quarta-feira, 25 de junho de 2014

A santidade é reconhecer-se pecador necessitado de conversão.


Salve Maria Imaculada, nossa Co-Redentora e Mãe!

O que é ser santo? Como ser santo? Como agradar a Deus? Eis a grande luta do cristão: lutar contra si mesmo para fazer não a própria, mas a vontade do Pai. Como é difícil ser santo! Como é amargo. Como é doce... Difícil? Sim. Impossível? Obviamente que não. Se a santidade fosse algo impossível, Deus não teria dito “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lev. 19,2). Se Deus mesmo me pede a santidade, por que exito em viver a santidade, a radicalidade do Evangelho. Em outras palavras: Por que ainda exito em amar a Deus sobre todas as coisas?

A medida que vai aumentando o nosso tempo de caminhada na Igreja, a vida de intimidade com Deus pela oração, vivência dos sacramentos, enfim, vamos mudando a mentalidade a cerca da santidade. Não que depois de um tempo devemos relaxar e relativizar as coisas. Quando falo que “mudamos a mentalidade” é que damos uma saída do sonho, e vivemos a realidade. E muitos caem e voltam a vida velha, colocam a mão no arado e voltam para trás, pra vida podre, suja, na lama pérfida do pecado, porque enxergam a santidade como um sonho, algo inalcançável, em que ou Deus extraordinariamente me muda, ou não tem como ser santo. E não é bem assim. Para ser santo é preciso uma contribuição minha. A maior parcela, ou melhor, tudo quem faz é Deus. Se eu tenho algo a fazer é querer. Será mesmo que quero ser santo? Eu quero amar a Deus sobre todas as coisas?

Quando nós tivemos a nossa primeira experiência com Cristo ficamos entusiasmados. Nós encontramos Aquele que nos preenche. Eis que tivemos uma experiência real e concreta com o Ressuscitado que passou pela Cruz. Jesus Cristo, nosso Senhor, preenche todos os vazios do nosso ser. Nosso coração é dilatado e recebemos o precioso dom do Santo Espírito de Deus. Como é belo. Como é bom ver que Deus nos ama apesar das nossas misérias. A maioria de nós quando tivemos essa experiência real com o amor de Deus, bendizemos e exultamos a misericórdia de Deus, pois vimos em que lamaçal estávamos, e vimos que foi Cristo que veio ano nosso encontro. A iniciativa foi, é e sempre será d'Ele. Ficamos agradecidos, pois pelos nossos pecados merecíamos o inferno; mas Cristo, bondade e misericórdia infinita, nos deu Seu infinito amor. Ele nos encheu de Seu Santo Espírito. Muitos ficam tão empolgados que são chamados por alguns de “aleluiados”. Nesta fase da vida espiritual, quando recebemos o Kerigma, ou seja, o primeiro anúncio, nós vemos a santidade como um conto de fadas, porém real. Explico-me: toda aquela história de que devemos ser santos faz agora sentido. Agora de fato você quer carregar a cruz, quer sofrer por causa do Evangelho. Quer amar a Jesus até a loucura – como dizia Santa Faustina – e fica de fato – exteriormente ao menos – louco por Cristo. A vida é rezar Terço, adorar o Santíssimo, assistir o Santo Sacrifício da Missa e Comungar o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. De fato começa-se a amar a Jesus e a viver pra Ele e com Ele. Só que existe um problema nisso tudo: estamos “aleluiados”. Este gosto espiritual, este prazer ao rezar, estas consolações, irão passar. O prazer pela cruz passará, e a cruz ficará. E aí devemos decidir: carregamos a cruz ou ficaremos nos amargurando buscando consolações? Quando começamos a dar passos largos - ou para melhor entender-, quando começamos a comer alimento sólido, começamos a ter essa mudança de mentalidade a cerca da santidade.

