quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A MISSA E A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA SÃO A MESMA COISA? O QUE FAZER QUANDO VOU À MISSA MAS SÓ TERÁ A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA?


Salve Maria Imaculada!

Sabemos que é comum que nas nossas Paróquias haja as chamadas “Celebração da Palavra”. Normalmente são celebrações litúrgicas em que se é proclamada a Palavra de Deus, e, comumente, se Comunga o Corpo de Cristo. Mas, infelizmente, em alguns lugares existe um abuso em relação a essas celebrações. Se não da parte da Paróquia, que por necessidade tem que ter essas celebrações na falta de um sacerdote para celebrar a Missa, mas do povo que mal formado – muito mal formado – não distingue a Santa Missa de uma Celebração da Palavra.

Quando falo que o povo é muito mal formado, não estou criticando o povo em si. Mas sim quem tem que formar, porém, não forma. No caso os coordenadores de Capela e/ou Paróquia, juntamente com quem ministra essas celebrações (Diácono ou mesmo um leigo autorizado para tal), deveriam antes das celebrações, ou mesmo durante a celebração (no caso de um Diácono ao pregar) falar ao povo da diferença da Missa, e que ali é apenas uma reunião de fiéis para ouvir a Palavra de Deus e comungar. Mais para frente vocês entenderão o porquê deve-se alertar sobre a diferença. Mas nos atentemos de fato em diferenciar.

A Santa Missa é o Santo Sacrifício de Cristo na Cruz! Na Santa Missa o sacerdote oferece ao Pai o Corpo e o Sangue de Cristo. Na Santa Missa o pão não é mais pão; o vinho não é mais vinho; mas sim Corpo e Sangue de Jesus Cristo! Em primeiro lugar devemos lembrar que a Santa Missa é oferecida pelo sacerdote em primeiro lugar para Deus. Ou seja, é um culto a Deus, um culto de adoração a Deus. Depois por si, e posteriormente pelo povo. É importante falarmos isso porque aqui quebra-se as pernas dos mais liberais que dizem que basta participar da Celebração da Palavra no domingo que já se cumpriu o preceito dominical. Isso é uma mentira. A Igreja nos ensina que para cumprir o preceito dominical deve-se assistir ao Santo Sacrifício da Missa. Obviamente não bastando apenas uma Celebração da Palavra ou uma outra reunião de fiéis.

Mas então o que fazer com quem não pode ir para a Santa Missa, como por exemplo pessoas que moram em cidades que não tem padre e que não podem se dirigir a outro lugar? Neste caso elas não tem culpa, portanto não estão em pecado. E a Celebração da Palavra ou outra reunião de oração entre os fiéis católicos podem servir para santificar o dia de domingo. Só que para nós de grandes cidades, que temos condições de nos dirigirmos para Paróquias vizinhas, a história é outra. Nós, sem as escamas da ignorância, sabendo que para cumprir ao preceito dominical devo participar da Santa Missa e não apenas da Celebração da Palavra, ao chegar em uma Igreja e ser celebrado apenas a Palavra, o que fazer? Obviamente, como bons católicos, iremos voltar no outro horário que que tenha Missa, ou no caso de não ter Missa de forma alguma, iremos a outra Paróquia, certo? Isso é o que era para acontecer. Mas o que muitos fazem é simplesmente Comungar e voltar pra casa como se já tivesse cumprido o preceito; tirar o reto do domingo como lazer e não para adoração. Porque afinal, Deus não merece que eu ande alguns minutos a mais até a paróquia ao lado, ou mesmo não merece que eu pegue um ônibus para ir a uma cidade ao lado (lembrando que nos casos de quem possa fazer isso). Mas não, nós preferimos o comodismo.

E infelizmente isso se dá porque as pessoas não conseguem diferenciar. Tem gente que ao ver alguém questionando sobre se na Igreja terá Missa ou Celebração, responde que “Celebração da Palavra também é bom”... Um bom católico NUNCA deveria falar isso. Por quê? Porque você ter 1 milhão de celebrações da Palavra, mas não tem o valor de uma Santa Missa. Na celebração da Palavra se tem a Palavra sendo proclamada e faz umas orações e Comunga o Corpo de Cristo (que para ser Corpo de Cristo precisou-se de uma Missa anteriormente para então conservar as hóstias consagradas no Sacrário). Na Missa estamos diante do Calvário. A Missa é o tudo da Igreja! Se que muitos acham é bom quando começa a procissão de entrada e não veem o padre, mas sim o diácono sozinho. Afinal, normalmente a celebração é mais rápida que a Missa. Eu falo isso porque eu já pensei isso em épocas de imaturidade na fé. Triste de quem não dá o devido valor a Santa Missa.

