terça-feira, 24 de julho de 2012

Amar os que ninguém mais quer amar

           

             Salve Maria Imaculada!
            A sociedade em que vivemos está em um verdadeiro caos.  Para onde olharmos ou vivermos, estaremos de alguma forma, introduzidos em um mundo descristianizado. Talvez este termo “descristianizado” seja mais usado para contar como está a situação da fé em alguns lugares, como é de exemplo a própria Europa. Mas, a descristianização passa de certo modo onde nós estamos. Talvez, nós, com todo fervor que achamos que temos, sejamos a ação prática da descristianização no mundo.
            Não quero entrar no mérito de Liturgia, ou de doutrina mais profunda, aonde seria mais complexo. Mas gostaria de que nós refletíssemos se a vida em que levamos é digna de um cristão católico. Se pecar, renuncie ao pecado. Mas, como em algum momento encontramos Cristo, e nos tornamos bebês em Seus braços, chega o momento em que crescemos e temos que dar nossos passos. A Palavra de Deus vai nos ensinar que a fé: se não tiver obras é morta em si mesma (Tiago 2,17). E qual tem sido a nossa obra? Ficar apenas na internet, até falando de Deus, mas por vezes tendo respeito humano com determinada pessoa? Estamos falando do amor de Deus, até sentindo este amor, mas estamos levando ao invés de apenas falar? Sim, porque muitos falam do amor de Deus, mas só leva o amor de Deus as outras pessoas aqueles que amam Deus de volta. E como você tem amado o outro? Indo a Igreja? Muito bem. Mas, além da Igreja, tem amado o pobre, o corrupto, o ladrão, o miserável, etc? São Padre Pio dizia que Deus está duas vezes no pobre. Então porque não amamos o pobre, porque temos repulsa? (Vale lembrar que pobre aqui, não é apenas financeiramente, mas sim todo aquele que não conhece a Deus). As vezes é fácil pegar um microfone e pregar para as pessoas que já te esperam; difícil é ir em um hospital dar uma palavra de ânimo e de conforto para um doente terminal de câncer ou qualquer outra doença. Denunciar o pecado é relativamente fácil – não que seja errado, São João Batista denunciava o pecado do povo, e se faz necessário isso pois muitos se perdem por falta de conhecimento (cf. Oséias 4,6) -, difícil mesmo é falar do amor e do perdão de Deus dentro de uma penitenciária, por exemplo.
            Falo isso irmãos, pelo fato de que todo mundo se acha um Francisco de Assis ou uma Teresa de Calcutá na vida. Porém, o que mais ouço são comentários de condenação e preconceito com o miserável. A beata Madre Teresa de Calcutá já dizia: “As pessoas boas merecem nosso amor; as pessoas ruins precisam dele...” – Ou seja, tem um monte de gente precisando do nosso amor, e o que fazemos? Nós somos os piores, a pior raça de cristão. Pois conhecemos a Cristo, mas temos medo de dizer que Ele é o nosso Senhor, e de que para amar a Cristo também amamos aqueles que é causa de vergonha e escândalo para muitos.
            Dentre os inúmeros comentários que ouço, está aqueles contra os criminosos. Quanta falta de amor! E nem falo dos criminosos para com as vítimas, falo da sociedade para com eles. Sei que podem me chamar de louco e defensor de “quem não presta” (como alguns os classificam), mas se Cristo morreu na cruz também por Ele, porque eu também não posso dar a minha vida por um miserável que a maior pena que sofre é não ter uma experiência com Cristo? Talvez o seu e o meu pecado são maiores do que qualquer crime que tenha em uma penitenciária. Sabe por quê? Porque eu e você talvez já tenhamos tido uma experiência com Jesus, e sabemos muito bem o que é bom e o que é ruim (quanto mais aqueles que são escravos de Nossa Senhora, e assim romperam com as correntes do demônio). A maioria daqueles que lá estão, ouviram falar de Cristo, até tentaram conhecê-Lo, mas não tiveram um encontro pessoal com Cristo. Então, o nosso pecadinho é menor que o pecadão deles. Reflita...
            E sabe de quem é a culpa? Minha e sua. Mas como? – diz você – se eu não ajudei eles a roubar, matar, prostituir, estuprar, traficar, nem ensinei a ninguém a ser contraventor, enfim não ensinei a cometer seus crimes. Mas, como dito, a raiz de todo crime é um vazio que só Deus preenche. E, sendo assim, eles só estão na vida em que estão, porque não tiveram um encontro com a Pessoa de Jesus Cristo. E por que a culpa é minha? – me diz você neste momento-. A culpa é sua, porque enquanto ficávamos acomodados na nossa preguiça, não saímos a evangelizar. A culpa é nossa porque não damos catequeses consistentes. A culpa é nossa porque sequer saímos a dar catequeses. A culpa é nossa porque quando nos “convertemos” cantávamos e dizíamos com todas as letras que iríamos para onde o Senhor nos enviasse; mas depois fomos para onde era mais light, mais brando, e o pobre que se dane.. neh? As famílias e jovens favelados que se explodam, tentemos evangelizar o playboy filho de papai que cheira cocaína porque esta depressivo pelo fato da namorada(o) não ter atendido o telefone – não to dizendo que este não deve ser evangelizado, até porque é pobre também porque não conhece a Deus, mas falo isso porque muitos eventos católicos são elitizados mais voltados para quem tem uma boa renda familiar. Oxalá todas tentassem introduzir quem não tem condições em seus eventos -. A culpa é nossa porque queremos ser servidos e não servir.
