domingo, 21 de dezembro de 2014

Um pensamento de Natal de Santa Catarina de Sena



Em nome de Jesus Cristo crucificado e da amável Maria, caríssimo João, meu irmão e filho em Jesus Cristo, eu Catarina, serva e escrava dos servos de Jesus Cristo, vos abençoo e conforto no precioso sangue do seu Filho.

Meu filho! Muito desejei ver vossa pessoa, bem como vossa família e de modo especial a esposa, numa grande união de virtude, a tal ponto que demônio algum possa separar-me de vós. Meu filho e minha filha queridos, não vos seja desagradável fazer um pequeno gesto por Jesus crucificado. Como seria algo maldoso, infeliz e frio ao coração alguém ver a suprema e eterna majestade de Cristo descendo até nossa pequenez humana, e não humilhar-se. E vós, não vedes Jesus pobrezinho, humilhado no presépio entre dois animais, despojado de toda pompa e glória humana? São Bernardo de Claraval, lembrando a profunda humildade e a pobreza de cristo para confundir nosso orgulho, dizia: “Envergonha-te, homem orgulhoso, que procuras os prazeres, a moleza e glória do mundo! Pensas, por acaso, que o manso Cordeiro, teu rei, tinha uma luxuosa habitação e gente de serviço? Não quis viver assim a verdade primeira! Não. Para servir de exemplo e norma para nós, Jesus nasceu em extrema pobreza, sem vestes à altura da sua grandeza. Sendo tempo de frio, um animal ao respirar aquecia seu corpo de menino. E no fim da sua vida, ele passou necessidades. Seu leito foi o madeiro da cruz. E dizia que os pássaros têm seus ninhos, e as raposas a sua toca, mas o Filho da Virgem não possuía onde reclinar a cabeça”. Que pecadores somos nós! Bondoso irmão e bondosa irmã! Serão tão duros nossos corações, que não se rasguem, não sofram e não vençam toda ilusão demoníaca e todo juízo humano? Portanto, com decisão vivei perfeitamente unidos e em paz, seguindo os vestígios do nosso Salvador, o qual vos dirá aquela doce palavra: “Vinde, meus filhos. Por causa do meu suave amor deixastes os desordenados prazeres terrenos. Eu vos encherei de dons celestes a cem por um e possuireis a vida eterna”. Quando Cristo vos dará cem por um? Ao infundir na vossa alma uma ardente caridade. Esse é o cem por um! Privados dele, não teremos a vida eterna; possuindo esse dom, ninguém tirará de nós o paraíso!

Com amor vos peço. Procurai aumentar e nunca diminuir o santo propósito e a reta intenção que Deus vos deu. É o que desejo. Nada mais acrescento. Que Deus vos conceda sua eterna bênção. Eu, inútil serva, peço a oração de todos. E eu, Joana Pazzi*, e as demais companheiras, rezamos para que Deus nos faça morrer de amor. Jesus doce, Jesus amor.

*Essa carta foi ditada por Santa Catarina de Sena, enquanto sua filha espiritual, Joana Pazzi, escrevia.
Carta retirada da obra “Cartas Completas - Santa Catarina de Sena – Ed. Paulus” - Carta nº 152

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