sábado, 30 de junho de 2012

Após nove anos, processo de canonização de frei Damião chega à fase final no Vaticano


Frei Damião, religioso muito conhecido no Nordeste por suas missões e romarias, chegou ao Brasil em 1931, foi para o Convento de São Félix, no Recife, e ali viveu até sua morte, em 1997


Depois de nove anos de pesquisa e relatos, o Vaticano recebeu, nesta quinta-feira (28), a documentação para análise do processo de beatificação e canonização de frei Damião, o “andarilho de Deus”. Considerado um verdadeiro santo por muitos nordestinos --que continuam a reverenciar o religioso--, a Igreja Católica vai investigar, a partir de agora, se há milagres comprovados atribuídos a frei Damião e, assim, declarar o religioso como santo oficialmente.
Uma comissão liderada pelo vice-postulador e responsável pela causa no país, frei Jociel Gomes, entregou a extensa pesquisa realizada no Nordeste à Chancelaria da Congregação da Causa dos Santos, no Vaticano. O parecer da fase final do processo sairá em dois anos.
O processo de canonização de frei Damião foi aberto oficialmente em 31 de janeiro de 2003, cinco anos após sua morte, como determina o direito canônico. Após a licença da Igreja para iniciar os estudos, começou a fase diocesana do processo, com recolhimento de depoimentos de testemunhas de pessoas que relataram milagres graças à interseção do frei. Essa fase é a mais importante do processo, já que inclui a pesquisa completa sobre vida e obras do postulante a santo.
Nesse período, duas comissões (uma histórica e outra teológica) foram criadas e saíram em busca dos relatos da vida pessoal e religiosa do frei pelo Nordeste. Em nove anos, dezenas de testemunhos de supostos milagres foram ouvidos e analisados por uma comissão. Na fase final, cinco dos milagres foram escolhidos como principais e apresentados como mais significativos ao Vaticano como prova da santidade do frei. Os relatos são mantidos em sigilo.
“A Igreja pede a apresentação de um milagre comprovado, alcançado através da intercessão do candidato à beatificação. Só valem milagres acontecidos após a morte dele. No decorrer da primeira etapa, recolhem-se relatos de graças ou curas extraordinárias. Forma-se outro tribunal canônico. Convocam-se testemunhas e médicos, para examinar as curas apresentadas", infromou o frei Jociel Gomes, em artigo no site oficial sobre a beatificação de frei Damião (http://www.freidamiaodebozzano.org/processo-de-canonizacao/).
Segundo Gomes, caso seja reconhecido um milagre do frei Damião, ele será beatificado. “Se uma cura for declarada inexplicável pela medicina atual e aprovada pela comissão dos teólogos, o candidato pode ser proclamado “beato” ou “bem-aventurado” e ser venerado na região onde viveu. Atualmente basta um milagre para a beatificação. Sendo constatado mais um milagre, o candidato é canonizado, ou seja, incluído no cânone ou lista dos santos oficiais da Igreja. Esta proclamação feita pelo papa significa que o candidato levou vida santa aqui na terra, está no céu e pode ser cultuado no mundo inteiro como santo”, disse.

O frei

Frei Damião nasceu em Bozzano, na Itália, em 5 de novembro de 1898. Aos 33 anos de idade, deixou o país europeu para ser missionário no Nordeste brasileiro. O religioso dedicou os 66 anos de vida no Brasil para percorrer as cidades nordestinas, realizar missas e orações e ouvir confissões. Ao frei são atribuídas muitas graças alcançadas e milagres.
O frei morreu no dia 31 de maio de 1997, no Recife, após sofre um AVC (acidente vascular cerebral). Seu enterro, também na capital pernambucana, foi marcado pelas demonstrações de fé de milhares de fiéis, que foram ao sepultamento para se despedir do "andarilho de Deus".
Atualmente, o convento São Félix de Cantalice (onde estão os restos mortais do frei), no bairro do Pina, no Recife, abriga o Memorial de Frei Damião de Bozzano, com capela com o túmulo, museu com objetos que pertenceram ou fazem referência a ele e salão de apoio aos romeiros. O local é alvo de romarias todos os anos, principalmente no final dos meses de maio, que marcam a lembrança pela morte do religioso.  

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