sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Os pecados contra o Espírito Santo

Por isso, eu vos digo: todo pecado e toda blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não lhes será perdoada. Todo o que tiver falado contra o Filho do Homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século nem no século vindouro.” (Mateus 12,31-32)

Salve Maria Imaculada!
Esta é uma passagem bíblica bem conhecida. Jesus nos alerta que todo pecado tem perdão; entretanto, o pecado contra o Espírito Santo não tem perdão. Mas você sabe o que é e quantos são os pecados contra o Espírito Santo? Bom, em primeiro lugar é preciso saber que o pecado contra o Espírito Santo não é simplesmente blasfemar contra o Espírito ou somente atribuir obras más a Ele, e obras boas ao demônio. Poderíamos dizer que vai além disso. E posso também me arriscar a dizer que todo mundo que está no inferno foi condenado pelo pecado contra o Espírito Santo.

Buscando resposta na Igreja, que é coluna e sustentáculo da verdade (cf. 1Timóteo 3,15), nós encontramos o que de fato é este pecado e quantos são. Vamos primeiro na quantidade. O Catecismo Maior de São Pio X vai nos elucidar que são seis os pecados contra o Espírito Santo. E São Pio X os nomeia dessa maneira:
-1.º desesperar da salvação;
2.º presunção de se salvar sem merecimentos;
3.º combater a verdade conhecida;
4.º ter inveja das graças que Deus dá a outrem;
5.º obstinar-se no pecado;
6.º morrer na impenitência final

E posteriormente respondendo o porquê estes pecados são pecados contra o Espírito Santo, São Pio X responde: “Chamam-se estes pecados particularmente pecados contra o Espírito Santo porque se cometem por pura malícia, o que é contrário à bondade que se atribui ao Espírito Santo.” (Catecismo Maior de São Pio X, n 961 e 962) – Por isso foi que afirmei acima que todos os infelizes condenados no inferno provavelmente cometeram pecado contra o Espírito Santo. Este tipo de pecado é um pecado que por ele mesmo se impede o perdão. É como se fosse um grito de “eu não quero ser perdoado”. Por isso é que Jesus disse que não terá perdão nem nessa vida, nem na outra. Porque é válido lembrarmos que o tempo de arrependimento é aqui na vida terra. Quando morrermos corporalmente, iremos para o nosso juízo, e iremos para o Céu (se estivermos preparados) ou tragicamente iremos para o inferno se estivermos em pecado mortal. A última Misericórdia chama-se purgatório. Entretanto, o purgatório é para purgar, ou seja, para purificar-se, para estar preparado para entrar pra glória de Deus eternamente no Céu. O purgatório não é para se arrepender. Mas sim para se purificar.

Analisando de maneira simples cada um dos pecados contra o Espírito Santo, podemos ver como ele (pecado) se coloca como uma barreira impedindo o perdão. Primeiramente olhemos o primeiro pecado que é o de desesperar da salvação. Este pecado é o daquelas pessoas que olham para suas vidas, cheias de pecado, mas no entanto não se humilham diante de Deus, mas se DESESPERAM diante da santidade de Deus, e acham que vão para o inferno. Deus tenta tocar com a Misericórdia, mas ela se agita, se desespera. Não quer saber de Deus. Afinal – julga-se ela mesma – ela é pecadora demais e Deus é muito santo, ela não é digna. E nisso muita gente cai no inferno porque não se perdoam e nem deixam que Deus lhes perdoe. É comum este pecado quando a pessoa está no leito de morte. Dizem alguns místicos da Igreja, como Santa Faustina, que Deus até o último segundo de vida vai tentar uma forma de fazer a Misericórdia alcançar aquele coração. Mas se a pessoa cai em desespero, ela perde a fé, perde a esperança, e cai mergulhada não na misericórdia, mas no abismo da escuridão de sua alma. Para evitarmos este pecado devemos sempre ter a mente que Deus é misericórdia. Sendo assim, nós diante da morte, diante das situações adversas, não ficaremos desesperados. Mas se cairmos, tentaremos levantar segurando na mão de Deus. Sim, se estivermos diante da morte, façamos como muitos pecadores obstinados, que decidiram se converter, e mudaram sua vida.