Eu tenho visto muita gente que tinha vida de oração voltar a vida velha. Mas por que? Sempre me pergunto. Ora, se tinham vida de oração, como podem ter caído? Claro, que talvez podia apenas aparentar ter vida de oração, mas mesmo assim, se tiveram de fato uma experiência verdadeira, porque voltaram pra traz? Temos que muitos tenham caído durante essa mudança de alimento, de líquido para sólido. E por não entenderem, por terem ficado na ignorância por falta de um diretor espiritual, acompanhador, bons livros, ou porque foram desobedientes, acabaram caindo em escrúpulos e achando novamente que a santidade era impossível. Quando na vida espiritual nos alimentamos com alimentos sólidos, passamos a estar entregues a nossa própria miséria. Antes nós topávamos qualquer parada, pode vim quente que eu estou fervendo no fogo do Espírito Santo, dando bicuda no cão e dando glória. Hoje, vemos o quanto somos miseráveis, indignos do amor de Deus, e que mesmo que eu tente, tente, tente, com minhas próprias forças, não consigo nem levantar da cama. É Ele quem nos dá a vida. É Cristo que é algo em nós; ou melhor, Ele é o tudo; porque eu, sou apenas miséria. Quando tivemos aquele primeiro impacto com o Deus vivo e Misericordioso, nós tínhamos força pra lutar contra o pecado. Não só fugíamos das ocasiões de pecar, como se estivéssemos diante da queda, “tiraríamos de letra” e ainda zombava do tentador dando glória a Deus e a Santíssima Virgem Maria. Agora, porém, parece que o demônio vive na mente, é só tentação, tropeços, quedas, agonias, você vê que ainda não é santo.

E por que acontece isso? Por que deixa Deus que sejamos molestados assim? Isso é pura misericórdia de Deus. Pela Sua Misericórdia nos perdoou o Senhor Deus da nossa multidão de pecados; e agora poderíamos ir para o inferno por um pecado chamado ORGULHO. Deus então nos entrega a nós mesmos, provando se de fato amamos Ele. Agora é a hora da verdade. Eu mostro que renuncio a mim mesmo e escolho o Amor de Deus quando estou diante do pecado e eu digo: eu prefiro Deus! Eu prefiro a santidade. Eu sou de Deus pela Imaculada!

Isso pode ser um choque para muitas pessoas. Talvez por isso tantas quedas. Antes pela força do impacto do amor de Deus, acabamos achando que a santidade consistia em não pecar. De fato, quem peca é do demônio (cf. 1João 3,8). Mas aqui quero dizer em relação a tentação. Posso falar até mesmo por mim, creio que por muito tempo achei que conforme os anos fossem passando as tentações diminuíssem. Claro, sem ilusão, tentação sempre terá. Mas acho que achei que seria sempre algo controlável. Talvez vivemos tão anestesiados que nem percebemos que a carne
um dia voltará a gritar. Quando conhecemos a Deus, criamos muitas vezes até repugnância do pecado. Muitas vezes até de pecados que o demônio tinha conseguido fazer que fossem habituais. E depois de criar esse nojo, essa repugnância, achamos que sempre seria assim. E eis que é um grande cilada. Estamos diante de um grande tombo.

Para dar alguns exemplos simples, que você com certeza saberá aplicar na sua vida de acordo com sua realidade, quero dizer algo que ocorre comigo. Quando conheci a Deus vivi um tempo ainda relativizando algumas coisas. Um exemplo era a música Rap. Não só ouvia, como cheguei a cantar Rap “católico” (quem acompanha a um bom tempo o blog sabe desse passado negro). Depois que me consagrei à Nossa Senhora pelo método de S. Luís Maria Grignion de Montfort, me tornando assim escravo por amor de Nossa Senhora, Ela foi me moldando em muita coisa. E uma dessas coisas foi a música. Fui vendo que não tinha compatibilidade pra quem queria viver a santidade que Deus queria. Fui renunciando. Ao ir renunciando, fui criando um certo nojo. Se tocassem um rap perto de mim já não gostava. Minha carne criava repulsa. Claro que tudo isso é obra do Espírito Santo me dando força pra renunciar. A comparação que me veem a mente agora é como se fosse um pai que ensina o filho a andar de bicicleta com rodinhas. Depois que o filho aprende, tira as rodinhas, e o filho as vezes cai. Mas o pai ensinando direito, o filho saberá andar tranquilamente. Assim acontece conosco na vida espiritual, o Espírito Santo, tal qual pai ensinando o filho a andar de bicicleta, nos ajuda a vencer tais tentações. Porém, depois será tirado as “rodinhas espirituais”, e aí que mostramo se de fato aprendemos. Nos últimos dias tenho visto que tudo aquilo que renunciei, só suportei viver sem por causa da graça do Espírito Santo de Deus que me sustenta. Porque a carne ficou dependente do pecado, e o Espírito preenche essa dependência. Só que depois quando comemos alimento sólido, estaremos de choque com nossas tentações, e devemos nos decidir por Deus. Fugi um pouco do exemplo iniciado, mas é bem isso: hoje sofro quando tocam Rap perto de mim; não por repulsa, mas porque a carne grita. É um grande combate espiritual. Antes parecia tão fácil ignorar, distrair com qualquer outra coisa... Hoje tocam os Raps preferidos de outrora, alto, e eu que tanto tinha ignorado, me pego completando alguns versos. Entendem o que quero dizer? É que de fato é meio complicado conseguir escrever de forma a se entender bem, que o Espírito Santo possa de fato fazer vocês compreenderem isso.