É válido lembrar que não estou criticando que se tenha a Celebração da Palavra. Quando for impossível ter um padre celebrando o Santo Sacrifício, é bom que se tenha a Celebração da Palavra. Até porque é bom para o corpo e para a alma, principalmente para aqueles que procuram comungar todos os dias ou o máximo de vezes possível. Afinal, já dizia Santa Faustina: “Tenho medo de mim mesma no dia que não Comungo”. Mas é perceptível que muitas vezes tais celebrações caem no comodismo. Afinal, não se fala ao povo que pra cumprir o preceito direitinho precisa ir pra Missa. Ou seja, se pela manhã não terá Missa, mas celebração, não se avisa ao povo para a Paróquia a noite não ficar superlotada. Aqui encontramos a mesma problemática das Missas do sábado a noite com a liturgia de domingo. Poucos são os que falam que para cumprir o preceito dominical precisa-se ir pra Missa no domingo, mesmo que já tenha ido no sábado, porque a dispensa de ir no domingo é só para caos graves mesmo, e não para o folgado ficar o dia de lazer. Falo isso porque eu tinha uma professora no cursinho que dizia que quando o Flamengo jogava no domingo, ela já ia para a Missa no sábado... Isso é motivo grave que impeça uma pessoa de ir para o Santo Sacrifício da Missa no domingo? Não! E digo mais: isso é idolatria, afinal está colocando um clube de futebol acima do culto a Deus. - E por outro lado a gente vê quem manda nas Paróquias e Capelas se calando pelo fato de que se o povo que for no sábado voltar no domingo vai lotar. É um bom sinal. Sinal que o povo está com saúde e disposto a adorar a Deus. E quem não voltar no domingo sem motivo lícito, é porque simplesmente quer o comodismo e não abraçar a cruz. Aliás, participar da Santa Missa e Comungar o Corpo e o Sangue de Cristo é uma doce Cruz. Mais doce que cruz.

Mas voltando a especificar a situação da Celebração da Palavra, o que estou dizendo é o mesmo que a Igreja Católica Apostólica Romana fala por meio de seus documentos oficiais. Vejamos o que nos ensina o documento REDEMPTIONIS SACRAMENTUM (destaque nosso): «Quando falta o ministro sagrado ou outra causa grave fez impossível a participação na celebração eucarística», o povo cristão tem direito a que o Bispo diocesano, quando possível, procure que se realize alguma celebração dominical para essa comunidade, sob sua autoridade e conforme às normas da Igreja. Por isso, esta classe de Celebrações dominicais especiais, devem ser consideradas sempre como absolutamente extraordinárias. Portanto, quer sejam diáconos ou fiéis leigos, todos os que têm sido encarregados pelo Bispo diocesano para tomar parte neste tipo de Celebrações, «considerarão como mantida viva na comunidade uma verdadeira “fome” da Eucaristia, que leve a não perder ocasião alguma de ter a celebração da Missa, inclusive aproveitando a presença ocasional de um sacerdote que não esteja impedido pelo direito da Igreja para celebrá-la” (nº 164) – O que podemos aprender nesse trecho? Primeiramente que quando se é IMPOSSÍVEL que se tenha um padre para celebrar a Santa Missa, o povo tem o DIREITO de que se tenha pelo menos a Celebração da Palavra. Amém? Em segundo lugar, vemos que em contrapartida essas celebrações dominicais são ABSOLUTAMENTE EXTRAORDINÁRIAS. Ou seja, não podem ser tidas como ordinárias, normal, “é a mesma coisa da Missa”, não! Em outras palavras: que se tenha celebração da Palavra até que se resolva o problema. E principalmente, que se resolva o problema. Graças a Deus, na Paróquia em que participo, e creio eu que na diocese como o geral, não se tem tanto essa questão de “largar de mão”. Sempre buscam padres de fora, mas nem sempre é possível. Entretanto, falha na questão de alertar para quem participa, que os que podem procurar outra paróquia, não só podem, mas devem fazer isso para cumprir o preceito. - E em terceiro lugar nós vemos que no nº 164 deste documento nos alerta que deve-se levar o povo a não perder ocasião alguma de ter a celebração da Missa. É o que já foi dito: buscar trazer padres de fora que tenham a disponibilidade; ou no caso de quem puder, procurar outra Paróquia. Nunca é lícito uma pessoa que tenha condições deixar de ir a Santa Missa achando que basta a celebração.