Um exemplo claro de pecado contra o Espírito Santo no desespero é o caso do bom e do mau ladrão. Leia em Lucas 23,39-43 esta narração. Jesus crucificado em meio a dois ladrões. Entretanto, um dos ladrões cometeu o pecado contra o Espírito Santo. Podemos notar este pecado quando ele diz: “Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!”(Lc 23,39). Ou seja, caiu no desespero da salvação. E podemos ver muitos assim nos hospitais. Claro que eu entendo a dor que devem estar sentindo. Mas a gente sabe de histórias de pessoas que atravessando grandes lutas contra doenças, começam a blasfemar dizendo “Deus, se você existe porque eu sofro?”, “Se Você é amor, por que estou assim?”, “Se Jesus tem poder, por que não me cura?”, e nesses dizeres (infelizmente com palavras bem mais pesadas) acabam vivendo de blasfêmias e pecando contra o Espírito Santo que é o autor da graça. O mau ladrão se perdeu. Assim como tantos tem se perdido por se desesperarem. Conheço caso de um jovem que ao sofrer uma grande doença, praticamente não enxerga, acaba guardando uma faca debaixo do travesseiro porque tem raiva das irmãs adotivas e da mulher que cuida dele, porque ele não aguenta sofrer. Claro, entendemos a dor, mas o demônio aproveita o desespero. Por isso lembre-se: seja qual for a situação, nunca deixe o desespero entrar, porque o desespero é demoníaco. - Mas mesmo na dor, lembre-se do bom ladrão, que mesmo tendo todo seu erro, diante do Senhor se reconheceu pecador e pediu perdão: “Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu reino”. Jesus respondeu-lhe: 'Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso'”. (v.42-43)

Depois vem o pecado da presunção de salvar-se sem merecimentos. Isso quer dizer que só se salvam os santos (no sentido extremo da palavra)? Não. No entanto o chamado que Deus nos faz é à santidade. Sabemos que todos somos pecadores, agora não lutar contra o pecado é burrice, ou melhor: pecado contra o Espírito Santo. Aqui podemos identificar algo muito comum nos dias atuais. As pessoas acham poder salvar-se sem conversão. Esse merecimento não é ser um “beato”, mas é se converter. A pessoa presume que pode se salvar sem ter que largar a vida podre de festas, de bebidas, de drogas, de sexo desregrado, de adultério... enfim, tudo isso com a máscara de... “Deus é amor e Misericórdia...”. Dá uma pena isso. Porque de fato Deus é amor e Misericórdia, só que Ele me ama tanto, mas tanto, que se encarnou e morreu numa cruz por mim. E lembrem-se: “É para que sejamos homens livres que Cristo nos libertou.” (Gálatas 5,1) – Foi para sermos homens e mulheres livres no poder do Espírito Santo que Cristo nos libertou. E não para continuarmos na escravidão do pecado. Por isso essa presunção é diabólica e pecado contra o Espírito Santo, fazendo com que as pessoas se percam cada vez mais. A pessoa tem uma experiência com Cristo, uma experiência com o Espírito Santo; porém, tudo fica no sentimentalismo, nas consolações, e ela não quer mudar de vida, porque – dizem alguns - tudo bem ser de Deus e ir pra balada ficar com fulano, com ciclana...

Uma passagem que elucida muito bem este pecado contra o Espírito, pecado de presunção, é o Apocalipse 3: “Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fpsses frio ou quente! Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te.” (Apocalipse 3,15-16). O que vemos aqui? Vemos Deus nos falar que é melhor ser frio ou quente, mas jamais morno. E as pessoas hoje vivem mornas. Conhecem a Deus, mas não querem arder nas chamas do amor de Deus, renunciando a tudo por causa desse amor. Não. Ficam tudo no mais ou menos. Normalmente dizem “não devemos ser tão radicais”. Tudo pode. Posso fazer tudo. E infelizmente alguns ainda dizem “que mal tem nisso? É só se confessar antes de morrer”. Aí que está o problema. A gente não sabe quando iremos morrer. E peca-se com total consciência. E a confissão é sem arrependimento, sem querer emendar a vida; então o próprio sacramento é profanado e a confissão inválida, fazendo assim com que a pessoa continue no pecado e, infelizmente, descendo ladeira abaixo.

Conseguem entender o porquê o pecado contra o Espírito Santo é um pecado que impede o perdão? Eu já estive em situações assim. Por exemplo, teve um tempo na minha vida que eu pecava já programando a confissão. Eu iria pecar tal hora, e ia pra confissão tal hora. Até encontrar a paróquia sem atendimento no dia. Infelizmente acontece isso com muitos. Muita gente não muda de vida. Aliás, não quer mudar de vida. O pecado aqui é no não querer mudar de vida e ainda achar que vai ser salvo porque Deus é bom, e porque antes de morrer ele vai se confessar. Não sabe nem quando vai morrer e nem se vai ter confessor. Então viver uma vida desordenada com plena consciência do que é certo e do que é errado, é um pecado grave. Pior: pecado de presunção; pecado contra o Espírito.