Para ser santo é preciso constantemente reconhecer que é pecador. Como um dependente químico que sempre se reconhece como em recuperação. Pode ter dez anos que parou de fumar maconha, crack, cheirar cocaína, beber cachaça, mas sempre se põe como “em recuperação”. E isso se dá porque ele sabe de suas limitações, fraquezas. Ele sabe que a carne grita pedindo aquela droga. Assim como nos demais pecados, a carne sempre gritará. Por isso devemos sempre estar em oração pedindo a força do Espírito Santo para dizer NÃO ao pecado. Se antes achávamos que viveríamos a castidade tranquilamente; hoje tenhamos a consciência que viveremos a castidade travando uma grande luta. Contra o inferno e contra nossa própria carne.

Isso tudo que digo é muito mais complicado para aqueles que tiveram uma vida extremamente desregrada antes de se converterem. Pois uma pessoa que viveu, por exemplo, com a sexualidade desregrada, viciada em sexo, pornografia, masturbação, farras, etc.; e após conhecer Jesus se decide por viver a castidade; após o momento “aleluiado” em que tudo vai bem, agora chega o momento da aridez, e eis que essa pessoa sentirá uma grande dificuldade. Antes achava que seria super fácil ser casto, e que a carne não gritaria. E eis que agora a carne grita, berra, pede aqueles coisas que outrora ele fazia. E eis que ele terá que dizer não. E será muito difícil para essa pessoa dizer não caso ela não tenha se prevenido espiritualmente. Em casos assim a pessoa não deve jamais deixar a confissão. E assim como na luta anterior pra deixar os vícios quando conheceu a Deus, deve buscar se confessar toda semana, ou todo dia se assim cair.

Muitos santos viveram estes momentos. Santa Faustina conta no Diário as vezes que de forma muito mais forte ela viveu entregue à sua própria miséria. É treva pura. Vamos vendo o quanto não somos santos. E descobrimos que a santidade consiste em descobrir que eu preciso me converter. Ser santo é saber reconhecer a misericórdia de Deus. Sem a Misericórdia de Jesus ninguém pode ser santo. Quem quer ser santo sem ser pela estrada da Misericórdia não é e nem será santo; essa pessoa é apenas um prepotente orgulhoso que corre o risco de ser condenado ao inferno. Esta aridez é boa, vamos vendo o quanto somos dependentes do amor de Deus. Vamos ficando humildes. Se alguém cai em pecado mortal, não me escandalizo, pois sei que mesmo que eu não sinta, Deus é quem me segura e me sustenta com Sua Misericórdia, pois se dependesse de mim mesmo caía de forma mais vergonhosa que este irmão. Como julgar uma pessoa em pecado, se o pecado que ele comete a minha carne pede todo dia? Este pecado está na mente? Claro, isso não quer dizer que pequei, pois como diz Santa Catarina de Sena, o pecado não estar no sentir, mas sim no consentir. Ou seja, os maus pensamentos, as tentações, os gritos da carne, não são pecados em si; mas se eu consinto, mesmo que em pensamento ache bom e peque no coração, ou mesmo caia em ato, pequei feio. Mas o que quero dizer aqui é justamente isso: quem quer viver a santidade sabe reconhecer que a santidade é uma torrente de Misericórdia de Deus, e assim não se escandaliza com a queda do outro, pois também estaria caído se não fosse a mão de Deus.

