segunda-feira, 14 de maio de 2012

Comentando o Bote Fé Brasília


Foto obviamente editada

            Nos dias 12 e 13 de maio aconteceu na Arquidiocese de Brasília o evento Bote Fé em preparação da JMJ Rio 2013. O evento que acontece em todo o país, atrai multidões para ver e tocar os símbolos da Jornada Mundial da Juventude: a Cruz e o Ícone de Nossa Senhora, ambos dados pelo Beato João Paulo II à juventude. E em Brasília não foi diferente. O evento reuniu um bom número de jovens na Esplanada dos Ministérios, que com a cruz puderam professar a fé Católica.
            O evento teve uma boa iniciativa passando por boa parte das cidades satélites de Brasília, podendo assim facilitar o acesso dos fiéis que não poderiam se deslocar para o centro de Brasília para estar com a Cruz da Jornada e o Ícone de Nossa Senhora. Brasília esteve em festa com o evento. Tenho certeza que foi um ótimo momento de reavivar a fé de muitos. Particularmente posso dizer que no dia de Nossa Senhora de Fátima (13) foi um milagre concedido pela minha boa Mãe eu ter conseguido não só chegar perto da cruz, mas poder tocá-la (Bendito seja Deus). Aquele simples gesto de tocar a cruz para mim foi como uma nova efusão do Espírito Santo. Ensinando-me a não desistir de carregar minha cruz. Talvez este tenha sido o objetivo de João Paulo II em nos dar a Cruz e o Ícone de Nossa Senhora: carregar a cruz, mesmo que pesada, mas bradar contra o pecado, lutar pela e viver a castidade, ir na contramão do mundo vivendo e almejando a santidade, mesmo que além da nossa pesada cruz ainda recebamos pedradas de todo lado... CRISTO É CONOSCO JUVENTUDE SANTA! E o Ícone de Maria talvez tenha sido o ato mais singelo de amor do Papa. Como carregar a cruz sem o ensinamento desta boa Mãe que esteve aos pés da Cruz? O Papa João Paulo II teve como lema de Papado “Tottus Tuus” em referência a Maria, ou seja, “Todo Teu Maria”. Ele era escravo da Virgem Maria pelo método de São Luís Maria Grignion de Montfort, e indicou aos fiéis esta perfeita e santa devoção, espalhando-a ainda mais pelo mundo. Dar à juventude o Ícone de Nossa Senhora é um brado de João Paulo II pela ação do Espírito Santo para que a juventude se consagre totalmente, sem reservas a Virgem Maria. É como se João Paulo II ainda hoje gritasse: JOVEM, CONSAGRA-TE!
            Mas falando especificamente do evento ‘Bote Fé’, creio que deixou a desejar enquanto mostrar o Ressuscitado que passou pela cruz para que todos tenham uma experiência com Cristo. Claro que Deus com certeza fez naquele lugar, mas poderia ter feito mais caso nós tivéssemos dado a oportunidade para que isso acontecesse. Vejamos uma análise simples: no “Bote Fé” não teve no dia 12 o “autor da fé”, ou seja, não teve Jesus Cristo vivo, real e ressuscitado. Acho que focou tanto na cruz e ícone, que esqueceram de que era necessário expor o Santíssimo Sacramento para ser adorado; e o mais importante, ter a Santa Missa, que infelizmente só tivemos no encerramento já no dia 13. É insano achar que o coração de todos os jovens ali está totalmente convertido, por isso fazia-se a necessidade de ter Jesus Sacramentado, para que todo espírito imundo caísse por terra, pois diante de Jesus no Santíssimo Sacramento do Altar todo demônio é repelido. E os jovens que não era de Igreja, viram apenas show, e não aquele que deveria estar recebendo adoração. Todos no show dos artistas, e Jesus Sacramentado sozinho pelos tabernáculos do DF.
            O Bote Fé Brasília foi apenas um reflexo da infelicidade que tem se tornado boa parte dos eventos católicos pelo Brasil. As pessoas têm trocado o testemunho pela aparição própria, esquecendo-se do velho ensinamento de ‘que Jesus cresça e eu desapareça’ (conf. João 3,30); nem tanto – neste evento específico - pelos artistas em si, mas a própria organização tendenciou que isso acontecesse. Quem é daqueles que só aparece na Igreja quando tem show, foi o que teve: show. E show tem no mundo também, qual o nosso diferencial? O nosso diferencial é Jesus Sacramentado. Mas parece que Jesus Sacramentado causa escândalo e/ou vergonha aos organizadores e a muitos artistas, que preferem se apresentar como pop stars e esconder Jesus que é o Rei dos Reis. E também as pessoas trocam – como já evidenciado aqui – o Sacrifício da Missa pela festa. Ali era uma festa, mas não a festa de dizer que Cristo Ressuscitou! Aleluia! Era uma festa com temática “cristã”. Eu sei que existiam muitos ali que não eram de Igreja, e que talvez estivessem tendo seu primeiro contato com a Igreja Católica, e que por isso devemos levar em conta barbáries cometidas lá; mas por outro lado, muitos já caminham na Igreja, e não podem estar vivendo como pagãos, dando um péssimo testemunho. Tinha gente durante o show da banda Cerimonya (Rock) fazendo sinais satânicos com as mãos e em certo momento se debatendo, pulando uns nos outros como ocorre em shows de rock mundanos. Belíssimo exemplo de conversão, não? O Rock já tem um sério problema para ser aceito, todos podem até ouvir a palestra do PadreRoberto Lettieri sobre o Rock Católico, aí como podemos aceitar o Rock se o testemunho que temos é de algo que faz as pessoas se debater como imbecís, da mesma forma que nos shows do mundo? Que mudança de vida tivemos? Sei que a banda não mandou que fizessem isso, mas ninguém exorta. E quando digo ‘ninguém’ digo todo mundo: os padres, os catequistas, os coordenadores, os pais, os pregadores, etc. - Fora outros casos de garotas dançando tipo um "funk" e outras cantando músicas no ritmo funk parecida com a "dança do espetinho" no post da profanação eucarística.