A seguir vemos o pecado de combater a verdade conhecida. Isso é muito simples. Consiste na pessoa combater uma verdade de fé proclamada pela Igreja. Por exemplo: A Igreja proclamou o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Se alguém não crer e combater este dogma, dizendo que é mentira, e inventar coisas para tentar falar o contrário do que esta verdade nos ensina, essa pessoa está em pecado contra o Espírito. Pois a voz da Igreja é a voz da verdade. “Roma locuta est, causa finita est.” (Santo Agostinho); ou seja: Roma falou, causa finita. Como já citado aqui neste port, a Igreja é a coluna e o sustentáculo da verdade (cf. 1Timóteo 3,15). Então o que a Igreja Católica define como regra de fé, deve ser seguido, pois a Igreja nunca errará. Os filhos da Igreja, inclusive o Papa, pode pecar; mas errar em questão de moral e doutrina, a Igreja, na pessoa do Papa, jamais pode errar. Isso é dogma. Isso é fé.

Se a pessoa combate a verdade de que Jesus é Deus, está em pecado contra o Espírito Santo e não pode ter perdão. Assim é contra as outras verdades da fé católica: sair combatendo dizendo que Nossa Senhora não é Mãe de Deus é mais um exemplo. Por isso normalmente quando se define um dogma, os Papas declaram dizendo, para aqueles que não crerem no que está sendo definido, “seja ele anátema”, ou seja, excomungado. Aliás, este termo é usado por São Paulo, também mostrando o poder da excomunhão e como é um grave pecado combater uma verdade revelada: “Mas, ainda que alguém – nós ou um anjo baixado do céu – vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema!” (Gálatas 1,8) – Aliás, o próprio pecado de combater a verdade conhecida é este mesmo: pregar um evangelho diferente. E infelizmente, existem milhares e milhares de evangelhos diferentes sendo pregados, várias igrejas, e uma única verdade. Verdade essa que é tão combatida.

É por isso que o Catecismo da Igreja Católica vai ensinar que fora da Igreja não existe salvação. Só na Igreja Católica está a plenitude da salvação. Mas o Catecismo deixa claro também que uma pessoa não católica pode ser salva no caso de ignorância invencível. Que é o caso de uma pessoa ter boa fé, mas não existisse meios para conhecer a verdade. Enfim, essa pessoa poderá ser salva. Mas será salva por causa da Igreja, nos mistérios de Deus. Mas falo isso para lembrar que o Catecismo deixa claro mais uma coisa: “Não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus por meio de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar ou nela perseverar.” (CIC 846) – Ou seja, se eu sou protestante e começo a estudar a patrística, os padres da Igreja, a história da Igreja, e então eu descubro que a Igreja Católica foi mesmo fundada por Jesus, mas não quero entrar na Igreja Católica, está em pecado mortal. Por quê? Porque está combatendo uma verdade conhecida. Você conheceu a verdade, mas não quer perseverar nela. E existem vários casos assim. Protestantes que estudam, conhecem, mas por respeito humano não querem se converter ao catolicismo. Alguns usam a desculpa da vida imoral de alguns católicos. Mas eu não sou Católico por causa de fulano ou de ciclano, eu sou Católico por causa de Jesus. Se formos julgar a vida moral, não iremos crer em Jesus, afinal um dos Apóstolos era Judas, o traidor que roubava a bolsa dos próprios apóstolos.

Nessa mesma linha encontramos os católicos “água morna com açúcar” que acham que em qualquer lugar está bom. Aliás tem muitos que vão na Missa, mas também frequentam um culto protestante. Bom, não to dizendo que toda essa confusão aqui do católico protestantizado seja um pecado. Mas se ele virar protestante, infelizmente, entrará em pecado contra o Espírito Santo. Claro que isso se ele de fato tiver tido pleno conhecimento do que é a Igreja Católica, os Sacramentos, a vida na graça, etc.