Queria dizer tanta coisa, mas não meu intelecto não deixa. Mas quero finalizar tentando deixar claro a ideia central deste texto: faça um exame de consciência, medite, reze. Quem puder, faça uma confissão geral da sua vida toda. Sabe esses seus pecadões mais podres do que o governo Petista? Então, você é um dependente enquanto estiver nesse vale de lágrimas. Não ache que viverá sempre sem ser tentado. A tentação virá. Claro, se acontecer de não sofrer tantas tentações pra cair nesses pecados, bendito seja Deus por isso. Mas caso contrário, já estás alertado. Quem era adultero, vai sentir vontade de adulterar; quem era beberrão de até mesmo chegar ao coma alcóolico, sentirá vontade de beber; quem usava drogas ilícitas, sentirá desejo; quem tinha a sexualidade desregrada, sentirá a carne berrando; quem usava roupas imodéstias, sentirá vontade de usar novamente, principalmente no tempo de calor escaldante; quem não sentia mais gosto pelas festas mundanas, vai aparecer uns amigos do tempo de outrora chamando pra sair, aparentará ser sem maldade, mas a maldade quer tomar conta de você... Enfim, é aí que a cada dia nós devemos escolher Cristo crucificado e escolher a santidade. E como diz o título deste texto: santidade é reconhecer-se pecador necessitado de conversão. Reconheça diante de Deus, e conte pra Ele, que sem Sua graça você cairá, e suplique Sua Misericórdia. Se sua oração for humilde com certeza te atenderá. Como ouvi uma vez, um jovem em crise de abstinência de droga, correu pra capela do Santíssimo Sacramento e disse “Jesus, eu não vou sair daqui até passar essa vontade”. Assim devemos agir quando vier a tentação de voltar a vida velha. “Jesus, meu Senhor, eu não vou sair da tua presença até que essa tentação vá embora”. E não importa o tempo, fique diante do Santíssimo Sacramento, e quando sair, leve-O em seu coração. Em meio a aridez, as trevas, NUNCA, em hipótese alguma deixe de comungar nem de confessar. Com estes dois Sacramentos alcançaremos de fato a santidade que Deus quer de nós. Eis os sacramentos misericordiosos. Enfim, mantenhamo-nos sempre em oração com a Santíssima Virgem Maria, que assim como o Espírito Santo é como um pai que ensina a andar de bicicleta com rodinha, a Virgem Maria também é esta mãe que sempre está a nos auxiliar. Ela é o modelo de santidade. Ela é quem nos levanta a cada queda. Mesmo se você cair em pecado mortal, rogue a grande Mãe de Deus, a Mãe de Misericórdia, que te levante. Nunca perca a esperança. Diz Santa Afonso Maria de Ligória que o demônio após fazer com que as pessoas percam a graça de Deus, faz com que percam a devoção à Virgem Maria. E sabem por que? Porque Nossa Senhora é a Virgem dolorosa do Calvário, a Mãe de Clemência, Mãe de Misericórdia, Aquela que levanta os caídos, e faz de nós miseráveis dos miseráveis, os piores dos piores, os mais pecadores, santos agradáveis a Deus. Pois como diz São Luís Maria Grignion de Motfort (acho que até citando S. Agostinho): Ela é a forma de Deus.

Aconteça o que acontecer, com Jesus e com Maria, sejamos santos! Se você perdeu esse sonho por ter voltado atrás... Olhe pra cruz, existe um mar de Misericórdia saindo do coração de Cristo só por você. Recomeçe. Seja santo. Deixe-se ser amado por Deus. Deixe-se vencer pelo Ressuscitado que passou pela Cruz.
Ps: nesses momentos sempre reze o Rosário ou pelo menos o Terço. E claro, também o Terço da Misericórdia.
Salve Maria Imaculada, nossa Co-Redentora e Mãe! Viva Cristo Rei!



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