Na mesma linha o número 165 do mesmo documento nos alerta: “É necessário evitar, diligentemente, qualquer confusão entre este tipo de reuniões e a celebração eucarística.” E no 166 (destaque nosso): “Assim mesmo, o Bispo diocesano, a quem somente corresponde este assunto, não conceda com facilidade que este tipo de Celebrações, sobretudo se entre elas se distribui a sagrada Comunhão, revivendo-se nos dias feriais e, sobretudo, nos lugares onde o domingo precedente, ou o seguinte, se tem podido ou se poderá celebrar a Eucaristia. Roga-se vivamente aos sacerdotes que, ao ser possível, celebrem diariamente a santa Missa pelo povo, em uma das igrejas que lhes têm sido confiadas.” - E falando sobre outras celebrações, até encontros de orações ecumênicos, o referido documento faz o mesmo alerta: “vigiem os pastores para que entre os fiéis católicos não se produza confusão sobre a necessidade de participar na Missa de preceito, também nestas ocasiones, a outra hora do dia” (nº 167)

É válido lembrar que eu entendo a necessidade pastoral em alguns casos. No entanto, fica aqui a crítica em relação a avisar ao povo a diferença. Uma grande dor que sinto é em relação as Missas de 7º dia. Que, aliás, não tem. Por exemplo, uma família vai até a Igreja para oferecer uma Missa pela alma de seu parente que faleceu. No caso é uma Missa de 7º dia. Vai lá, enlutado ainda, e coloca o nome do parente nas intenções. E o que acontece? Na procissão de entrada não tem um padre. E se não tem um padre, obviamente não tem Missa. Está o diácono ou um leigo que recebeu permissão para tal. Muitos familiares que perderam seus entes queridos nem se dão conta da diferença. Acham que é a mesma coisa. Sabemos que muitos nem frequentavam a Igreja. Porém, para as almas do purgatório... Ah, como existe diferença! Como já dito, na Santa Missa é oferecido o Sacrifício de Cristo na Cruz ao Pai, para que adoremos, para que sejam expiados os nossos pecados. Numa Missa de 7º dia ou quando se coloca a intenção de um falecido na Missa, é oferecido o sacrifício de Cristo na Cruz ao Pai... Sim! É oferecido o Corpo e o Sangue de Cristo na Cruz ao Pai em sufrágio daquela alma que padece no purgatório. Uma Santa Missa para uma alma do purgatório é tudo. Aliviam-nas e diminuem-se os dias de padecimento de forma extraordinária. No entanto, quando somente se coloca a intenção numa Celebração da Palavra, o que acontece? Reza-se. E a oração é bem vida. Mas não tem o mesmo efeito da Santa Missa. Na Celebração da Palavra não se está oferecendo nada. É só a reunião de fiéis ouvindo a Palavra de Deus e que no fim se Comunga. Não tem o Sacrifício. Cristo não está sendo aniquilado no Altar da Santa Missa. Não sei nem com o que comparar. Mas comprar o efeito da Celebração da Palavra com a Missa, seria como comparar um pedacinho de grama com toda a Amazônia. Sei que a comparação foi pobre, mas mais pobre ainda é quem não dá o devido valor à Santa Missa.

E queria dizer que não avisar para os familiares que não terá Missa naquele dia, é algo muito desonesto. É desonesto com a família que, por causa do desconhecimento da causa, leva gato por lebre. E é desonesto com a alma que, se tiver alcançado Misericórdia, está padecendo no purgatório. E para quem leu o mínimo sobre purgatório sabe que não tem nada que se compare com a Santa Missa para aliviar uma alma do purgatório. E essa desonestidade ocorre justamente durante a semana quando é mais comum que ocorra celebrações da Palavra. Será que quando alguém deixa a intenção na secretaria, e quem atende sabe que não terá Missa, tem zelo o suficiente de tentar ligar em outra Paróquia e pedir que se coloque essa intenção? Ou mesmo de avisar? Mas sei que na maioria a culpa é dos próprios familiares que, por estarem distantes da Igreja, e pela dor do momento, acabam indo apenas em cima da hora. E nem se dão conta.

O que me motivou a escrever esse post foi justamente essa questão de Missa de 7º dia. Temos que rezar pelas almas do purgatório. E no mais, para finalizar, quero dizer que só entenderemos verdadeiramente o valor da Santa Missa quando nós, pela Misericórdia de Deus, estivermos no purgatório padecendo. E se quando você morrer estiver precisando de Missas e o que vem são só as intenções da Celebração da Palavra? Pense nisso.

E abaixo deixo um video do Padre Paulo Ricardo falando sobre a questão de se se cumpre o preceito dominical participando apenas da Celebração da Palavra.


Salve Maria Imaculada!




Assistam este filme que mostra o que acontece na Santa Missa (inclusive a graça que se obtém para as almas do purgatório)

Um comentário:

  1. O Grande Milagre é um filme muito bonito e nos faz entender melhor o Mistério da Transubstanciação.Todo Cristão Católico deveria assisti-lo, vale a pena.

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