            Nós não podemos dar ao jovem o que ele quer. Nós temos que dar ao jovem o que ele precisa. E o que ele precisa é de Deus! O jovem quer festa, nós não podemos dar ao jovem a festa pela festa. É ótimo o objetivo de celebrar a grande graça de termos tido os símbolos da JMJ. Mas fazer a festa pela festa é um risco enorme, pois festa pela festa o mundo oferece. O Beato João Paulo II dizia que a Igreja só será jovem quando o jovem for Igreja. Mas para ser Igreja é preciso converter, e nós não exortamos a conversão, mas sim a festa. Ninguém pode se converter apenas vendo e participando de festa, é preciso o diferencial. Vai ver se no evento da Comunidade Católica Shalom chamado ‘Halleluya’ não tem momento de adoração forte e adoração ao Santíssimo Sacramento. Mas parece que as pessoas preferem esconder a Cristo. Só um coração adorar é realmente convertido. Reflita se você tem adorado ou “enganado” o Senhor.
            Muitos dizem que o número de fiéis ali mostra que a juventude católica de Brasília está viva. Viva só se for por respirar. Sim, estamos vivos, mas será que vivemos corretamente? Não digo nem na vivencia da fé. Apenas os eventos locais tem tomado rumos diferentes que precisam ser refletidos. Minha pastora de grupo de oração certa vez me disse que participou de Hallel com mais de 200 mil pessoas em Brasília. Hoje o Hallel é uma tristeza se formos olhar em número. Mas pelo menos lá tem uma Capela. E o Bote Fé passou longe dos 50, quanto mais de 200 mil. Claro que número não é sinal de eficiência na evangelização, até porque senão estádio de futebol evangelizava mais já que é lotado e tem algum jogador fazendo sinal da cruz, com camisa escrito Jesus eu te amo, etc. Mas querendo ou não dói o peito ver isso. O único evento Católico de massa em Brasília que não para de crescer é a ‘Semana de Pentecostes’ realizada pela Paróquia São Pedro e a Comunidade Renascidos em Pentecostes aonde ano passado levou cerca de 1,5 milhões de pessoas. Este ano esperam 2 milhões. E qual o segredo além das Velas de Pentecostes? Lá se adora o Santíssimo Sacramento do Altar! Tudo acontece em torno da Missa, são as Missas de Pentecostes (por melhor especificar), e ao fim sempre se expõe o Santíssimo, e o Padre revela o que Deus conceder com o Santíssimo Sacramento exposto. Aliás falando de Pentecostes, alguns padres e fiéis tem inveja do Padre Moacir pelo fato de em Pentecostes dar tanta gente e nos outros eventos não chega perto. O segredo é esse: adorar o Santíssimo Sacramento. Lá é um lugar de adoração. Por mais que muita gente profane, como o Senhor falou ao meu coração ao ver coisas do tipo: “A minha terra é um lugar de adoração, e não de profanação”. Em Pentecostes não tem shows com bandas famosas, canta-se apenas os cantos locais (não sei se esse ano mudou), mas sempre cantava no meio da tarde para ir levando o povo ao clima de oração para entrar no mistério da Santa Missa. Quem sempre canta são Crícia e Gláucia Martins e Paulinho Sá. Agora nos Halleis até com Rosa de Saron que é talvez o estrelismo “católico” em pessoa não consegue voltar a era das 200 mil pessoas.
            Espero que os organizadores do Bote Fé, da JMJ e de todos os eventos católicos entendam que o jovem não precisa de mais shows, o jovem precisa ter um encontro pessoal com Deus como eu tive. Precisa de uma experiência com o ressuscitado que passou pela cruz. O jovem quer ser santo, mas só lhe ensinam coreografias e como fazer festa, e não como criar calo no joelho adorando o Senhor. Ensinam o jovem a cantar, mas não ensinam a rezar o terço. Aliás, o tempo que foi perdido com apresentadores enrolando entre a saída de um artista e a entrada do outro, daria pra ter feito adoração e gerado mais frutos. Eu tive uma experiência ao tocar na Cruz, mas será que todos sabiam a importância dessa cruz? Eu creio que as palavras Santa Catarina de Sena verdadeiras: “jovens, se fores aquilo que Deus quer, tocareis fogo no mundo”. E depois de tocar naquela Cruz da JMJ, estou mais labareda ainda para incendiar o mundo com o anúncio da Verdade. Pois um escravo da Virgem Maria não foge a luta. BOTA FÉ?



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