Esse pecado é bem extenso. Mas a gente pode colocar aqui também aqueles católicos que vivem uma vida promiscua. A Igreja ensina que não pode fazer sexo fora do casamento. Ai os jovens fazem antes de casar, e depois que casam se traem. A Igreja ensina que não pode usar anticoncepcional, aí além de abortar, porque o anticoncepcional causa aborto, ainda entra em desobediência. Enfim, ele sabe que é pecado e mesmo assim comete. Não falo daqueles casos em que as pessoas lutam para não pecar mas nos momentos de fraquezas caem. A diferença do que peca contra o Espírito Santo com aquele que pecou mas quer ser de Deus é esta: aquele que quer ser santo, quando peca, mesmo que mortalmente, corre para se confessar e voltar a graça de Deus; já o que peca contra o Espírito Santo ele não corre para confessar, ele vive como se nada tivesse acontecido. E neste caso, ele sabe que é pecado, já lhe foi revelado, mas ele não tá nem aí. E vemos muitos jovens, até catequistas, combatendo a verdade revelada pela Igreja: “A Igreja diz que é pecado usar camisinha, mas eu discordo”, “A Igreja diz ser pecado transar antes do casamento, mas eu discordo”, “A Igreja diz que homossexualidade – no
caso o ato homossexual – é pecado, mas eu discordo. Viva o 'amor'” - Bom, para essas pessoas, e infelizmente até catequistas, eu só tenho a dizer: você está dizendo que é católico, mas eu discordo.

O outro pecado citado por São Pio X é o pecado da inveja das graças que Deus dá a outrem. Acho que essa é bem clara. E aqui a inveja é bem explorável, existe muito tipo de inveja. Mas aqui é das graças que Deus concede. E quero aqui apenas citar algo dentro da própria Igreja em relação aos dons do Espírito Santo. A gente vê que tem pessoas que alimentam inveja em relação aos dons: “poxa, fulano prega, e eu não prego”, “fulano ora em línguas, e eu não, nunca consegui... chatiado”, “fulano profetiza, eu não”, fulano isso, fulano aquilo. E nunca olha para os dons que Deus deu para si. E desse pecado gera o outro do desespero. Acho que Deus não lhe ama, que ama mais o outro. E aí a pessoa perde toda uma vida porque não quer o que Deus lhe deu, mas o que Deus deu ao outro. A gente pode ver isso quando Caim matou Abel por inveja. Caim tinha inveja porque Deus aceitava as oferendas de Abel. Pronto, e aí a inveja levada pelo ódio, fez com que Caim matasse Abel. Quantos e quantos não tem se matado dentro da Igreja por inveja dos dons, do jeito do outro falar, do carisma que uma pessoa tem ou deixa de ter. Além de matar a outra pessoa por dentro, mata a si mesmo.

A gente vê também ser apontado como pecado contra ao Espírito Santo o obstinar-se no pecado. Acho que até em outros pecados citados acima dar para a gente entender. Uma pessoa obstinada pelo pecado é aquela que só quer o pecado, o vício, não vive sem aquilo, respira aquilo, está louca naquilo. Enfim, uma pessoa obstinada pelo pecado em si, é uma pessoa que não quer o perdão. É como ouvi dizer que uma prostituta em um programa de televisão disse que era prostituta não era porque precisava não, era porque gostava mesmo. Ou seja, está obstinada no pecado. Claro que mesmo aqueles que “precisam”, existem meios de viver sem ser do pecado, tem-se que dar um jeito.

Mas a gente vê hoje na sociedade corrompida esse pecado contra o Espírito Santo se espalhar. Você olha um Carnaval da vida, ou mesmo como vive a juventude nos dias de hoje, você ver a obstinação. Tudo é sexo, droga, e tudo que o demônio colocar no caminho. De maneira viciada. Uma pessoa numa situação dessa é desesperadora. Por quê? Porque ela não quer o perdão. Entendam, aqui não se trata de uma pessoa que conheceu a Deus, mas que ainda está engatinhando na fé, e não tem conseguido ter forças para se firmar. Mas que tem aos poucos vivido o que dizia São Domingos Sávio “antes morrer do que pecar”. Não. Aqui se trata de uma pessoa obstinada. “Irmão, Jesus pode mudar a sua vida.” - “hum é mesmo? Legal. Mas quem disse que eu quero mudar?” Entendem? Um sacerdote uma vez contou que atendeu uma jovem que queria ser batizada. Ela era homossexual, estava numa vida podre. Conversa vai, conversa vem: descobre-se que a jovem tinha traumas. Ela tinha sido abusada sexualmente quando jovem. E agora, o único refúgio dela era essa outra mulher. Enfim, o sacerdote tentou de todo jeito, falou da Misericórdia de Deus. Tentou, tentou... Mas a garota, chorando, simplesmente disse: “eu só quero saber se eu vou poder ser batizada ou não”. Obviamente ela não podia por estar em pecado mortal. Então ela foi embora. Entendem? Estava tão obstinada no pecado que negou a graça do batismo por não querer renunciar seu pecado. É claro que eu não sou Deus, então não sondo os corações. Mas é triste ver as pessoas negando a graça do Espírito Santo e se perderem. O que nos resta fazer? Rezar e fazer sacrifício. Nesses casos a salvação será beber da miséria alheia. Ou seja, beber do pecado dela. Como? Rezando e fazendo sacrifícios. Porque chegou o tempo em que não basta só palavras açucaradas, chegou o tempo em que precisamos viver a mensagem de Nossa Senhora de Fátima em que dizm “muitas almas vão para o inferno por não haver quem reze e se sacrifique por elas”. Um exemplo dessa expiação é Santa Faustina, que em seu diário relata os tormentos e demais sofrimentos que sentia em reparação pelos pecados, muitos deles podemos afirmar que eram contra o Espírito Santo, como as almas desesperadas.

