sábado, 23 de março de 2013

Realizar os desejos que os santos não realizaram


            O Papa Bento XVI disse que os jovens não são tão superficiais como dizem. De fato, é belo ver o desejo de santidade que tem crescido no meio jovem. É bem verdade que existe também muita gente descompromissada com o Evangelho, e não quero aqui dizer qual a maioria. Mas o fato é que tem sim muita gente querendo ser santo. Ser santo no seu estado de vida. Ser santo na juventude, com namoro santo; santo no matrimônio com um casamento santo com filhos educados na fé católica; homens e mulheres que querem se entregar de uma forma especial, que querem ser santos na vida religiosa, ou mesmo sendo celibatários. Isso é muito belo. Isso é a Igreja! A santidade da Igreja, que mídia não gosta muito de mostrar, mas que oculta no coração de Cristo, vive na terra, de acordo com o pulsar do coração misericordioso de Cristo na cruz.
            Meus amados irmãos, ao mesmo tempo em que o desejo de santidade cresce, temos que fazer crescer a sabedoria. Pois da sabedoria vem o temor de Deus. Falo isso porque, até aonde se sabe, todos os santos passaram por desertos, momentos de provação. E aí o demônio age, e o desejo de santidade fica distante, quando por providência de Deus vemos nossa miséria. Aí bate o desejo de ser santo como Santa Teresinha do Menino Jesus, por exemplo, mas começa a se ver tão miserável, mas mal sabe que a santidade são para os miseráveis, pois todos os santos sabiam de sua miséria. Quem não se enxerga como miserável talvez esteja sendo enxergado por Deus como orgulhoso e soberbo, pois tudo é graça de Deus.
            Um fato comum é as pessoas admirarem determinado santo, querer ser como ele, amar a Deus como ele, mas logo desanimam por se verem pequeninos. Mas, se observar que de fato Deus é imenso, infinito, e você menor que um átomo, miserável, pecador, e se submetendo ao amor e a misericórdia de Deus, já está agindo como agia os santos. Algumas pessoas se sentem tão chamadas a ser santos como os santos, que começam a admirar os seus estados de vida, e querem ingressar e tal ordem. Isso é belo, mas nem todos tem a mesma vocação. Um exemplo são várias garotas que admiram Santa Teresinha do Menino Jesus, mas se decepcionam por ser discernido que não tem chamado à vocação religiosa no Carmelo, ou mesmo porque queria ser santa como ela, mas não consegue nem mesmo se imaginar na clausura de um mosteiro. Mas, seja santa(o) como Santa Teresinha no seu estado de vida! Existem várias coisas que Santa Teresinha queria fazer e não pode, e coisas lícitas, mas que não era a vontade de Deus para ela naquilo que era seu estado de vida. Dizia ela: “Quisera morrer num campo de batalha em defesa da Igreja!” Ela não pode realizar isso, mas você que não vive em um claustro, pode muito bem fazer isso. Em tempos de paganização da sociedade, viver os mandamentos de Deus e da Igreja, é pedir para ser mártir, ao menos sofrer o martírio da ridicularização, como dizia Bento XVI. Santa Teresinha não podia ir em uma manifestação contra o aborto, mas você pode ir para este campo de batalha lutar a favor da vida. Olha que belo! Ela queria ser tudo, já passou pela cabeça dela ser: padre, papa, missionária, etc. Seja o que ela não pode. Você jovem que admira tanto ela, e tem vocação ao sacerdócio, seja padre. Você que quer anunciar o Reino de Deus, mas queria tanto ser como Teresinha mas não tem vocação carmelita, seja um missionário. Faça aquilo que era belo e lícito, mas não era a vontade de Deus para ela, mas pode ser que seja para você. Mas se você tem chamado vocacional ao Carmelo, não use isso para continuar enrolando a Deus e não assumindo sua vocação religiosa.
            Ainda citando Santa Teresinha, pode-se também fazer o que ela fez. Dizia ela que sua vocação na Igreja era o amor. Seja o amor na sua família com seus pais, seus irmãos, seu esposo(a), seus irmãos de comunidade, etc.
            Ainda falando do amor, unimos a Misericórdia de Deus. Santa Faustina foi uma apóstola da Misericórdia, mas ela não foi uma pregadora. Então, se você queria tanto ser santo como Santa Faustina, leia o diário dela, e anuncie essa Misericórdia. Jesus dizia a ela que os sacerdotes deviam pregar sobre essa Misericórdia. Hoje, que temos a graça de tantos leigos missionários, devemos realizar este desejo de Jesus, denunciar o pecado anunciando a Sua infinita Misericórdia. Santa Faustina no Céu intercede por nós, pois nós devemos ser os apóstolos da Misericórdia neste tempo do paganismo moderno.