            Prestei atenção que a maioria dos repórteres – em sua maioria os âncoras – que descem o cacete nos menores infratores e nos criminosos, nunca visitam os presídios para dar uma palavra de estímulo para mudar de vida. Pasmem, dentro da Igreja é assim também. As pessoas que vão em presídios ou coisas do tipo são, infelizmente, tratadas como santas, enquanto são tão ruins quanto outro ser humano, apenas porque vai a um presídio. Sei que não é o carisma de todos ir a hospitais, presídios, favelas, até boca de fumo, ou qualquer lugar aonde a Palavra de Deus necessite ser proclamada. Mas, NINGUÉM ter o carisma – ou uma minoria da Igreja – é inacreditável. Não dá para deixar os moradores de rua apenas nas mãos da Toca de Assis. Assim como também não dá para deixar os presidiários apenas nas mãos da Pastoral Carcerária. Enfim, já pensou em ir ajudar estes movimentos? Ou mesmo na sua possibilidade ajudar quem precisa com o material, e com o espiritual? Perdão, mas pobre não vai cair do Céu no seu colo como sinal de Deus não, pobre vai estar (e está) ao lado da sua casa gritando: EU PRECISO DE DEUS!
            Ainda falando dos repórteres, tem um que acho bizarro e sínico. Desce o pau nos menores infratores, dizendo que não prestam (e as palavras que vocês devem saber quais), que eles não mudam de vida porque não querem; etc. Aí o repórter que estava ao vivo em uma das unidades para menores infratores disse “Fulano, alguns jovens aqui assistem você e mandaram um abraço”. Aí esse repórter sorriu e disse “é alguns querem mudar de vida, mas não é todos...” Opa espera aí minha gente! Agorinha nenhum prestava, aí recebeu um elogio agora já tem alguns que prestam e podem mudar de vida? É assim que infelizmente temos tratado a evangelização. Só falamos de Deus para quem vai nos retribuir, nos elogiar, nos achar “santos”. Mas, para aqueles que julgando por um olho humano, teriam menos chances de deixar a Palavra penetrar no coração, já não queremos. Porque não queremos diálogos com assassinos, traficantes, etc. Mas, quem precisa mais do que estes, somos nós. A gente as vezes ficamos acostumados com glamour de bandas e pregadores que querem apenas aparecer, e ficamos querendo amar quem vai nos amar e gritar nosso nome. E assim, esquecemos as palavras de São Paulo que vai nos dizer: “Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!” (1Crontios 9,16) Então, renunciemos a vaidade e o orgulho, e nos decidamos por Deus. Pois só decididos por Deus, vamos parar de querer desejar apenas anunciar no altar aonde irei aparecer, e iremos querer adentrar nas celas, Hospitais, sarjetas, etc.
            As vezes reflito o porquê fazer isso se muitos não irão ter uma vida imediata na Igreja. Mas sempre vem ao meu coração, que para esses que aparentemente já estão perdidos, o meu falar de Deus é para que nem que seja na hora da morte eles lembrei do que Deus falou através da minha boca, e se arrependam, e de uma forma extraordinária possam ser salvos; e quem dera Deus, sejam eles levados pela Virgem Maria para junto de Deus. Já você, que se acha o “santo dos santos” porque ora em línguas, repousa, canta, conta piada, “planta bananeira no espírito”; você que acha saber mais que o Papa, inventor da tradição; onde estão as tuas obras?
            Vale lembrar que muitos que estão nos presídios e sarjetas já fizeram a catequese (mesmo que de forma incompleta). Então reflita se a catequese que você dá Sr catequista está sendo boa o suficiente para levar os jovens a se encontrarem com Deus. E mais, você que condena as pessoas por seus crimes, saiba que você também pode parar em uma penitenciária ou na sarjeta, só que não para evangelizar, mas para cumprir pena. Afinal, se a sua fé se baseia em emoções que não te levam a fazer obras, a sua fé é vã. Espero te ver em presídios, hospitais, sarjetas, ou em qualquer lugar onde as pessoas não conhecem a Deus, evangelizando, e não precisando ser evangelizado.
JPII e a pessoa que atentou contra sua vida.
           Lembro do Beato João Paulo II, que quando sofreu um atentado, não condenou a pessoa que tentou contra a sua vida. Mas, surpreendendo a todos, foi de encontro ao homem que atirou nele, na prisão, dando-lhe seu perdão.
            E como Jesus está a voltar ou você a ir ao encontro d’Ele pois você pode morrer a qualquer momento, lembre-se das palavras de Cristo: “Tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim”. (Mateus 25,35-36ss) E sabemos que quando fazemos isso a Cristo é quando fazemos ao necessitado. Espero que nenhum de nós venhamos a perder o Reino de Deus pelo fato de não ter amado Cristo no pobre.
            Salve Maria Imaculada!
            Shalom!

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