Por fim chegamos ao pecado da impenitência final. Que é justamente morrer sem fazer penitência, no caso sem se arrepender. Muitos que não querem se confessar, ou se confessam muito mal, sem arrependimento, cheios de orgulho, ódio, enfim. Uma vez uma viúva chegou para São Padre Pio – que era cheio dos dons do Espírito Santo, era um místico – e pediu-lhe que rezasse e lhe dissesse aonde que o seu marido, que a pouco havia falecido, estava. São Padre Pio rezou silenciosamente, fez uma cara de dor, e disse: “Seu marido está no inferno!”. A mulher espantada pergunta: - mas como se ele se confessou antes de morrer? - Padre Pio então diz-lhe que de fato ele se confessou antes de morrer, no entanto, ele tinha um chamado quando jovem, brincou com o chamado e quis deleitar-se no pecado e não conseguiu voltar pra Deus. Sempre dizia que depois se converteria. E quando confessou antes de morrer, não confessou contrito, esqueceu alguns omitiu outros pecados. - Enfim, vimos neste caso um exímio caso de pecado contra o Espírito Santo: presunção, obstinação, morreu impenitente (já que confessou mas sem arrependimento)... Enfim, tristemente muitas almas têm-se perdido.

Meus irmãos, não caiamos nessa mentida diabólica do “não precisa”. Muitos dizem que não precisa ir pra Missa direto (é bom sim irmos pra Missa, além do domingo, quantas vezes pudermos). Outros dizem que Rosário ou Terço diário é exagero; jejum é exagero; mortificação é exagero; ser santo é exagero. Meus queridos. O tempo de conversão é agora. Não deixemos para fazer penitência depois. Façamos penitência – moderadamente, até bom que seja sob orientação de um diretor espiritual – aqui na terra para podermos ao menos chegar ao Purgatório para a purificação final. Chega de comodismo.

Eis o tempo novo. O tempo em que o Espírito Santo vem renovar a face da terra. Eis o tempo de conversão. Eis o tempo de nos abrirmos para a graça de Deus.

Antes de finalizar este texto, é bom esclarecermos novamente que o pecado contra o Espírito Santo é colocado por Jesus como um pecado que não tem perdão, porque por ele mesmo (pecado) não se deixa perdoar. Como já dito, este pecado é um grito de “eu não quero Deus.” Por isso muito cuidado antes de dizer que alguém está pecando contra o Espírito Santo. Mas reze intensamente para que a Misericórdia de Deus possa ser derramada sobre os corações dos piores pecadores. Afinal, se não fosse a Misericórdia de Deus, onde estaríamos nós? Se não fosse a Virgem Maria, Mãe da Misericórdia, onde estaríamos nós?


Deus é Misericórdia. Se Ele (Jesus) morreu na cruz por nós. Vamos nós também morrer antes de pecar. Vamos nós consumir a vida por Ele. Pois a partir da encarnação de Jesus, não temos desculpa para o pecado: “se eu não viesse e não lhes tivesse falado, não teriam pecado; mas agora não há desculpa para o seu pecado.” (João 15,22) Porém o pecado contra o Espírito é não querer se reconhecer pecador. “Deus não nos cansa de perdoar, nós é que nos cansamos de pedir perdão” (Papa Francisco)

Salve Maria Imaculada, Esposa do Espírito!

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