.

Ontem estive em um terço em que uma menina que devia ter 5 anos rezava a Ave Maria conosco. Aliás, tinha outra criança maior que também rezou conosco. Mas infelizmente o ordinário hoje são as crianças dançarem funk e demais ritmos que levam a promiscuidade. Hoje o normal é uma criança de 12 anos cantar funk com letras heróticas e as pessoas acharem normal. E tudo com concentimento dos pais. Hoje é normal crianças e adolescentes no baile funk e nas demais festas, juntos ou ensinadas pelos pais, tocando o terror, se prostituindo... Ó como é triste isso. Como é triste saber que estão fazendo o contrário do que a Palavra de Deus fala para não fazer: “Não prostituas tua filha, para que a terra não se entregue à prostituição e não se encha de crimes” (Levítico 19,29)

Infelizmente essa tem sido a realidade. Muitos pais são até mesmo pedras de tropeço. Muitos filhos querem seguir os caminhos de Deus, seguir os passos da Igreja, porém, os pais inventam mil e um compromissos e situações para desviar os filhos da Igreja. Por isso disse que não se deve obeceder quando a vontade dos pais é contrária a vontade de Deus. Digo no sentido de que se seu pai te mandar ir pra balada, você não é obrigado a obedecer. Ninguém é obrigado a obedecer se a ordem é cometer um pecado. Temos que obedecer a Deus, fazer a vontade de Deus. A obediência aos pais é obrigatória no Senhor: Filhos, obedecei vossos pais segundo o Senhor; porque isso é justo. O primeiro mandamento acompanhado de uma promessa é: Honra teu pai e tua mãe, para que sejas feliz e tenhas longa vida sobre a terra [Dt 5,16]. Pais, não exaspereis vossos filhos. Pelo contrário, criai-os na educação e doutrina do Senhor.” (Efésios 6,1-4)

Portanto, que possamos criar e educar nossos filhos e nossos jovens na doutrina do Senhor; e não segundo as máximas do mundo como fez Herodíades.

A quarta lição que tiramos do martírio de São João Batista é: não podemos ter respeito humano. Mais do que a denúncia do pecado, mais do que uma dança, o que decretou a morte de João Batista foi o respeito humano que tinha Herodes. A Palavra nos mostrou claramente que Herodes ficou triste quando a filha de Herodíades lhe pediu a cabeça de João. Fica aqui claro que não foi ele que alimentou ódio contra João; mas sim Herodíades. Mas como não cortou os laços do pecado, mas com consciência de estar em pecado – porque havia sido exortado por João acerca do adultério – continuou na mesma vida sem fazer penitência e continuando alimentando-se dos prazeres da carne; acabou por matar João por puro respeito humano.

Ele sabia que João tinha falado a verdade. Ele sabia que o adultério é imoral; tanto é que ficou perturbado com as palavras de João. Ele sabia que João era justo e santo (cf. v. 20). Mas mesmo sabendo da santidade de João, e sabendo que ele é que estava errado (ele também ouvia o que João pregava de boa mente, portanto, nunca quis por ele mesmo fazer mal a João, subtende-se). Mas por que ele manda matar João? Não foi só porque aquela jovem lhe pediu. Mas porque ele era vaidoso, orgulhoso, fútil. Tinha respeito humano. O versículo 26 diz “O rei entristeceu-se; todavia, por causa da sua promessa e dos convivas, não quis recusar”. Veja, ele não era obrigado a cumprir aquilo porque é moralmente errado matar um inocente. Ele ficou triste pois lhe foi pedido para matar alguém que ele admirava. Aliás, mais que isso, alguém que ele sabia que era justo e santo. Mas manda matar porque tinha prometido na frente dos convidados. Talvez se ele tivesse prometido em segredo, talvez aquela jovem levasse um não. Mas como a promessa foi feita na frente de muitas testemunhas, ele tinha que cumprir. Afinal, como assim o grande rei Herodes promete algo e não cumpre? O Rei Herodes ficar rebaixado em todo reino, diante de todas as autoridades, por não ter cumprido uma promessa feita a sua sobrinha, que pedia a cabeça de um maltrapilho (o que deviam pensar de São João Batista)... Jamais. Portanto, mesmo sabendo que João era santo, justo, e nada fez para morrer; ele mata porque não quer ficar mal com os convidados, a amante, a filha da amante, com seu egoísmo podre.

Portanto, não tenhamos respeito humano. O respeito humano é um verme podre que corrói nosso interior. Muitas pessoas conhecem Jesus mas não seguem Ele na radicalidade, no fevor, dando a vida a Cristo, por causa do respeito humano. Muitos não largam a faculdade para entrar num seminário ou num convento, por exemplo, porque temem o que vão achar dele. Muitos não se abrem ao dom da vida, porque temem o que os outros vão pensar se eu tiver muitos filhos. Ora, não importa o que os outros pensam, o que importa é fazer a vontade de Deus. E se Deus te chama a ser padre, largue tudo e siga este caminho e seja feliz na vontade de Deus. Se Deus te chama a ser freira, largue tudo e seja feliz na sua vocação. Se Deus te chama ao matrimôni, viva um casamento na santidade, abertos a vida. Se Deus der 1 filho, eduque-o na santidade. Se der 10, eduque-os na santidade. Se não der nenhum, vocês são mães e pais espirituais. Mas por amor de Deus jogue fora os preservativos, Dius e pílulas que são abortivas. Pare de prostituir o seu casamento. Vivam a vontade de Deus. Sejam abertos a vida. Deus é quem escolhe quantos filhos um casal terá. É Deus, e não nós.

Se Deus te chama a pregar. Prega! Não tenha respeito humano. João Batista era o contrário do que vemos em toda esse sistema de pecado de Herodes. João Batista conhecia a verdade e vivia. Ou seja, ele não só pregava a santidade de vida, mas a sua vida era santa. Em outras Palavras, a vida dele era uma pregação. Como diz Santo Agostinho: Eloquente aquele cuja vida é uma pregação. João Batista não frequentava lugares licenciosos, bailes, não fitava olhar nas mulheres, não dançava. Mas a Palavra diz que até vinho e cerveja ele se abstinha (cf. Lucas 1,15); e era cheio do Espírito Santo de Deus. João Batista não ensinou ninguém a dançar, nem a querer as coisas do mundo, como fez Herodíades com sua filha, mas este pregava conversão e penitência. Por fim, ele era justo e santo, e não tinha respeito humano. Vivia a Palavra de Deus escondido no deserto, ou as claras quando pregava e batizava. E falou a verdade tanto para os mais pobres, como para o próprio Herodes.

Eis os ensinamentos que tiramos do martírio de São João Batista. Que Nossa Senhora nos ajude a fazermos a vontade de Deus. Que Ela que é a Rainha dos mártires, nos ajude a darmos a vida como São João Batista. Que possamos dar a vida por Cristo Rei, e que nunca o neguemos. O martírio, a vida coerente com o Evangelho, é tudo uma graça de Deus. E Nossa Senhora sendo a medianeira de todas as graças, que Ela nos dê esta e nos livre de nunca sermos como Herodes e Herodíades. Pois se Herodíades educava para o mal, Nossa Senhora educa-nos para o Céu. Ela é nossa Mãe Celeste que nos ensina a virtude e nos carrega em seus braços, nos leva em Seu Imaculado Coração, nos leva ao Céu para junto de Deus nosso Senhor.

Salve Maria Imaculada, nossa Co-Redentora e Mãe! Viva Cristo Rei!

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