            Alguém que conheceu e anunciou muito bem a Misericórdia do Senhor foi um santo chamado São Pio de Pietrelcina. Este santo recebeu os estigmas em seu corpo (as marcas da Paixão do Senhor Jesus). Tinha dom de bilocação, de perscrutar coração, voltar no tempo, milagre, ciência, sabedoria, etc. Um santo extraordinário de nosso tempo. O seu amor e seu zelo pela Santa Missa, mostrando que a Missa é verdadeiramente Sacrifício, faz arder o coração de muitos a ser santos como ele. Se você se sente chamado ao sacerdócio, eis um belo modelo de inspiração para ti. Mas, mulheres que não podem ser padres, e homens que não tem essa vocação podem fazer o que ele não fez. Fica até difícil saber o que Padre Pio não fez, mas tinha coisa que ele queria fazer e não fazia. Lembrando aos padres e leigos, que para ser santo como Padre Pio, não queiramos ter os carismas que ele tinha, mas o amor por Jesus Crucificado que ele tinha. Sejamos seus filhos espirituais, e completemos o que ele queria fazer. Certa vez ele disse: “Choro por não poder levar todas as criaturas a Jesus Sacramentado”. Você também não conseguirá levar todas, mas com a intercessão de Padre Pio e da Virgem Maria, podemos levar muita gente a Jesus Sacramentado com nossa pregação, nosso testemunho... Até mesmo levaríamos a realizar outro desejo dele: o de as pessoas saberem o valor de uma Missa. Então viva o Santo Sacrifício com piedade como era desejo dele, e fale isso a outras pessoas também. Outra vez ele disse que quisera “ter uma voz suficientemente forte para fazer todas os pecadores a amar Nossa Senhora” (Epist 1/277) e “voar para levar todas as criaturas desse mundo a amar Nossa Senhora.” (Epist 1/357) – Creio eu que você não saiba voar, mas sabe falar de Nossa Senhora. Talvez, quase certeza, nem toda criatura ouvirá você e nem todos que te escutem irão recorrer à Mãe de Deus. Mas realize aquilo que era desejo de Padre Pio, que é anunciar a Mãe de Deus para toda criatura. Eu, da mesma forma que era São Pio, sou escravo da Virgem Maria. Então, anunciemos a Virgem Maria. Se consagre a Virgem Maria pelo método de São Luís, seja um apóstolo dos últimos tempos.
            Muitos queriam ver Nossa Senhora como vários videntes viram. Mas, que tal responder aos apelos de Nossa Senhora em tais aparições reconhecidas pela Igreja? Muito se fala de aparições da Virgem Maria, das graças, mas pouco se fala das mensagens de Nossa Senhora. Um exemplo é La Salette. Mas meus irmãos, porque não fazemos o que os santos que viram Nossa Senhora não podem fazer hoje: anunciar tais mensagens. Nossa Senhora em Fátima mostrou o inferno para três crianças. Já quero aqui dizer que se você quer ser santo como os santos, ou ser devoto, não deve temer falar do inferno para as crianças, claro que com um jeito todo especial, pois a própria Irmã Lúcia criticou esse escrúpulo, lembrando que Nossa Senhora não hesitou mostrar o inferno para três crianças, uma de 10, outra de 8, e outra de 7. E, a beata Jacinta, sabendo que em breve morreria, dizia para a Irmã Lúcia que ficaria na terra por mais tempo: “Eu vou para o Céu; mas tu, que ficas cá, se Nossa Senhora te deixar, dize a toda a gente como é o Inferno, para que não façam mais pecados e não vão para lá”.  Então, para sermos santos da mesma forma que os pastorinhos de Fátima, que tal cumprirmos os desejos da beata Jacinta? Vale lembrar que a Irmã Lúcia já morreru, velhinha, e numa clausura. Então, o dever de anunciar a existência do inferno e do real perigo dos pecadores ir para lá, cabe a nós, nós devemos anunciar a Misericórdia, mas dizer que se não convertem vão para o inferno. Mas e a Misericórdia de Deus? Pois é, leia o Diário de Santa Faustina e veja que ela também teve uma visão do inferno, e atesta a sua existência. A beata Jacinta após ver o inferno ainda dizia: “Se eu pudesse mostrar-lhes o Inferno!” Ela, hoje, pode interceder por nós, mas nós podemos nos encarregar deste trabalho. Devemos falar do inferno – que parece que sumiu da boca dos pregadores esta palavra – e falar os pecados que levam para lá.
            Esses são apenas alguns exemplos, de que podemos ser santos nos diversos estados de vida, estando unidos à vontade de Deus, e que podemos imitar os santos, sem necessariamente “invejar” seus carismas, mas fazendo aquilo que eles não podiam fazer, mas nós podemos. Por isso, ingresse em um apostolado, comunidade, faça alguma coisa para o Reino de Deus. Pois não podemos nos apresentar diante de Deus com as mãos vazias, devemos nos apresentar no dia do Juízo com as mãos cheias de sacrifícios, orações, e trabalho pelo Reino de Deus. São Francisco no fim da vida dizia que devia começar tudo de novo, pois não tinham feito nada. E nós, somos mais santos que São Francisco pra acharmos que fizemos muito? Avante soldados de Cristo! Trabalhemos! Pois se ficarmos contemplando a santidade de Santa Teresinha e dos outros que participam da Comunhão dos santos, sem “bater um prego numa barra de sabão” os santos serão apenas uma lembrança do que deveríamos ser enquanto arderemos no inferno. Que Deus nos livre disso! Sejamos santos, porque o Senhor nosso Deus é Santo (cf. Lev 19,2). Aliás, o Santo dos Santos! Unidos com Cristo e a Virgem Maria, o inferno se arrepia. Seja santo! Reze o Rosário!
            Salve Maria Imaculada!

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